São feitas muitas análises sobre as causas e conseqüências da migração. Uma delas é a que foi realizada no núcleo de estudos populacionais da Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (CODEPLAN). Nesse estudo, percebe-se os efeitos da migração sobre o comportamento reprodutivo da mulher.
Pesquisando migrantes no Distrito Federal, de 1960 a 1991, foi encontrada uma relação entre movimento migratório e fecundidade, constatando-se a diminuição do número de filhos naquelas mulheres.
Em 1980, por exemplo, de acordo com a pesquisa, a mulher nordestina que continuou em seu lugar de origem teve 6,60 filhos, em média, enquanto a migrante no DF teve 5,66 filhos, no mesmo período. Em 1991, essas taxas tiveram queda de 5,54 e 4,30 filhos, respectivamente.
Ainda de acordo com o trabalho, as razões para essa baixa na reprodução se constituem nas seguintes: ruptura dos padrões de origem, superação do stress por causa da mudança, a existência de uma fase adaptativa ao novo lugar, além, é claro, da adaptação aos padrões do novo local de moradia, no caso, o DF.
A migração também pode, ainda que involuntariamente, influir na qualidade de vida de uma cidade. Pelo menos é o que nos mostra artigo publicado no Estado de São Paulo, do dia 15/03/98, caderno cidade. Título: Caçapava enfrenta efeitos da migração.
Conforme informação do texto, a cidade de Caçapava, no Vale do Paraíba, não registrava índice de miseráveis, até que, em meados dos anos 80, esse quadro começou a mudar, piorando consideravelmente a partir de 1991. Neste período, 20,8% da população tinham renda per capita inferior a meio salário mínimo, sendo que 2,4% sequer possuíam um rendimento mensal e 6,28% recebiam até um quarto do mínimo.
Dois anos depois, ou seja, em 1993, a indigência chegava a 10,1% da população local, composta de 70 mil habitantes. Um recorde na região.
Próxima a grandes pólos de atração de migrantes, como São José dos Campos
e Taubaté, boa parte deles acabou procurando em Caçapava um refúgio, o que
veio a prejudicar os serviços sociais da cidade, com o aumento dos níveis
de pobreza.