Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios - PNAD 2004

Situação educacional

O confronto dos resultados regionais mostrou as sensíveis diferenças regionais existentes na situação educacional do País. No País, 8,9% do contingente de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade não estavam freqüentando escola em 2004. Esse indicador variou de 6,7%, na Região Sudeste, a 12,9%, na Norte.

No grupo de 7 a 14 anos de idade, que corresponde às idades em que as crianças deveriam estar cursando o ensino fundamental, a parcela que não estava na escola era de 2,9%. O menor resultado desse indicador foi o da Região Sudeste (1,9%), vindo em seguida o da Região Sul (2,2%). No outro extremo, a Região Norte tinha fora da escola 5,1% do grupo etário de 7 a 14 anos e a Região Nordeste, 3,9%. Esse indicador da Região Centro-Oeste situou-se em 2,8%.

A rede pública de ensino atendia à grande maioria dos estudantes de 5 anos ou mais de idade (80,9%), entretanto, a cobertura era nitidamente diferenciada em função do nível de ensino. Freqüentavam escola pública 26,1% dos estudantes do ensino superior, 85,0% do médio, 89,0% do fundamental e 75,7% do pré-escolar.

Em termos regionais, as maiores diferenças na proporção de estudantes em escola da rede pública ocorreram no ensino superior. Enquanto na Região Sudeste 18,6% dos estudantes do ensino superior freqüentavam escola pública, na Norte eram 46,0%. A Região Norte ainda apresentou a mais alta proporção desse indicador nos ensinos médio (90,8%) e fundamental (92,9%), enquanto a Região Sul deteve o maior percentual de estudantes em escola da rede pública no ensino pré-escolar (79,8%).

No País, a taxa de analfabetismo das pessoas de 10 anos ou mais de idade situou-se em 10,5% e a das pessoas de 15 anos ou mais de idade, em 11,4%. Na faixa etária de 10 a 14 anos de idade, em que se espera que a criança esteja pelo menos alfabetizada, a taxa de analfabetismo ficou em 3,8%. Esses dois indicadores apresentaram diferenças regionais acentuadas. As taxas de analfabetismo do contingente de 10 a 14 anos de idade das Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste ficaram abaixo de 1,5%, enquanto as das Regiões Norte e Nordeste alcançaram, respectivamente, 5,9% e 8,0%. No contingente de 10 anos ou mais de idade, as diferenças regionais foram mais
acentuadas, refletindo a evolução diferenciada dos níveis de escolarização regionais. Esse indicador variou de 5,7%, na Região Sul, a 20,6%, na Região Nordeste.

Em decorrência das diferenças nos níveis de escolarização dos dois gêneros, ainda havia nítido distanciamento entre as taxas de analfabetismo dos meninos e das meninas de 10 a 14 anos de idade. No País, essa taxa foi de 5,2%, para os meninos e 2,4%, para as meninas. No contingente de 10 anos ou mais de idade, as taxas de analfabetismo masculina e feminina estavam mais próximas em decorrência de, nas idades mais avançadas, o analfabetismo feminino superar o masculino. Esse indicador foi de 10,8% para os homens e 10,2% para as mulheres. Nas Regiões Sudeste e Sul, a influência do analfabetismo das mulheres mais idosas fez com que as taxas de analfabetismo feminino nas faixas etárias de 10 anos ou mais e de 15 anos ou mais de idade ainda suplantassem as masculinas.

Na população de 10 anos ou mais de idade, a proporção dos que alcançaram pelo menos 11 anos de estudo (ou seja, que concluíram pelo menos o ensino médio ou equivalente) ficou em 26,0%. Refletindo a maior escolarização das mulheres, esse indicador correspondente ao contingente feminino foi de 27,7%, situando-se 3,6 pontos percentuais acima do referente à população masculina. Ademais, a disparidade entre o nível de instrução dos dois gêneros mostrou-se mais acentuada na população ocupada. No grupamento das mulheres ocupadas, 40,0% tinham 11 anos ou mais de estudo, ficando 10,8 pontos percentuais acima do indicador referente aos homens. Na população masculina, a diferença, em pontos percentuais, entre esse indicador do total da população de 10 anos ou mais de idade e o da população ocupada foi de 5,1 enquanto na feminina alcançou 12,3. Essa diferença acentuada entre os resultados dos dois indicadores da população feminina é um indicativo de que o interesse feminino em ingressar no mercado de trabalho aumenta com a elevação no nível de instrução.

Tanto no total da população de 10 anos ou mais de idade como na população ocupada, o nível de instrução das mulheres, medido em número médio de anos de estudo, foi mais alto que o dos homens. Entretanto, a comparação por faixa etária permitiu ainda perceber que, nas idades mais elevadas, o nível de instrução dos homens era maior que o das mulheres, refletindo ainda os efeitos de uma época em que a educação feminina era menos valorizada.

 
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