Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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Geodésia

FAQ

(Frequently Asked Questions - Perguntas Mais Freqüentes)

Abaixo você encontra perguntas e respostas selecionadas sobre a mudança do referencial geodésico. Caso você tenha outra dúvida ou queira mais esclarecimentos sobre um assunto relativo à mudança do referencial geodésico, clique aqui para nos enviar uma mensagem.

1. O que é um sistema geodésico de referência? Para que serve na prática?

2. Qual o sistema geodésico de referência em uso hoje no Brasil?

3. Quais as diferenças entre os referenciais Córrego Alegre (CA), SAD69 e o SIRGAS2000?

4. Que tipo de problema a coexistência de mais de um sistema pode causa causar?

5. É verdade que o país terá apenas um sistema de referência oficial?

6. Até quando a mudança para o SIRGAS2000 deve estar completa?

7. Para quem a adoção do sistema único é obrigatória?

8. Enquanto o prazo para a mudança não se encerra, em que sistema deverão ser feitos os novos mapeamentos?

9. O que ocorre com quem continua trabalhando com os sistemas geodésicos antigos?

10. Por que deve ser realizada a migração para o SIRGAS2000 dos produtos cartográficos e geodésicos referenciados aos sistemas geodésicos antigos?

11. Na prática, quais são as vantagens da adoção do SIRGAS2000 em relação aos demais sistemas de referência utilizados anteriormente?

12. Quando eu altero o sistema geodésico de referência o que acontece?

13. Os mapas mudaram com a adoção do SIRGAS2000?

14. Quais ferramentas posso utilizar para realizar a conversão para o SIRGAS2000? A que custo?



TRANSFORMAÇÃO DE COORDENADAS

15. Existem parâmetros de transformação entre WGS 84 e SIRGAS2000?

16. Os resultados do meu trabalho devem ser em WGS 84. Posso continuar usando os parâmetros SAD 69/WGS 84 publicados na Resolução da Presidência do IBGE n° 23, de 21/02/89 (R.PR 23/89)?

17. Por que quando comparo as coordenadas de uma estação geodésica obtidas no banco de dados do IBGE com as mesmas coordenadas transformadas no programa ProGriD obtenho resultados diferentes?

18. Por que as coordenadas precisam ser referenciadas a uma época?




1. O que é um sistema geodésico de referência? Para que serve na prática?

Sistema de referência composto por uma figura geométrica representativa da superfície terrestre, posicionada no espaço, permitindo a localização única de cada ponto da superfície em função de suas coordenadas tridimensionais, e materializado por uma rede de estações geodésicas. Coordenadas, como latitude, longitude e altitude, necessitam de um sistema geodésico de referência para sua determinação.
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2. Qual o sistema geodésico de referência em uso hoje no Brasil?

Desde 25 de fevereiro de 2015, o SIRGAS2000 (Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas) é o único sistema geodésico de referência oficialmente adotado no Brasil. Entre 25 de fevereiro de 2005 e 25 de fevereiro de 2015, admitia-se o uso, além do SIRGAS2000, dos referenciais SAD 69 (South American Datum 1969) e Córrego Alegre. O emprego de outros sistemas que não possuam respaldo em lei, pode provocar inconsistências e imprecisões na combinação de diferentes bases de dados georreferenciadas.
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3. Quais as diferenças entre os referenciais Córrego Alegre (CA), SAD 69 e o SIRGAS2000?

São sistemas de concepção diferente. Enquanto a definição/orientação do CA/SAD69 é topocêntrica, ou seja, o ponto de origem e orientação está na superfície terrestre, a definição/orientação do SIRGAS2000 é geocêntrica. Isto significa que esse sistema adota um referencial que tem a origem dos seus três eixos cartesianos localizada no centro de massa da Terra. Além disso, as redes de referência que materializam esses sistemas foram determinadas com técnicas de posicionamento diferentes. Enquanto que no caso do CA e SAD 69 foram utilizadas basicamente técnicas clássicas (triangulação e poligonação), no SIRGAS2000 foram empregados os sistemas globais de navegação (posicionamento) por satélites - GNSS.
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4. Que tipo de problema a coexistência de mais de um sistema pode causa causar?

A dificuldade em compatibilizar as informações geográficas de várias origens. Por exemplo, para a análise do impacto ambiental da construção de uma hidrelétrica, várias informações sobre o ecossistema da região precisam ser avaliadas: fauna, flora, área rural e urbana, rodovias, rios etc. para a nálise do impacto ambiental, todas essas características devem ser reunidas para construir um sistema geográfico de informações e, para que isso seja feito sem problemas, elas deverão estar num mesmo sistema de referência. Os dados fornecidos pelo SAD69 e pelo SIRGAS2000 não são compatíveis entre si, ou seja, não podem ser inseridos num mesmo mapa. Há um deslocamento espacial entre as coordenadas determinadas pelos dois sistemas (variável, dependendo do local onde se está). A distância média para o mesmo ponto em SAD69 e SIRGAS2000 é algo em torno de 65 metros.
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5. É verdade que o país terá apenas um sistema de referência oficial?

Sim. Depois de passado o período de transição, o SIRGAS2000 será o único sistema geodésico de referência legalizado no país. Ele é a nova base para o Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) e para o Sistema Cartográfico Nacional (SCN).
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6. Até quando a mudança para o SIRGAS2000 deve estar completa?

Até 2014.
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7. Para quem a adoção do sistema único é obrigatória?

Para qualquer um que necessite receber ou fornecer informações espaciais em escalas relevantes de e para o governo e de e para as instituições produtoras de cartografia no Brasil Resumindo, para todos os que fazem uso ou produzem informações geográficas.
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8. Enquanto o prazo para a mudança não se encerra, em que sistema deverão ser feitos os novos mapeamentos?

Em SIRGAS2000.
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9. O que ocorre com quem continua trabalhando com os sistemas geodésicos antigos?

Não poderá, por exemplo, requisitar uma revisão de limites numa propriedade, fazer qualquer tipo de questionamento legal utilizando o sistema antigo, nem fornecer/receber dados das concessionárias de serviços públicos para recebimento ou prestação de serviços.
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10. Por que deve ser realizada a migração para o SIRGAS2000 dos produtos cartográficos e geodésicos referenciados aos sistemas geodésicos antigos?

Para compatibilização das informações geográficas, facilitando, assim, o intercâmbio dessas informações por todos, inclusive entre o Brasil e os demais países que utilizam sistemas compatíveis com o SIRGAS2000.
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11. Na prática, quais são as vantagens da adoção do SIRGAS2000 em relação aos demais sistemas de referência utilizados anteriormente?

Adotando-se o referencial geocêntrico, é possível fazer uso direto da tecnologia GNSS (Global Navigation Satellite Systems, ou Sistemas Globais de Navegação por Satélites), importante ferramenta para a atualização de mapas, nas obras e atividades de infraestrutura no país, controle de frota de empresas transportadoras, navegação aérea, marítima e terrestre em tempo real. O SIRGAS2000 permite o alcance de uma maior precisão no mapeamento do território brasileiro e, consequentemente, no seu ordenamento, bem como na demarcação de suas fronteiras. Além disso, a adoção desse sistema na América Latina tem contribuído para o fim de uma série de problemas de discrepância entre as coordenadas obtidas com o uso dos sistemas GNSS (especialmente GPS e GLONASS nos dias de hoje) e aquelas extraídas dos mapas utilizados anteriormente no continente.


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12. Quando eu altero o sistema geodésico de referência o que acontece?

As coordenadas que representam a posição dos objetos sofrem alterações correspondentes. Por exemplo, se os sistemas envolvidos forem o SAD 69 e o SIRGAS2000, estas alterações são, em média, da ordem de 65 m.
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13. Os mapas mudaram com a adoção do SIRGAS2000?

Alguns sim. A mudança não é perceptível em mapas de escala muito pequena, como os murais, nos quais 1 cm equivale a 5 km no terreno. Mas em mapas de escalas maiores, como folhas topográficas e mapeamento cadastral, a diferença nas coordenadas é relevante, conforme exemplificado na resposta à pergunta 12.
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14. Quais ferramentas posso utilizar para realizar a conversão para o SIRGAS2000? A que custo?

Estão disponíveis gratuitamente no sítio web do IBGE arquivos, programas e serviços que auxiliam na conversão entre referenciais, tais como: coordenadas SIRGAS2000 das estações da rede planimétrica do Sistema Geodésico Brasileiro, programa de transformação de coordenadas ProGriD, serviço de Posicionamento por Ponto Preciso (IBGE-PPP), etc.
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TRANSFORMAÇÃO DE COORDENADAS

15. Existem parâmetros de transformação entre WGS 84 e SIRGAS2000?

Atualmente não existem parâmetros de transformação entre SIRGAS2000 e WGS 84 porque eles são praticamente iguais, ou seja, DX = 0, DY = 0 e DZ = 0. Desde o estabelecimento do sistema GPS (Global Positioning System), o seu Sistema Geodésico de Referência (WGS 84) já passou por três refinamentos. Nestas três atualizações o objetivo sempre foi aproximá-lo ao ITRF (International Terrestrial Reference Frame), materialização mais precisa do ITRS (International Terrestrial Reference System), desenvolvida pelo IERS (International Earth Rotation and Reference Systems Service). A mais recente atualização recebeu a denominação de WGS 84 (G1150), adotada no Sistema GPS a partir de 20 de janeiro de 2002. Os parâmetros de transformação WGS 84/SAD 69, divulgados através da Resolução do Presidente do IBGE n° 23, de 21/02/89 (R.PR 23/89), permanecem válidos para transformar coordenadas determinadas por posicionamentos GPS realizados no período de 01/01/1987 a 01/01/1994 - quando a versão correspondente do WGS 84 se denominava WGS 84 (Doppler).

Parâmetros WGS 84 (Doppler) para SAD69:
DX = +66,87 m
DY = -4,37 m
DZ = +38,52 m

Os parâmetros SAD 69/SIRGAS2000 utilizados no ProGriD (opção: SAD 69 Técnica Doppler ou GPS) e divulgados através da Resolução do Presidente do IBGE n° 1, de 25/02/2005 (R.PR 01/05), são válidos para transformar coordenadas entre SAD 69/WGS 84 e SAD 69/SIRGAS2000 determinadas por posicionamentos GNSS realizados após 01/01/1994.

SAD 69 para SIRGAS2000 (≡ WGS 84 (G1150)):
DX = -67,35 m
DY = +3,88 m
DZ = -38,22 m
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Os resultados do meu trabalho devem ser em WGS 84. Posso continuar usando os parâmetros SAD 69/WGS 84 publicados na Resolução da Presidência do IBGE n° 23, de 21/02/89 (R.PR 23/89)?

Antes de tudo, com o término do período de transição para SIRGAS2000, em 25 de fevereiro de 2015, os resultados de qualquer trabalho devem ser referidos exclusivamente a este sistema. Por outro lado, tendo em vista o exposto na resposta à pergunta 15, o WGS 84 atualmente pode ser considerado, para fins práticos, coincidente com o SIRGAS2000. Portanto, basta o usuário referir seus resultados ao SIRGAS2000 que, automaticamente, produzirá resultados em WGS 84 (e vice-versa). Conforme a resposta à pergunta 15, os parâmetros SAD 69/WGS 84, publicados na R.PR 23/89, devem ser utilizados apenas no caso do trabalho ter sido executado antes de 1º de janeiro de 1994).
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17. Por que quando comparo as coordenadas de uma estação geodésica obtidas no banco de dados do IBGE com as mesmas coordenadas transformadas no programa ProGriD obtenho resultados diferentes?

As coordenadas disponibilizadas nos relatórios da estação geodésica não foram obtidas através de parâmetros de transformação, e sim através de ajustamentos de observações. As coordenadas em SIRGAS2000 vieram de um ajustamento realizado em 2006. Ainda que, no desenvolvimento do ProGriD, tenham sido empregadas técnicas avançadas de modelagem de distorções em redes geodésicas, as transformações utilizando-se este programa sempre apresentam pequenos resíduos em relação às coordenadas ajustadas SIRGAS2000. Estes pequenos resíduos correspondem exatamente às pequenas diferenças detectadas quando comparamos as coordenadas transformadas pelo programa com aquelas existentes no relatório da estação geodésica.
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18. Por que as coordenadas precisam ser referenciadas a uma época?

Com a grande evolução das técnicas de posicionamento geodésico observada nas últimas décadas, especialmente após o advento dos sistemas GNSS, pode-se dizer que a precisão de determinação de coordenadas melhorou em até três ordens de grandeza. Por exemplo, atualmente as coordenadas das estações da Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo dos Sistemas GNSS (RBMC) são determinadas com precisão milimétrica. Com este nível de precisão, diversos fenômenos associados a movimentos da crosta terrestre, antes imperceptíveis, passam a ser claramente detectáveis. No caso do Brasil, o fenômeno que mais contribui para a alteração das coordenadas planimétricas (latitude e longitude) é o movimento da placa tectônica da América do Sul, responsável por um deslocamento de todo o território para noroeste em um pouco mais de 1 cm por ano. Esta variação anual evidenciou a necessidade de se associar uma época de referência às coordenadas de estações geodésicas determinadas com precisão milimétrica (ou centimétrica). No caso do sistema geodésico oficial do país, SIRGAS2000, escolheu-se 2000,4 para a época de referência, uma vez corresponder ao período da campanha SIRGAS realizada em 2000 (i.e., em maio daquele ano), quando 184 estações GPS foram observadas em todas as Américas e Caribe com o objetivo de materialização do novo sistema.
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