O estilo poético nordestino é rico em folclores, lendas e valores regionais. Encontra-se principalmente associado à música, com destaque para os violeiros.
A partir da viola se desenvolvem os desafios, emboladas, repentes, cantorias, um sem-fim de ritmos e estilos próprios dos cantadores da região.
A cantoria, por exemplo, consiste em um improviso, em tom de desafio, entre repentistas. Seu primeiro representante é Romano do Teixeira, da Serra do Teixeira, no estado da Paraíba, ainda no século XIX.
Antônio Alves da Silva, o Patativa do Assaré, do Ceará, é emblema da poesia popular nordestina. O apelido se refere a uma ave do sertão, a patativa, e à cidade perto da qual o poeta nasceu. Patativa faleceu em 2002, mas ficaram seus versos, falando sobre o sofrimento do povo. Seu estilo possui um acento social e muitas vezes satírico. Assim como a maioria dos poetas regionais, Patativa do Assaré nunca chegou a freqüentar escola e sempre compôs de memória. Desprezava a gramática – para ele, "uma grande besteira", preferindo o registro das coisas como são ditas e ouvidas. Assim falava Patativa, criticando o aparelho de televisão:
Presente Disagradável
"Toda vez que eu ligo ele
No chafurdo das novela
Vejo logo os papo é feio
Vejo o maior tumaré
Com a briga das mulhé
Querendo os marido alheio
Do que adianta ter fama?
Ter curso de Faculdade?
Mode apresentar programa
Com tanta imoralidade !"
As poesias regionais do Nordeste geralmente são encontradas no formato de libretos de cordel. A poesia de cordel recebe este nome por causa de uma velha tradição em Portugal. No século XVII, era comum os folhetos fossem colocados à venda pendurados em um barbante, presos por pregadores de roupa. Barbante, corda, cordel – os cantadores e repentistas nordestinos adotaram este costume, pendurando seus versos e popularizando o que é hoje um dos principais símbolos da cultura popular brasileira.