Só gostamos do que entendemos e só entendemos o que conhecemos bem. Conhecer algumas das espécies ameaçadas de extinção talvez nos leve a compreender melhor a importância de protegê-las.
O urso panda, por exemplo. Escolhido para ser o símbolo de todos os animais ameaçados de extinção, possui um olhar desamparado e movimentos desengonçados por conta do seu peso: 130 quilos, muito para a sua pouca estatura, de apenas um metro e meio. Pois é justamente esse jeito atrapalhado e a aparência de urso de pelúcia que conquistam a simpatia imediata de quem o vê. Natural, portanto, o panda ter se tornado símbolo da luta contra a extinção de animais que, como ele, não têm como se defender da degradação da natureza, imposta por nós, homens.
Facilmente
encontrados, tempos atrás, na China e no norte do Vietnã, são atualmente apenas
1.000 no mundo. Isto se deve à devastação das florestas da Ásia e à intensa
caça, em busca de sua pele. Vegetarianos e de hábitos solitários, os poucos
ursos pandas que restam vivem, hoje, em reservas florestais ou cativeiros.
Já as araras-azuis, encontradas no Brasil, Paraguai e Bolívia, diminuíram acentuadamente em número, se comparado ao século passado, quando existiam aos milhares. A captura da ave, para ser comercializada tanto aqui quanto no exterior, e a ocupação de seu habitat pela agricultura e pecuária levaram à morte grande parte da população de araras-azuis.
Somente 3.000 delas ainda vivem, a maioria no Pantanal, devido à destruição dos lugares onde gostam de ficar.
A
arara-azul pesa um quilo e meio e tem um metro de comprimento. Só andam em
bandos, em família ou em pares, sendo quase impossível vê-las sozinha na natureza,
uma vez que o casal é extremamente fiel, dividindo a tarefa de cuidar dos
filhotes.
Assim como o urso panda é símbolo de todos os animais ameaçados de extinção, o mico-leão-dourado, por sua vez, se transformou no símbolo das espécies ameaçadas no Brasil. Pequenos e inquietos, vão de galho em galho, em busca de alimento ou simplesmente fiscalizando território. Sempre estão em grupos de mais ou menos seis micos, que adotam uma parte da mata, onde se alimentam e dormem. Quase extinto na década de 70, teve garantida sua sobrevivência através de projetos visando à preservação da espécie. Apesar de, hoje em dia, não serem mais caçados para exposição em zoológicos ou mesmo para bichinhos de estimação, eles têm pela frente uma outra dificuldade: a destruição da Mata Atlântica, que é o seu habitat.
Não
é o caso da onça pintada, cuja pele ainda é objeto de muita caça e procura.
Na Europa e nos Estados Unidos, o seu alto preço é um estímulo para que a
contravenção continue, levando ao declínio da espécie. Presume-se que, em
toda a América do Norte, ela já tenha sido extinta. E em El Salvador, no Uruguai
e no Chile é provável que também tenha desaparecido. A onça pintada continua
sendo alvo de intensa caça, mesmo com ameaça de extinção na Argentina, Costa
Rica e Panamá. No Brasil, a Bacia Amazônica é um dos últimos redutos da onça
pintada, uma vez que ela já foi exterminada na Mata Atlântica, no cerrado
e na caatinga. É o maior felino do continente americano, possui um corpo compacto,
com 150 quilos e dois metros e meio de comprimento (contando com a cauda)
e são extremamente ágeis e graciosas. Silenciosas, vivem sempre sozinhas,
acasalando-se uma vez ao ano, sem permanecer muito tempo com o parceiro.
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis - IBAMA é responsável pela publicação da lista oficial de animais ameaçados de extinção, que é elaborada em conjunto com comitês e grupos de trabalho de cientistas especializados em cada grupo animal.
E aí vai um alerta: o Brasil possui 208 espécies na lista oficial de animais ameaçados de extinção e dez novas espécies serão adicionadas em breve.
Para saber mais sobre animais em extinção, vá à seção "Notícias", do IBGE teen, e confira o texto "Beleza ameaçada de extermínio".