Censo Demográfico

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O que é

Constitui a principal fonte de referência para o conhecimento das condições de vida da população em todos os municípios do País e em seus recortes territoriais internos, tendo como unidade de coleta a pessoa residente, na data de referência, em domicílio do Território Nacional.

O Questionário Básico da pesquisa investiga informações sobre características dos domicílios (condição de ocupação, número de banheiros, existência de sanitário, escoadouro do banheiro ou do sanitário, abastecimento de água, destino do lixo, existência de energia elétrica etc.); emigração internacional; composição dos domicílios (número de moradores, responsabilidade compartilhada, lista de moradores, identificação do responsável, relação de parentesco com o responsável pelo domicílio etc.); características do morador (sexo e idade, cor ou raça, etnia e língua falada, no caso dos indígenas, posse de registro de nascimento, alfabetização, rendimento mensal etc.); e mortalidade. A investigação nos domicílios selecionados, efetuada por meio do Questionário da Amostra, inclui, além dos quesitos presentes no Questionário Básico, outros mais detalhados sobre características do domicílio e das pessoas moradoras, bem como quesitos sobre temas específicos, como deficiência, nupcialidade e fecundidade.

A periodicidade da pesquisa é decenal, excetuando-se os anos de 1910 e 1930, em que o levantamento foi suspenso, e 1990, quando a operação foi adiada para 1991. Sua abrangência geográfica é nacional, com resultados divulgados para Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, Mesorregiões, Microrregiões, Regiões Metropolitanas, Municípios, Distritos, Subdistritos e Setores Censitários.

Relato Histórico

O primeiro recenseamento da população do Brasil foi efetuado em 1808, visando atender especificamente a interesses militares, de recrutamento para as Forças Armadas, o que enseja suspeitas de que seus resultados tenham ficado aquém da realidade, seja em razão da natural prevenção do povo contra as operações censitárias, seja, principalmente, em razão de seus objetivos. Para efeito de registro histórico, em virtude de sua maior complexidade e, sobretudo, do controle a que foi submetida toda a operação, o recenseamento realizado em 1872, denominado Censo Geral do Império, é considerado o primeiro efetuado no País, como disposto no Decreto n. 4.856, de 30.12.1871, tendo sido conduzido pela Directoria-Geral de Estatística, posteriormente extinta em 1879. O recenseamento previsto para 1880 teve sua execução transferida para 1887, ficando, no entanto, apenas em projeto. Por meio do Decreto n. 113-d, de 02.01.1890, restaurou-se a Directoria-Geral de Estatística, fixando-se a data de 31 de dezembro de 1890 para a execução do I Censo da República. O II Censo Decenal da República teve início em 31 de dezembro de 1900, em todo o Território Nacional, contudo, em decorrência de problemas identificados na apuração dos dados da Cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, foi nomeada uma comissão para estudar a matéria, cujo parecer conclusivo se refletiu no cancelamento dos resultados correspondentes à cidade. Somente em 1906, com base legal estabelecida para essa finalidade, o Distrito Federal empreendeu nova pesquisa, concluída em fevereiro de 1907 e divulgada em volume especial. O III Censo Decenal da República, que deveria ocorrer em 31 de dezembro de 1910, foi transferido para 30 de junho do ano seguinte, sendo seus trabalhos definitivamente suspensos em virtude das condições especiais em que se encontrava o País, então profundamente agitado por perturbações de ordem política. O IV Censo Decenal brasileiro, realizado em 1o de setembro de 1920, visou abarcar não só a população, como também a situação econômica das localidades. Assim, a produção agrícola e industrial do País tornou-se objeto de meticuloso balanço. Considerando a periodicidade decenal dos censos brasileiros, prevista em lei, o V Recenseamento Geral do Brasil deveria ocorrer em 1930, contudo variados motivos, principalmente políticos, impossibilitaram sua realização nesse ano. Em 1940, após a radical transformação da estrutura dos serviços de estatística no País – criação do Conselho Nacional de Estatística - CNE e do Conselho Nacional de Geografia - CNG, que, juntos, passaram a integrar o IBGE por força do Decreto-Lei n. 218, de 26.01.1938 -, realizou-se, em 1o de setembro, o V Recenseamento Geral do Brasil, que correspondeu ao quinto censo da população; ao segundo censo da agricultura e da indústria; e ao primeiro levantamento do comércio, dos transportes e comunicações, bem como dos serviços. O VI Recenseamento Geral do Brasil, realizado em 1950, abarcou o Censo Demográfico, cuja data de referência foi fixada em 1o de julho, bem como os Censos Agrícola, Industrial, Comercial e dos Serviços, além de inquéritos especiais sobre transportes e comunicações. Este recenseamento integrou o Censo das Américas, patrocinado pelo Instituto Interamericano de Estadística - IASI, em atendimento a uma solicitação específica da Organização das Nações Unidas - ONU. O VII Recenseamento Geral do Brasil, levado a efeito em 1o de setembro de 1960, seguiu, também, as diretrizes básicas estabelecidas por aqueles organismos internacionais, de modo a assegurar a uniformidade dos conceitos e possibilitar a comparabilidade dos resultados censitários entre as nações americanas. Neste levantamento, foi empregada, pela primeira vez, a técnica da amostragem em um censo brasileiro. Integrado no Censo das Américas, o VIII Recenseamento Geral do Brasil, realizado em 1o de setembro de 1970, abrangeu o Censo Demográfico, bem como os Censos Predial, Agropecuário, Industrial, Comercial e dos Serviços, além de inquéritos especiais sobre as instituições de crédito e seguradoras, e de produção e distribuição de energia elétrica. Em 1o de setembro de 1980, o IBGE realizou o IX Recenseamento Geral do Brasil, que compreendeu, além do Censo Demográfico, os Censos Agropecuário, Industrial, Comercial e dos Serviços, e, a exemplo dos levantamentos anteriores, integrou-se ao Censo das Américas, conforme orientação da ONU. A pesquisa contou com avanços tecnológicos que permitiram apresentar inovações na sua execução e na divulgação dos resultados, os quais foram publicados, pela primeira vez, no mesmo ano de sua realização. Por razões orçamentárias, não houve Censo Demográfico em 1990, sendo o levantamento realizado em 1o de setembro do ano seguinte. Em relação aos anteriores, o Censo Demográfico 1991 apresentou inovações em variados aspectos técnicos, tecnológicos e operacionais, destacando-se, ainda, a instituição de parcerias (Comissões Censitárias Municipais - CCMs e Comissão Consultiva) que funcionavam como um elo entre o IBGE e a sociedade. O Censo Demográfico 2000, no qual foi retomada a realização da operação em anos terminados em zero, antecipou a data de referência da pesquisa, que era 1o de setembro, para 1o de agosto, e representou um salto qualitativo em múltiplos aspectos, sobretudo no que diz respeito à inovação tecnológica – começando pelo sistema que permitiu o acompanhamento da coleta; passando pela captura dos dados; chegando à automação dos processos de codificação, crítica e tabulação dos dados; e utilizando, de forma intensiva, as tecnologias digitais, de modo a levar a cada segmento de usuários as mídias mais apropriadas. Sua execução significou, ainda, a consolidação dos laços estatísticos entre os países do Mercosul Ampliado, que inclui, além do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, também Bolívia e Chile. O Censo Demográfico 2010, realizado em 1o de agosto, trouxe importantes transformações nos métodos de trabalho, permitindo ao IBGE oferecer aos seus usuários retratos cada vez mais interativos e especializados, e se caracterizou por relevantes aprimoramentos metodológicos e avanços tecnológicos. Em relação às parcerias, continuou-se a investir em seu aperfeiçoamento e fortalecimento, por meio das Comissões Censitárias Estaduais - CCEs e das Comissões Municipais de Geografia e Estatística - CMGEs, visando ampliar a integração entre o IBGE e as comunidades locais para obter cooperação e apoio logístico na execução das pesquisas e levantamentos institucionais.