Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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  Pesquisa Mensal de Emprego - PME

NOTA TÉCNICA

Rio de Janeiro, 19 de novembro de 2003

A propósito da matéria publicada hoje, dia 19 de novembro de 2003, pelo jornal Folha de São Paulo sobre o trabalho infantil no Brasil, citando a Pesquisa Mensal do Emprego – PME, o IBGE informa que o Instituto não dispõe de informação abrangente sobre o tema para o ano de 2003. A fonte mais apropriada para análise do trabalho infantil é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD, que tem cobertura nacional e divulga os resultados no segundo semestre de cada ano, sendo que a última informação disponível refere-se a 2002.

A Pesquisa Mensal de Emprego publicada pelo IBGE não é apropriada para avaliar o aumento do trabalho infantil em 2003.

Cabe ainda os seguintes esclarecimentos:

    1. A PME é realizada mensalmente pelo IBGE com o objetivo de avaliar a evolução do mercado de trabalho, apoiando-se em informações sobre emprego e desemprego nas 6 Regiões Metropolitanas do País, as quais, segundo a última PNAD, de 2002, cobrem 25,8% da população ocupada do País;

    2. Para avaliar mensalmente a evolução do emprego e do desemprego, o IBGE entrevista, nestas 6 Regiões Metropolitanas, 38 mil domicílios;

    3. Para medir o total da População Economicamente Ativa – PEA do País, O IBGE investiga, uma vez por ano, cerca de 130 mil domicílios, através da PNAD;

    4. A amostra de 38 mil domicílios da PME contempla as diversas categorias de pessoal ocupado (empregador, empregado com carteira e sem carteira assinada, trabalhador por conta própria, não remunerado) e desocupadas.

    5. A amostra é selecionada de forma a dar representatividade a cada Região Metropolitana e o correspondente total das 6 Regiões Metropolitanas. Para compor essa amostra, o IBGE seleciona os domicílios e entrevista todos os moradores com mais de 10 anos. Os domicílios são selecionados obedecendo a critérios probabilísticos, onde cada domicílio é entrevistado durante 4 meses consecutivos, depois “descansa” 8 meses para, em seguida, retornar por mais 4 meses. A partir daí cada domicílio retirado da amostra é substituído definitivamente por outro.

    6. Todos os moradores com 10 anos ou mais dos domicílios selecionados informam se são ocupados ou não, a atividade econômica em que atuam, suas posições na ocupação, idade, instrução e sexo.

    7. Para estimar a PEA, o IBGE utiliza todas essas informações e as classifica de acordo com a sua situação no mercado de trabalho (ocupado ou desocupado); se empregado, empregador ou conta própria; e respectivo grupo de idade, sexo e instrução.

    8. Em cada mês, a entrevista alcança 75% dos entrevistados no mês anterior e inclui 25% de novos. Estes 25% de domicílios novos são incluídos levando em consideração apenas a área urbana da Região Metropolitana pesquisada. Portanto, todas as entrevistas são utilizadas para medir a situação ocupacional (ocupado ou desocupado) do conjunto da população das 6 Regiões Metropolitanas, e não para avaliar o trabalho infantil.

    9. A referida matéria seleciona apenas um aspecto específico do mercado de trabalho, relativo às pessoas de 10 a 14 anos. Esta população representa 10% da população em idade ativa, mas apenas 0,6% da população ocupada.

    10. Concluindo, reforçamos que a fonte mais apropriada para análise do trabalho infantil é a PNAD.


Eduardo Pereira Nunes
Presidente do IBGE




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