A mulher de D. Pedro I, Carolina Josepha Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, mais tarde Imperatriz do Brasil, aparece muito pouco na maioria dos livros de história. Sabemos que ela apoiava as atitudes do marido e que lhe escrevia cartas na sua ausência narrando os acontecimentos que antecederam à independência.

    Pesquisando um pouco mais, é possível saber que essa jovem - quando veio da Áustria, em 1817, para casar com D. Pedro, tinha 19 anos apenas - participou silenciosamente mas com muita influência em todo o processo.

    Descendente dos Habsburgo, o pai era chefe da Santa Aliança, pacto formado entre a Rússia, Prússia e Áustria para barrar o avanço de Napoleão. Do lado de Portugal, naquele momento, interessava o casamento com um aliado de peso, pois a Corte estava estabelecida no Brasil numa situação de fuga. Para seu país de origem, era interessante aquela aliança com o Novo Mundo.

    Vinda de uma realidade muito diferente do Brasil, falava francês, inglês e alemão e também aprendeu português. Em suas cartas à família descrevia a sua dificuldade em se adaptar naquele país atrasado, mas elogiava aquela "terra de natureza bela e exótica". Em sua comitiva trouxe quem pudesse estudar e descrever as espécies animais e vegetais, assunto que despertava todo o seu interesse.

    Participou fazendo pressão no episódio do Fico, colecionou documentos de apoio de mulheres brasileiras em prol da liberdade do Brasil, chegou a contratar mercenários na Europa para conter rebeliões no país. Como tinha muita instrução e conhecimentos de ciência política, era contra os falsos ideais libertários, acreditava que o caminho para o Brasil era seguir o exemplo da independência dos Estados Unidos e até depois da independência do Brasil, pelas cartas enviadas ao pai, pelos conhecimentos que tinha do funcionamento da Assembléia Geral Constituinte do Império, vê-se como era informada sobre todo o processo.

    Mesmo depois do conhecimento público de um romance entre D. Pedro e a Marquesa de Santos, D. Leopoldina nunca deixou de atuar politicamente, de forma positiva e a favor do Brasil.

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