As mulheres foram participantes ativas do Fórum Social Mundial 2002, em Porto Alegre. Entre outras atividades, foram realizadas cerca de 100 oficinas propostas por mulheres, além de conferências e seminários.
Destacou-se a conferência "Cultura da violência, violência doméstica", organizada pela rede da Marcha Mundial das Mulheres. Como representantes da Marcha, estavam presentes Sashi Sail (Índia), Suzi Rujtman (França) e Diane Matte (Canadá).
O debatedor foi o psicanalista Jurandir Freire Costa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele ressaltou que a cultura da violência é um valor que vem sendo repassado ao longo dos tempos, e muitas pessoas nem têm consciência de como isto ocorre. Os padrões culturais mantidos até hoje contam um pouco desta história de violência justificada ou ignorada. O caminho apontado pelo psicanalista é uma ação crítica contra as bases do consenso moral.
Fátima Mello, representante da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), foi a responsável pela coordenação dos trabalhos. Ela lembrou da violência contra as mulheres afegãs e das estatísticas alarmantes: de 20% a 50% das mulheres no mundo já foram vítimas de assalto; uma em cada dez já foi estuprada; 30 milhões já foram mutiladas em todo o planeta.
As críticas recaíram também sobre a combinação da estrutura patriarcal com a economia capitalista neoliberal. Por um lado, o patriarcado impõe papéis desiguais a homem e mulher; em contrapartida, o sistema neoliberal impõe a divisão do trabalho também desigual entre os sexos.
A conferência teve como resultado algumas propostas de nível mundial, versando sobre a proibição da prática de todas as formas de violência (entendida como abuso de poder), e cobrando das autoridades a aplicação efetiva das leis. Com isto, busca-se punir os responsáveis por agressões contra as mulheres. Para 2003, foi criado um projeto de tribunal internacional da violência contra as mulheres.
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