Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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  Censo Demográfico 2000

Brasil tem 7,4 milhões de pessoas que trabalham ou estudam fora

Pela primeira vez, o IBGE está divulgando dados sobre as pessoas que se deslocam de seus municípios de origem para trabalho ou estudo. Trata-se de um fenômeno urbano e que está concentrado nas grandes cidades e em suas vizinhanças. As informações foram obtidas a partir do Censo 2000 e estão sendo divulgadas juntamente com outros temas que mereceram tratamento mais aprofundado, como Migração, Deficiência, Religião e Cor ou Raça (ainda sairão mais cinco publicações temáticas).

As novas publicações temáticas do Censo revelam, por exemplo, que o número de pessoas que se deslocam de uma cidade para outra foi maior do que o de pessoas que realizaram movimentos migratórios entre um estado e outro, que foi de pouco mais de cinco milhões, em 2000. São Paulo continua sendo o estado que mais atrai migrantes, mas tem perdido população entre os mais qualificados, apresentando um saldo negativo de quase 11 mil pessoas com 15 anos ou mais de estudo.

Os novos dados revelam, pela primeira vez, o número absoluto de cegos e surdos no País, que é de 148 mil e 166 mil, respectivamente. Havia, em 2000, nove milhões de pessoas portadoras de deficiência trabalhando, sendo que mais da metade (4,9 milhões) ganhava até dois salários mínimos. Quanto à religião, os novos estudos confirmaram o aumento da religiosidade conforme o avanço da idade e, em relação à cor ou raça, que a população amarela, de origem asiática, tinha a melhor escolaridade, a melhor média de anos de estudo e os melhores rendimentos, com 13,4% desse contingente ganhando mais de 20 salários mínimos. Entre a população branca, o percentual que ganhava acima de 20 salários era de 4,0%.

Maiores deslocamentos ocorrem em São Paulo e Rio de Janeiro

Em 2000, o Brasil tinha 111.178.989 pessoas que trabalhavam e / ou estudavam, e 7.403.362 delas (6,7%) se deslocavam para fazê-lo fora de seus municípios de residência. Destas, 6.655.162 (89,9%) iam para outro município da mesma unidade da federação, 671.879 (9,1%) iam para outra unidade e 51.955 (0,7%), a outro país. Entre todos esses, 5.339.606 pessoas (72,1%) só trabalhavam e 1.341.707 (18,1%) apenas estudavam, enquanto 721.992 (9,8) tanto trabalhavam quanto estudavam.

O deslocamento para fora do município de residência concentra-se nas regiões Sudeste (4.137.023 pessoas, ou 55,9 por cento da população que se desloca), Nordeste (1 399 935 pessoas ou 18,9%) e Sul (1.241.174 pessoas ou 16,8%). Nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro estão os maiores contingentes de deslocamento, com 2.161.870 e 980.166 pessoas, respectivamente. Já Amazonas (0,5%) e Distrito Federal (0,5%) tinham mais baixas proporções, pelas suas características geográficas. Os maiores contingentes municipais estavam em São Gonçalo (RJ) com 149.379, em Nova Iguaçu (RJ) com 138.794, em Osasco (SP) com 116.763 e na própria São Paulo capital com 114.414.

Trata-se de um fenômeno urbano e concentrado nas grandes cidades e em suas vizinhanças: 6.719.144 deslocamentos (90,8%) com origem aí. Cem municípios concentram 53,9% (3 998 899 moradores) de toda a população que se desloca.

A população de 5 e 19 anos é majoritária entre os que trabalham e estudam no município de residência, enquanto a de 20 a 34 anos é maioria entre os que trabalham ou estudam em outro município. Há, também, acentuada diferença entre as proporções de mulheres que trabalham ou estudam no município de residência (44%) e a das que se deslocam fazê-lo em outro município ou país (37%).

Um exemplo

Os dados computados pelo IBGE permitirão comparar os fluxos de deslocamento de diversos municípios brasileiros, permitindo estudos localizados. O quadro abaixo traz o exemplo com São Gonçalo, município com maior população em deslocamento, analisado juntamente com Niterói e Rio de Janeiro. Tanto a mediana de anos de estudo quanto a de rendimento da população que trabalha ou estuda no próprio município de residência são inferiores às da população que se desloca.

Observa-se, também, que em Niterói há grandes fluxos de entrada (74.396 pessoas provenientes de São Gonçalo) e de saída ( 45991 com destino ao Rio de Janeiro). Mas as medianas de rendimento e anos de estudo dos dois fluxos diferem significativamente, com 8 anos e R$ 310,00 para os que se deslocam de São Gonçalo para Niterói, e 14 anos e R$1.200,00 para os de Niterói que se dirigem ao Rio de Janeiro. Também há grandes diferenças nas medianas da população de São Gonçalo que se desloca para o Rio de Janeiro com 10 anos e R$521,00 e aquela que se dirige à Niterói com 8 anos e R$ 310,00.

Mais de 5,2 milhões de brasileiros migraram entre 1995 e 2000

O IBGE está divulgando informações sobre os movimentos migratórios da população brasileira, obtidas a partir do Censo 2000. São dados que cruzam as estatísticas por unidades da federação - com destaque para alguns municípios - com a idade, sexo, escolaridade, rendimento e situação do domicílio (rural ou urbano) dos migrantes.

A idade média dos migrantes é 27,5 anos, 66% deles não completaram o ensino fundamental e 43% não tinham rendimento. Áreas rurais continuam esvaziando-se e perderam 247 mil pessoas entre 1995 e 2000. Em Buritis, RO, 92,6% da população veio de fora enquanto apenas 1,82% da população de Fernando Falcão, MA., não nasceu ali.

A região Nordeste é a que tem saldo negativo - áreas rurais e urbanas - para quase todos os estados, com exceção do Rio Grande do Norte. O migrante que saiu do Nordeste tinha idade média de 25,3 anos, enquanto a dos que entravam à região era 28,5 anos. O contingente de crianças ingressando é superior ao das que saem, indicativo de que muitos emigrantes nordestinos retornam às origens alguns anos depois, já com família constituída. Na faixa etária dos 15 aos 29 anos situavam-se 53,1% dos migrantes nordestinos.

Entre os qüinqüênios 1986/1991 e 1995/2000 houve mudanças nos fluxos migratórios. Os originados e destinados a áreas urbanas cresceram cerca de 20%, enquanto os urbanos para áreas rurais caíram 1,1%. Os fluxos rural-urbano e rural-rural tiveram queda de 29,4% e 43,4%, respectivamente. O Censo 2000 detectou que 75% dos movimentos migratórios (realizados durante os cinco anos anteriores) tinham como origem e destino áreas urbanas, 12,4% foram rurais-urbanos, 7,7% foram urbano-rurais e 4,8% originaram-se e destinaram-se a áreas rurais.

Quase 15% dos migrantes de todo o Brasil eram sem instrução, e 66% deles não chegaram completar o ensino fundamental, pois tinham menos de sete anos de estudo. Este quadro reflete a escolaridade da população como um todo.

A composição racial também é espelhada pela migração: 53,1% dos emigrantes eram brancos, 40,1% eram pardos, 5,1% pretos, 0,7% amarelos e 0,4% indígenas. O restante não se declarou dentro de nenhuma das categorias de cor ou raça.

Não tinham qualquer rendimento 43% dos migrantes, e 13,5% deles ganhavam menos de um salário mínimo. Com rendimento entre um e dois mínimos estavam 16,2% deles; de dois a três, 8,4%; de três a cinco, 7,2%; de cinco a dez, 6,3%; de dez a vinte, 3,2%, e apenas 2,1% ganhavam mais de vinte salários mínimos.

Deficiência

O Censo 2000 revelou que 14,5% da população brasileira era portadora de, pelo menos, uma das deficiências investigadas pela pesquisa. A maior proporção se encontrava no Nordeste (16,8%) e a menor, no Sudeste (13,1%).

A nova publicação traz o número absoluto de cegos e surdos no País. Em 2000, existiam 148 mil pessoas cegas e 2,4 milhões com grande dificuldade de enxergar. Do total de cegos, 77.900 eram mulheres e 70.100, homens. A região Nordeste, apesar de ter população inferior ao Sudeste, concentrava o maior número de pessoas cegas: 57.400 cegos no Nordeste contra 54.600 no Sudeste. São Paulo é o estado com o maior número de cegos (23.900), seguido da Bahia (15.400).

O número de surdos no Brasil era de 166.400, sendo 80 mil mulheres e 86.400 homens. Além disso, cerca de 900 mil pessoas declararam ter grande dificuldade permanente de ouvir. Entre os estados, Roraima tem o menor número de surdos (191 pessoas).

Dos 9 milhões de portadores de deficiência que trabalhavam, 5,6 milhões eram homens e 3,5 milhões, mulheres. Mais da metade (4,9 milhões) ganhava até dois salários mínimos.

Em relação ao rendimento das pessoas ocupadas, verificou-se que as diferenças relacionadas a ser portador ou não de deficiência eram da ordem das diferenças por gênero e ambas menores que o diferencial por cor. Por exemplo, 22,4% da população ocupada sem deficiência ganhavam até 1 salário mínimo. Entre os portadores de deficiência, esse percentual era de 29,5%. Entre homens e mulheres que não tinham deficiência os percentuais eram de 19,3% e 27,3%, respectivamente. Já a proporção de pessoas que se declararam brancas que ganhavam até 1 salário mínimo era de 18,15% e a de pessoas que se declararam pretas, 34,50%.

Entre os portadores de deficiência que trabalhavam, a maior proporção (31,5%) era de trabalhadores no setor de serviços ou vendedores do comércio. Porém, enquanto uma em cada quatro pessoas portadoras de deficiência era trabalhadora agropecuária, florestal ou de caça e pesca, somente 16,4% da população sem nenhuma incapacidade exerciam essas ocupações.

No aspecto educacional, em 2000, a taxa de alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais de idade era de 87,1%. Já entre os portadores de, pelo menos, uma das deficiências investigadas era de 72,0%.

Do total de pessoas de 15 anos ou mais de idade sem instrução ou com até 3 anos de estudo, 32,9% eram portadoras de alguma deficiência. Regionalmente observaram-se percentuais semelhantes de portadores de deficiência para este nível de instrução. O grande diferencial se produz a partir do 1º grau completo ou 8 anos de estudo: aí o percentual de pessoas com deficiência cai para valores próximos a 10%. Ou seja, enquanto no grupo com menos instrução, quase uma entre três pessoas era portadora de deficiência, entre os que concluíram pelo menos o 1º grau, somente uma em cada dez pessoas possuía alguma incapacidade.

No Brasil, a freqüência escolar das pessoas de 7 a 14 anos de idade, estava praticamente universalizada (94,5%), mas para os portadores de, pelo menos, uma das deficiências investigadas o percentual era menor (88,6%) e caía para 74,9% no caso das deficiências severas. A menor taxa de freqüência escolar foi observada entre as pessoas que tinham alguma deficiência física permanente (61,0%).

Quanto à esperança de vida ao nascer (tabela 25), o brasileiro vive em média 68,6 anos e passa 80% da vida sem apresentar nenhuma incapacidade. Como a esperança de vida livre de incapacidade é de 54 anos, a população viverá em média 14 anos com algum tipo de deficiência.

Religião

Os resultados mostraram que a religiosidade aumenta conforme a idade. Em 2000, 7,4% dos brasileiros se declararam sem religião, porém, no grupo de idade de 55 a 64 anos, essa proporção caiu para 4,4% e entre os que tinham 65 anos ou mais de idade, chegou a 3,7%. Os católicos apostólicos romanos que representavam 73,6% de toda a população brasileira, chegavam a 77,5% na faixa etária mais avançada.

Segundo a publicação, entre as religiões mais numerosas, os espíritas apresentaram os melhores indicadores, tanto de escolaridade (98,1% são pessoas de 15 anos ou mais de idade alfabetizadas), como de rendimento: 8,4% deles ganhavam mais de 20 salários mínimos, enquanto para o total da população, apenas 2,7% tinham esse rendimento. Entre aqueles que ganhavam até 1 salário mínimo, os espíritas tinham a menor proporção (7,9%) e os católicos apostólicos romanos e os evangélicos, as maiores (26,3% e 23,5%, respectivamente).

Já numa análise mais abrangente, observando-se todas as religiões pesquisadas pelo Censo, os judeus apresentaram os melhores resultados, tanto no rendimento como na escolaridade: 35,4% ganhavam mais de 20 salários mínimos e apenas 1,8% recebia até 1 salário mínimo e 99,6% eram alfabetizados e 49,7% tinham 15 anos ou mais de estudo.

Também eram os espíritas que tinham a maior proporção de pessoas de 10 anos ou mais de idade ganhando de 5 a 10 salários mínimos (25%). Já os evangélicos pentecostais tinham a maior proporção - em torno de 30% - de pessoas com rendimento de 1 a 2 salários mínimos.

Em se tratando do rendimento mediano mensal, os espíritas ganhavam quase três vezes mais do que os evangélicos pentecostais (R$700,00 contra R$260,00). Os católicos e os sem religião tinham o mesmo rendimento: R$300,00.

Cor ou raça

Em relação à cor ou raça, a população que se declarou amarela (origem asiática) tinha a melhor escolaridade: a taxa de alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais de idade era de 95,1%; a média de anos de estudo, 9,0 e a taxa de escolarização das crianças de 7 a 14 anos chegava a 96,4%. Na população branca, que predomina no Brasil, esses resultados eram de 91,7%; 7,0 anos de estudo e 96,2%, respectivamente.

A população amarela também se destacava quanto rendimento: 13,4% ganhavam mensalmente mais de 20 salários mínimos, enquanto na população branca, o percentual era de 4,0%. Entre os que ganhavam até um salário mínimo, 8,3% eram de cor amarela. Já para os pardos, esse percentual era de 35,1%; para os pretos, 34,5%; para os indígenas, 32,9% e para os brancos, 18,2%.

Quanto à posição na ocupação, entre as pessoas de 10 anos ou mais de idade, 12,3% da população amarela eram empregadores; 54,0%, empregados e 29,3%, conta-própria. Entre os brancos, esses percentuais eram de 4,2%, 66,5% e 23,9%, respectivamente.

Comunicação Social
27 de junho de 2003


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