Os imigrantes e seus descendentes mantiveram uma forte ligação com a cultura e a sociedade de origem, apesar das pressões no sentido de sua integração à vida nacional.

De fato, com uma identidade étnica bem definida, os alemães, como os outros grupos de imigrantes, também foram assimilados e aculturados pela sociedade local.

Entre eles, pouco a pouco, os traços de germanidade tornaram-se mais débeis. A língua alemã passou a ser falada menos em público. Diminuíram também as atividades das sociedades e clubes recreativos. A educação passou a ser feita na língua portuguesa. Em certos meios, ser alemão passou a assumir uma conotação inferior, de negação ou de exclusão.

A escola

Um dos exemplos mais significativos de resistência cultural foi a criação e a manutenção de escolas alemãs vinculadas a comunidades evangélicas e católicas nas colônias.

Tendo os imigrantes vivido isolados durante algumas décadas, as primeiras escolas e igrejas foram organizadas por eles mesmos.

Em torno da escola, como também da igreja e de associações, o apego às tradições e a preservação de elementos culturais se estendeu a diversas gerações, persistindo mais ou menos até os dias atuais. Pode-se afirmar que alguns dos elementos de preservação e difusão da língua, identidade e cultura alemãs por parte dos imigrantes e descendentes, referem-se à escola comunitária, à imprensa, à ênfase no associativismo, na organização das comunidades religiosas, dentre outros.

Estatística das Escolas Alemães no Brasil - 1931
Estado Evangélica Católica Mista Total
  Escolas Alunos Escolas Alunos Escolas Alunos Escolas Alunos
RS 549 18.938 362 16.666 41 1474 952 37.078
SC 116 4.874 80 4.920 82 3.052 297 12.346
PR 10 309 7 1.142 17 731 34 2.182
SP 6 295 2 609 21 2.261 29 3.165
RJ 1 30(*) - - 4 400(*) 5 430(*)
ES 21 705 - - 1 12 22 717
MG 2 76 - - - - 2 76
BA - - - - 2 67 2 67
PE - - - - 1 20(*) 1 20(*)
GO - - - - 1 15(*) 1 15(*)
Total 705 25.227 451 23.337 169 8.032 1345 56.596
Fonte: Mauch, Claudia, Vasconcelos, Naira(Org.). Os alemães no sul do Brasil: cultura, etnicidade e história. Canoas: Ed. Ulbra, 1994. p.157.
(*) Totais sem confirmação

De uma forma geral, o governo imperial e os governos das províncias não se preocuparam com a educação nas colônias. Assim, as escolas surgiram, sobretudo, para evitar o problema do analfabetismo.

Inicialmente, eles próprios tomaram a iniciativa de estabelecer escolas comunitárias e depois particulares, que, com o tempo, se transformaram em "escolas étnicas". Os professores dessas escolas, a princípio, eram pessoas da colônia, mas com o desenvolvimento destas, vieram os religiosos, que, muitas vezes, se dedicavam, também, ao ensino. Da Alemanha vieram professores contratados pelos colonizadores para ensinar a ler, escrever e contar e para transmitir valores comunitários e culturais, mantendo assim costumes e tradições.

Por conseqüência, milhares de descendentes de imigrantes foram instruídos na língua alemã sem o conhecimento da língua oficial brasileira.

Aos poucos, o ensino da língua alemã acabou por estimular o crescimento de publicações de obras literárias e poéticas, de jornais, de revistas e de almanaques e de sua divulgação, tanto para o interior dos núcleos coloniais quanto para outras províncias, num período que se estendeu até 1939.

O resultado deste processo pode resumir-se no "teuto-brasileiro".

A capela

Assim como a escola, as capelas tiveram grande importância na vida dos imigrantes e descendentes alemães, pois serviam ao mesmo tempo como um local de culto, escola e salão de festas. Esta organização em torno da capela remete a outro aspecto semelhante, desempenhado pelas associações assistenciais e recreativas. Eram atividades de lazer e, ao mesmo tempo, um lugar de preservação de costumes e hábitos dos imigrantes que, aos poucos, foram sendo assimilados pelos brasileiros.

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