Existem pessoas que levantam a bandeira da nossa língua nacional e a defendem com unhas e dentes da invasão de palavras de outras línguas, os estrangeirismos. Esta discussão é antiga mas não perde a atualidade, principalmente em dias de Internet e computadores a mil. A linguagem da informática é praticamente toda em inglês e muitas das palavras, embora tenham equivalentes em português, são utilizadas no original. Basta prestar atenção no seu computador agora: você usa um mouse, está visitando nossa home-page no site do IBGE. Agora mesmo está na página do IBGE Teen, com links para um sem-número de outros sites, que você visualiza através de um browser, que nada mais é do que um software de navegação.
Agora tente "traduzir" o texto acima. Veja como é estranho chamar um mouse de rato, site de sítio e links de ligações. Em Portugal, as pessoas já se acostumaram e usam os termos em português tranqüilamente. No Brasil, se estas palavras ainda soam esquisitas, você pode começar pelas mais comuns: home-page pode ser substituída por página, browser por navegador, software por programa.
E você, também acha que o Brasil deveria valorizar mais sua língua? Pense nisto e leia o poema do português Jorge de Sena:
Noções de linguística
Ouço os meus filhos a falar inglês
entre eles. Não os mais pequenos só
mas os maiores também e conversando
com os mais pequenos. Não nasceram cá,
e todos cresceram tendo nos ouvidos
o português. Mas em inglês conversam,
não apenas serão americanos: dissolveram-se,
dissolvem-se num mar que não é deles.
Venham falar-me dos mistérios da poesia,
das tradições de uma linguagem, de uma raça,
daquilo que se não diz com menos que a experiência
de um povo e de uma língua. Bestas.
As línguas, que duram séculos e mesmo sobrevivem
esquecidas noutras, morrem todos os dias
na gaguez daqueles que as herdaram.
(Exorcismos, 1972)