Antônio Manuel
Na década de 1930 aparecem os primeiros sinais de declínio do secular fluxo migratório lusitano para o Brasil:

- entre 1929 e 1931 o total de imigrantes portugueses caiu de 38.779 para 8.152;

- em 1943 (epicentro da guerra mundial iniciada em 1939) foram registrados apenas 146 imigrantes.

Explicam a redução desse fluxo:

  • o estado geral da nação portuguesa no período, marcado pelo desenvolvimento industrial, queda na taxa de natalidade e envelhecimento da população;
  • a expansão do mercado de trabalho europeu e a crise econômica internacional (1929);
  • a política brasileira de proteção do mercado de trabalho nacional (entre 1929 e 1931);
  • a 2a Guerra Mundial e a suspensão de viagens atlânticas.

Entretanto, em fins da década de 1960 e início da de 1970, registrou-se a retomada dos movimentos migratórios: a comunidade lusitana local cresceu de 247 mil indivíduos para 410 mil.

As revoltas das colônias portuguesas na África, os conflitos políticos internos a Portugal e, no Brasil, as expectativas de trabalho abertas pelo "milagre econômico" explicam o aumento do fluxo de imigrantes no período.

Mas esses imigrantes não criaram raízes. O total de retornados esteve em torno de 90%, enquanto que no século XIX, não ultrapassou os 30%.

A imigração na agenda governamental do Brasil e de Portugal

As atitudes do governo brasileiro frente à imigração variaram de época para época:

- no século XIX, a imigração foi bem vista pelas autoridades brasileiras e, em alguns períodos, foram sancionadas leis nas quais a cidadania era concedida a todo europeu que a solicitasse.

- no início do século XX, a chegada de imigrantes em massa é vista com desconfiança. Temia-se a ação política de anarquistas e comunistas, assim como suspeitava-se que, através da emigração, os governantes europeus estivessem se livrando de delinquentes e criminosos. Em 1920, cresce o coro dos que vêem na imigração uma ameaça à nacionalidade, o que levou, na década de 1930, à tentativa de suspendê-la temporariamente.

Também Portugal, atribuindo aos fluxos de mão-de-obra para o exterior as razões do atraso português, tentou restringir a emigração, inclusive para o Brasil: aumentou o preço dos passaportes e desviou parte das correntes migratórias para as colônias africanas. Entretanto, estas medidas não tiveram sucesso, pois os anos posteriores às leis portuguesas são aqueles em que esse fenômeno conheceu seu apogeu.

Fim do período migratório e imigração de retorno

Nos anos 1981-1991, surgiu um quadro inteiramente novo. A integração européia reforçou os laços econômicos continentais portugueses, enquanto o declínio dos índices de fecundidade intensificou o processo de envelhecimento da população lusitana, diminuindo ainda mais os candidatos à emigração.

No Brasil, por sua vez, começam a ser registradas importantes mudanças. O país, vítima da crise econômica, perde importância enquanto recebedor de imigrantes, passando a "produzir" emigrantes, cujo número, na década de 1990, alcança a casa de um milhão e quinhentos mil indivíduos.

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