Debatendo a discriminação no Fórum Social Mundial - 2002
A Conferência Especial África/Brasil, no Fórum Social Mundial - 2002, serviu para colocar em dia assuntos referentes à realidade dos negros e afro-descendentes, tanto no Brasil quanto no continente africano.
Os conferencistas, entre os quais se incluíam Taoufik Bem Abdallah, Aminata Traore, Benedita da Silva e o animador Jacques d'Adesky, estavam de acordo quanto à importância do FSM 2001 para a união entre povos afro-descendentes brasileiros e africanos, resultando na Conferência Especial em fevereiro de 2002. Foi ainda mais clara a repercussão positiva da Conferência Mundial Contra o Racismo, Xenofobia e Intolerância, ocorrida em Durban, em 2001, para que as discussões tomassem corpo e fossem levadas ao Fórum deste ano.
O principal tópico de discussão foi a tese das reparações, que já passou da hora de sair do papel. Esta tese propõe a compensação dos povos pelos danos materiais e morais causados pelo colonialismo e pela escravidão.
Neste ponto, Brasil e África têm problemas semelhantes: ambos foram vítimas destes fatos históricos. Reparar estes danos, então, torna-se necessário. Mas não apenas financeiramente - eticamente, também. E sem esquecer que, por mais alto que seja o valor econômico estipulado para tal "reparação", ela nunca é completa e este valor sempre será simbólico. Afinal, como medir a dor e o sofrimento?
O mundo todo deve colaborar no processo. A começar pelos valores transmitidos pela mídia, pelos sistemas de educação, na família e na comunidade.
Você aprendeu história da África? O que sabe sobre seus costumes e religiões? Que imagem você recebe dos africanos e dos afro-descendentes? E nos outros países, como são vistos os negros e sua cultura? Com certeza eles ocuparam pouco espaço nas cartilhas das escolas do mundo.
Uma questão levantada nesta conferência merece atenção. Trata-se do fato de se realizarem, efetivamente, estas mudanças sugeridas. Porque ninguém quer mais saber de "solidariedade diplomática" entre os países: todos falam, falam e não fazem nada.
Entre as sugestões de ações, as de cunho coletivo seriam as mais viáveis: investimento em educação e qualificação profissional já seriam uma boa iniciativa para criar oportunidades mais justas aos membros das comunidades afro-descendentes no Brasil.
Saiba o que mais foi feito no Fórum Social Mundial - 2002.