Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios - PNAD 2004

Composição e mobilidade populacional

A transformação da estrutura etária do País de uma composição jovem para envelhecida, reflete os efeitos da redução da taxa de fecundidade, iniciada em meados da década de 1960, e da queda da mortalidade. Ademais, as estruturas etárias regionais retratam não só os efeitos diferenciados da redução da fecundidade e da mortalidade, como, também, de distintos fluxos migratórios.

Em 2004, a taxa de fecundidade do País estava em 2,1 nascimentos por mulher. A Região Norte apresentou o mais alto valor deste indicador (2,8), que ficou distanciado dos referentes às demais. A região que apresentou a mais baixa taxa de fecundidade foi a Sul (1,9), vindo logo em seguida, as da Sudeste (2,0) e Centro-Oeste (2,1). Na Região Nordeste esta taxa situou-se em 2,3.

As Regiões Sudeste e Sul apresentaram as estruturas etárias mais envelhecidas e a Norte, a mais jovem. A Nordeste, refletindo seu nível de fecundidade, inferior apenas ao da Região Norte, deteve a segunda maior participação de crianças de menos de 5 anos de idade e, devido ao seu histórico processo de emigração, apresentou a terceira maior participação de idosos de 60 anos ou mais de idade, mais próxima às das Regiões Sudeste e Sul.

No País, o número de idosos de 60 anos ou mais de idade superava o de crianças de menos de 5 anos de idade em 17,9%. Nas Regiões Sul e Sudeste esse percentual ficou em cerca de 47%. Nas demais regiões, o grupo etário desses idosos ainda era menor do que o dessas crianças. Entretanto, na Região Nordeste, esses dois contingentes já apresentavam números próximos (para cada 1 000 crianças de menos de 5 anos de idade havia 995 idosos de 60 anos ou mais de idade). Por outro lado, na Região Norte, o número de idosos era muito inferior ao das crianças do primeiro grupo qüinqüenal (para cada 1 000 crianças deste grupo havia 564 idosos).

A diferença entre as taxas de mortalidade por gênero evidencia-se no número maior de mulheres na composição da população. No total da população do País, a parcela feminina superava a masculina em 5,3%, enquanto, dentre os idosos, este percentual atingia a 27,3%.

As pessoas brancas representavam 51,4% da população do País e as pardas, 42,1,%. Em termos regionais, a composição por cor ou raça é bastante diferenciada, refletindo a origem das várias correntes migratórias que se distribuíram de formas diversas no Território Nacional. As pessoas brancas constituíam 61,2% da população da Região Sudeste, sendo esta proporção inferior, apenas, à da Região Sul (82,8%). As pessoas de cor parda predominavam nas Regiões Norte (71,4%), Nordeste (63,6%) e Centro-Oeste (51,2%).

Como resultado dos movimentos migratórios, as pessoas não-naturais do município de residência representavam 39,8% da população do País e as não-naturais da Unidade da Federação de moradia, 16,2%. Em termos regionais, a composição da Região Nordeste mostrou os efeitos das saídas históricas de sua população em busca de condições de vida melhores em outras áreas do País, e as das Regiões Centro-Oeste e Norte, os reflexos das correntes migratórias que receberam nas últimas décadas. A proporção de pessoas não-naturais da Unidade da Federação de residência ficou em apenas 7,6%, na Região Nordeste, situou-se em 23,2% na Norte e atingiu 36,3% na Centro-Oeste.

Os migrantes apresentam estrutura etária mais envelhecida em decorrência de as levas migratórias apresentarem maior concentração em pessoas adultas que se deslocam, principalmente, em busca de melhores oportunidades de trabalho. Com o aumento da faixa de idade, verificou-se progressivo crescimento na proporção de migrantes.

 
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