IBGE
Apresentação

Em 2009 estaremos celebrando o centenário do nascimento de JOÃO LYRA MADEIRA, um mestre extraordinário da demografia brasileira. Esse evento precisa ser lembrado com exaltação, e o faremos a contento, desde agora.

A razão de estarmos antecipando esta celebração, divulgando esta publicação, é nos unirmos à Associação Brasileira de Estudos Populacionais – ABEP, em seu XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, a se dar este ano, setembro/outubro, em Caxambu, Minas Gerais, quando, em sessão solene ABEP / IBGE, ela estará lembrando seu primeiro presidente (escolhido em outubro de 1977), o grande mestre. Será um grande momento, sem dúvida alguma, ao qual não poderíamos deixar de emprestar nosso apoio, em mais um passo no saudável convívio que vimos tendo ao longo do tempo.

No IBGE, atuou como membro do Conselho Nacional de Estatística, um dos seus colégios máximos. E muito em especial, o ter sido membro da Comissão Themistocles Cavalcanti que sopesou as acusações do General Polli Coelho, sucessor de Macedo Soares, quanto à qualidade das estatísticas brasileiras. Atuou, então, ao lado de Jessé Montello e de Lourenço Filho, tendo papel-chave na saída de Polli Coelho, e na ulterior recuperação da imagem do IBGE. Em seqüência, foi um dos fundadores da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, idealizada por Lourival Câmara (1955), e seu professor. De meados dos anos 1950 a meados dos anos 1960 atuou nos grupos de trabalho que lutaram pela reforma do estatuto jurídico do IBGE, o que se deu em fevereiro de 1967.

Em novembro de 1967, no contexto dessa mudança do estatuto jurídico do IBGE, entrou para seus quadros, idealizando e dirigindo (até sua morte) o Centro Brasileiro de Estudos Demográficos – CBED. Ao Centro cabia realizar estudos, pesquisas e trabalhos científicos sobre aspectos quantitativos e qualitativos da população, bem como elaborar trabalhos que contribuíssem para diagnosticar a situação demográfica brasileira em seus aspectos estruturais, dinâmicos e espaciais. Entre suas várias ações, coube ao CBED (em agosto de 1971) assumir as tarefas de coleta, de apuração e de divulgação do Registro Civil, até então afetas ao serviço de estatística do Ministério da Justiça; a primeira divulgação de resultados aconteceria em 1974, e não mais sofreria interrupção.

Em 1979, quando de sua morte, o IBGE dedicou-lhe um número especial da Revista Brasileira de Estatística, organizado por Lucinda Silva, uma de suas discípulas. Justa homenagem, a ele que publicara na referida revista um sem-número de estudos; estes textos, aliás, compõem este CD-ROM (sendo que quatro deles estão adiante em fac-símile). Afora aquele fac-símile, e o CD-ROM, completam esta publicação dois textos que refletem a personalidade e a contribuição demográfica do grande mestre: um, elaborado por Valéria da Motta Leite, e outro, por Luiz Antônio Pinto de Oliveira, discípulos do grande mestre. Ao final há um caderno de imagens, ilustrando sua trajetória na instituição, utilizando o acervo do IBGE, em sua Memória Institucional.