Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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  Censo Demográfico 2000

Última etapa de divulgação do Censo 2000 traz os resultados definitivos, com informações sobre os 5.507 municípios brasileiros

Os resultados definitivos do Censo Demográfico 2000, lançados hoje pelo IBGE, encerram a etapa de divulgações do maior e mais preciso recenseamento já realizado no Brasil. Com informações até o nível de municípios, o Censo revela, além de dados econômicos, importantes mudanças sociais e de comportamento.

A população que se declarou de cor preta aumentou quase duas vezes mais que a que se declarou branca e oito vezes mais que a parda, mas os brancos constituem 53,7% da população, sendo que, entre empregadores, os brancos são 80%. Sobre a religiosidade da população brasileira, os dados revelaram que o catolicismo manteve a maior penetração nos estados do Nordeste e que as maiores concentrações de evangélicos estão no Norte do País. Quanto ao nível educacional, os espíritas apresentam a maior média de anos de estudo e, quanto à cor ou raça, as religiões com maior proporção de pessoas brancas são: judaica, evangélica luterana e islâmica.

A mortalidade infantil cai de maneira generalizada e mais fortemente na região Nordeste. As taxas de fecundidade caem mais de 60% de 1940 a 2000, e o Brasil passa a ocupar a 69ª posição na comparação da ONU, com 2,38 filhos por mulher. Entre os estados, a maior queda foi na Paraíba e a menor, no Rio de Janeiro. No total, a idade média de fecundidade se reduz em 1 ano de 1991 a 2000.

Quanto à questão da deficiência, o Censo 2000 revelou que 9 milhões de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência estavam trabalhando na semana de referência do Censo. Na Paraíba, foi registrada a maior proporção de casos de deficiência e, em São Paulo, a menor.

Os dados de migração registraram queda no número de estrangeiros que vivem no Brasil e aumento de quase três vezes do número de brasileiros que voltam do exterior. Portugueses, japoneses, italianos e espanhóis mantêm-se como os maiores contingentes de estrangeiros no País.

Em relação ao trabalho, nos municípios de até 20 mil habitantes, as atividades de agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e pesca absorveram 47,2% da população ocupada. O emprego com carteira mostrou-se mais difundido nos municípios com mais de 100 mil habitantes. O rendimento nominal mediano mensal das pessoas de 10 anos ou mais de idade variou de R$ 160,00 nos municípios com até 20 mil habitantes até R$ 401,00 naqueles com mais de 500 mil habitantes.

O Censo mostrou ainda que 51% dos domicílios brasileiros tinham, em média, de 1 a 2 moradores por dormitório em 2000. Os municípios com mais de 500 mil habitantes tinham as maiores proporções tanto de domicílios com mais de 3 moradores por dormitório quanto de domicílios com até 1 por dormitório. Os municípios com até 20 mil habitantes tinham as menores proporções destes dois indicadores.

As taxas de analfabetismo são maiores nos municípios menos populosos. Em 2000, apesar da quase universalização do acesso à escola das crianças de 10 a 14 anos, quase 1 milhão delas (5,9%) ainda eram analfabetas e, destas, 77,8% residiam em municípios com até 100 mil habitantes. Os dados de educação revelam que, embora a média de anos de estudo tenha aumentado em geral, a população branca tinha 6,6 anos de estudo, enquanto a preta e a parda, 4,6 anos em média.

No comportamento das famílias, ainda prevalece o modelo clássico formado por casal e filhos (55,4%), sobretudo nos municípios com até 20 mil habitantes (57,4%). Aqueles com mais de 500 mil habitantes têm as maiores proporções de pessoas separadas (9,5% das populações) e viúvos (4,4%).

COR E RELIGIÃO

No Piauí, 61% da população do município de Riacho Frio se declara de cor preta

No confronto dos resultados censitários de 1991 e 2000, diminuiu a proporção de pessoas que se declararam pardas e aumentou a de pretos, o que pode ser um indicativo de mudança nos padrões de identificação e de autoclassificação do brasileiro. Nesse período, a taxa média de crescimento da população de cor branca foi de 2,12%, da preta 4,17% e da parda 0,53%.

Em 2000, pelas declarações fornecidas pela população do País, 91.298.042 (53,7%) consideraram-se brancos, 10.554.336 (6,2%) pretos, 761.583 (0,5%) amarelos, 65.318.092 (38,4%) pardos e 734.127 (0,4%) indígenas. E ainda, segundo os números dos censos, a proporção de pessoas que se declararam brancas declinou de 1940 (63,5%) até 1991 (51,6%), e em 2000 essa proporção apresentou ligeiro crescimento (para 53,7%). A proporção da população preta, que vinha caindo também desde 1940 (14,6%), apresentou um crescimento na sua proporção, passando de 5%, em 1991, para 6,2% em 2000. Em contrapartida, a proporção da população de pardos, que vinha crescendo desde 1940 (21,2%), atinge, em 1991, a proporção de 42,4% e cai para 38,4% em 2000. A proporção da população indígena passou de 0,20%, em 1991, para 0,43% em 2000.

Proporção da população residente por cor ou raça - Brasil - 1940 - 2000

Anos Cor ou raça (%)
Branca Preta Amarela Parda Indígena
1940 63,47 14,64 0,59 21,21 -
1950 61,66 10,96 0,63 26,54 -
1960 61,03 8,71 0,69 29,50 -
1980 54,23 5,92 0,56 38,85 -
1991 51,56 5,00 0,43 42,45 0,20
2000 53,74 6,21 0,45 38,45 0,43

Fonte:IBGE, Censo Demográfico 1940 - 2000

O conjunto formado pela população residente nas áreas urbanas e rurais do País possui características bem distintas. Enquanto na situação urbana do domicílio as pessoas que se declararam como brancas superam 50% da população, na área rural essa magnitude foi atingida pelas pessoas de cor preta e parda.

As características diferenciais da composição da cor ou raça nas Unidades da Federação mostraram que a proporção de pessoas com declaração de cor branca atingiram maior percentual em Santa Catarina (89,3%), ficando o estado da Bahia com a maior enumeração das pessoas que se declararam pretas e pardas (73,2%).

O Censo revelou também que, no Rio Grande do Sul, 100% da população do município de Montauri se declarou de cor branca. E ainda, a maior proporção de pretos foi encontrada no município de Riacho Frio (61%), no Piauí, a da categoria amarelos foi encontrada no município de Assaí (15%), no Paraná, a de pardos em Nossa Senhora das Dores (98%), em Sergipe, e a de índios (76%) em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas.

79,8% dos empregadores se declararam de cor branca

Em relação às pessoas economicamente ativas, 54,61 % se declararam brancas, 6,86% pretas, 0,48% amarelas, 37,06% pardas e 0,40% indígenas. Entre os empregados, 55,64% se declararam brancos, 7,21% pretos e 35,85% pardos. Já entre os empregadores 79,84% são brancos, 1,67% pretos e 15,74% pardos.

No Rio Grande do Sul, 100% da população de quatro municípios é de católicos apostólicos romanos

As pessoas que se declararam católicas apostólicas romanas representavam, em 2000, 73,7% da população total, refletindo a predominância do catolicismo no País. O segundo maior percentual corresponde aos evangélicos, com 15,4%. Os sem religião apresentaram-se na terceira posição, 7,4%. Os católicos, evangélicos e sem religião representavam 96,5% da população.

O panorama estadual das religiosidades da população do País indicou que o catolicismo teve uma maior penetração nos estados pertencentes à região Nordeste, enquanto os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rondônia apresentaram as menores proporções de católicos apostólicos romanos. Já as maiores concentrações de evangélicos estão no extremo norte do País, mais especificamente no Amazonas, Roraima, Acre e Rondônia, e nos estados de Goiás, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

No Rio Grande do Sul, 100% da população dos municípios de Nova Alvorada, Nova Roma do Sul, União da Serra e Vespasiano Correa se declararam católicos. Ainda no mesmo estado, foi encontrada no município de Rio Grande (6,8%) a maior proporção de pessoas que se declararam da umbanda e do candomblé, e no município de Quinze de Novembro (80,4%) a de evangélicos de missão. A maior proporção de espíritas foi encontrada no município de Palmelo (42,1%), em Goiás, e a dos sem religião ficou com Nova Ibiá (59,8%), na Bahia.

Espiritismo, umbanda e candomblé têm a maior escolaridade

O nível educacional da população religiosa revela que os espíritas apresentaram a maior média de anos de estudo: 9,6 anos de estudo. A média para pessoas que se declararam da umbanda e do candomblé foi de 7,2 anos de estudo, dos evangélicos de missão 6,9%, dos católicos apostólicos romanos 5,8 anos de estudo, os sem religião 5,6 anos de estudo, e dos evangélicos pentecostais 5,3 anos de estudo.

As estatísticas de cor ou raça sobre as religiosidades da população brasileira mostram que as religiões com a maior proporção de pessoas que se declararam brancas são as seguintes: judaica (96,4%), evangélica de missão luterana (95,8%) e islamismo (88%). As religiões com maior proporção de pessoas que se declararam pretas são: candomblé (22,8%), umbanda (16,7), casa da benção (10%) e sem religião (9,3%). As com maior proporção de pardos são as seguintes: Católica Apostólica Brasileira (48,5%), Assembléia de Deus (47,5%) e Deus É Amor (45,9%). As maiores proporções de amarelos estão no Budismo (37,8%) e outras novas religiões orientais (36,6%).

MORTALIDADE INFANTIL

Mortalidade infantil cai em todos os estados

A mortalidade infantil cai de maneira generalizada em todos os estados brasileiros e mais fortemente nos estados da região Nordeste. Enquanto no Brasil a queda foi de 37,50%, no Nordeste atingiu quase 40% (39,03%) de 1990 a 2000. Entre os estados da região Nordeste, o Ceará registrou a maior queda (45,1%), seguido do Piauí (43,1%).

Apesar da forte queda, a região Nordeste ainda registra níveis elevados de mortalidade infantil, que são praticamente o dobro dos encontrados nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Em 2000, a taxa de mortalidade infantil na região Nordeste era de 44,73 por mil nascidos vivos, enquanto no Sudeste foi de 21,28, no Sul de 18,87, e no Centro-Oeste de 21,61.

De um modo geral, estas três regiões (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) exibem as menores taxas de mortalidade infantil, próximas de 20 por mil nascidos vivos, sendo que o Rio Grande do Sul é o estado com a taxa mais baixa, de 16 por mil. Na região Sudeste, São Paulo tem a menor taxa, de 18,6 por mil, seguido do Rio de Janeiro, com 20,61.

Entre os estados do Nordeste, Alagoas continua apresentando a maior taxa de mortalidade infantil, com 62,54 mortes por mil nascidos vivos, enquanto Piauí e Ceará têm as menores taxas: 36,23 e 39,75, respectivamente.

No que diz respeito à redução da mortalidade, Roraima foi, entre todos os estados brasileiros, o que mais reduziu sua taxa, em 56,1% de 1990 a 2000. No estado do Amazonas houve a menor redução, de 29,5% na taxa de mortalidade. Rondônia passou de 38,93 mortes por mil em 1990, para 25,92 em 2000. Logo após Ceará e Piauí, que estão em segundo e terceiro lugar na redução da mortalidade, aparece Tocantins, com uma redução de 40,9%, passando de 50,62 mortes por mil nascidos vivos, para 29,93 em 2000.

A estimativa da ONU para o Brasil, de chegar ao ano 2000 com 32,5 mortes por mil nascidos vivos, foi superada, com a taxa de 29,68 registrada no Censo.

Variação relativa nas taxas de mortalidade infantil (‰) no período de 1990/2000 segundo as Unidades da Federação
Unidades da Federação Taxas de Mortalidade Infantil (‰) Variação Relativa (%)
1990 2000
Rondônia 38,93 25,92 -33,4
Acre 54,05 35,47 -34,4
Amazonas 42,70 30,08 -29,5
Roraima 42,73 18,74 -56,1
Pará 45,35 29,03 -36,0
Amapá 37,06 25,98 -29,9
Tocantins 50,62 29,93 -40,9
Maranhão 75,02 49,01 -34,7
Piauí 63,69 36,23 -43,1
Ceará 72,45 39,75 -45,1
R. G. Norte 74,54 44,73 -40,0
Paraíba 80,13 48,25 -39,8
Pernambuco 77,58 47,97 -38,2
Alagoas 100,05 62,54 -37,5
Sergipe 69,09 43,38 -37,2
Bahia 64,14 41,04 -36,0
Minas Gerais 37,01 22,20 -40,0
Espirito Santo 32,36 22,11 -31,7
Rio de Janeiro 31,56 20,61 -34,7
São Paulo 31,02 18,57 -40,1
Paraná 36,97 22,15 -40,1
Santa Catarina 29,11 18,05 -38,0
R. G. do Sul 23,49 15,96 -32,1
Mato G. Sul 32,29 20,08 -37,8
Mato Grosso 36,09 22,86 -36,7
Goiás 33,90 21,91 -35,4
Distrito Federal 30,14 18,99 -37,0

Fonte: IBGE. Censos Demográficos de 1970 a 2000

FECUNDIDADE

Taxas de fecundidade reduzem-se em mais de 60% de 1940 a 2000

As taxas de fecundidade total no Brasil vêm declinando ao longo dos últimos 40 anos, período em que apresentaram reduções de mais de 60%. Após duas décadas de estabilidade (em 1940 e 1950, a fecundidade total manteve-se em 6,2 filhos por mulher), a taxa elevou-se ligeiramente, em 1960, para 6,3. Desde então, esses valores apresentaram reduções significativas: 5,8 em 1970, 4,4 em 1980, 2,9 em 1991 e 2,4 em 2000. A taxa consolidada pelo Censo Demográfico 2000 atingiu 2,38 filhos por mulher.

Com esse resultado, o Brasil passa a ocupar a 69ª posição na comparação com as taxas estimadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 187 países, que têm, nas posições extremas, a Nigéria, país com a maior taxa de fecundidade do mundo, com média de 8 filhos por mulher, e a Letônia, que, com média de 1,1 filho por mulher, apresenta a menor taxa de fecundidade. Do ponto de vista demográfico, considera-se 2,1 o número médio de filhos por mulher que garante a reposição das gerações.

Tabela 1 – Taxas de fecundidade total, segundo as Grandes Regiões – 1940/2000
  Taxas de fecundidade total
Grandes Regiões 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000
Brasil 6,2 6,2 6,3 5,8 4,4 2,9 2,4
Norte 7,2 8,0 8,6 8,2 6,5 4,2 3,2
Nordeste 7,2 7,5 7,4 7,5 6,1 3,7 2,7
Sudeste 5,7 5,5 6,3 4,6 3,5 2,4 2,1
Sul 5,7 5,7 5,9 5,4 3,6 2,5 2,2

Centro-Oeste

6,4 6,9 6,7 6,4 4,5 2,7 2,3

Fonte: IBGE, Censos Demográficos 1940 - 2000

Em 2000, as grandes regiões brasileiras apresentaram taxas de fecundidade bastante próximas da média do Brasil, que foi de 2,38 filhos por mulher. As regiões Norte (3,2) e Nordeste (2,7) apresentaram taxas superiores à média nacional, enquanto as regiões Centro-Oeste (2,3), Sul (2,2) e Sudeste (2,1) apresentaram as menores taxas. Não houve grandes alterações na contribuição das grandes regiões para a média nacional ao longo das últimas quatro décadas, quando as regiões Sudeste e Sul apresentaram taxas sempre inferiores à média do país. Entre 1960 e 2000, a região Sudeste apresentou sempre as taxas mais baixas de fecundidade, exceto em 1960, quando o Sul apresentou a menor taxa (5,9) entre as grandes regiões, e o Sudeste, com uma média de 6,3 filhos por mulher, igualou sua taxa à média do país.

Amapá tem a maior taxa de fecundidade dentre as unidades da federação

Todas as unidades da federação apresentaram redução nas taxas de fecundidade entre 1991 e 2000. A maior queda foi registrada pelo estado da Paraíba, que passou de 3,72 em 1991 para 2,53 em 2000 – uma redução de 32%. O estado onde se registrou a menor queda (2,4%) da taxa de fecundidade total foi o Rio de Janeiro, que apresentou variação de 2,09 para 2,04 filhos por mulher entre 1991 e 2000. A maior taxa de fecundidade foi registrada pelo estado do Amapá, com média de 3,60 filhos por mulher, e a menor ficou com o Distrito Federal (1,96).

TAXAS DE FECUNDIDADE TOTAL UNIDADES DA FEDERAÇÃO 1991 E 2000
  1991 2000   1991 2000
ACRE 4,90 3,43 RIO GRANDE DO NORTE 3,36 2,54
MARANHÃO 4,64 3,21 PERNAMBUCO 3,26 2,48
AMAPÁ 4,62 3,60 MATO GROSSO 3,06 2,47
AMAZONAS 4,47 3,40 MATO GROSSO DO SUL 2,92 2,40
PARÁ 4,19 3,16 ESPIRITO SANTO 2,75 2,16
ALAGOAS 4,04 3,14 MINAS GERAIS 2,67 2,22
TOCANTINS 3,86 2,93 PARANÁ 2,61 2,31
PIAUÍ 3,78 2,66 SANTA CATARINA 2,57 2,22
CEARÁ 3,73 2,84 GOIÁS 2,50 2,24
PARAÍBA 3,72 2,53 RIO GRANDE DO SUL 2,39 2,17
RORAIMA 3,69 3,20 DISTRITO FEDERAL 2,36 1,96
BAHIA 3,61 2,50 SÃO PAULO 2,28 2,05
SERGIPE 3,58 2,75 RIO DE JANEIRO 2,09 2,04
RONDÔNIA 3,47 2,73      

Idade média de fecundidade do país baixa quase 1 ano de 1991 a 2000

De 1991 a 2000, houve redução de 27,2 anos para 26,3 na idade média de fecundidade do país. Todas as unidades da federação contribuíram para essa redução, exceto o Rio de Janeiro, que manteve a idade média da fecundidade em 26,6 anos em 1991 e em 2000. Essa redução da idade média de fecundidade está associada à concentração da fecundidade nas faixas mais jovens da população feminina.

Idade Média da Fecundidade
1991- 2000
Unidades da Federação
  1991 2000
CEARÁ 28,6 27,2
PARAÍBA 28,4 26,5
BAHIA 28,3 26,5
ALAGOAS 28,2 26,6
PIAUÍ 28,2 25,9
AMAPÁ 28,0 26,6
ACRE 27,9 26,1
SERGIPE 27,9 26,9
AMAZONAS 27,9 26,2
MARANHÃO 27,8 25,7
RIO GRANDE DO NORTE 27,7 26,3
PERNANBUCO 27,6 26,3
PARÁ 27,6 25,8
MINAS GERAIS 27,5 26,7
RIO GRANDE DO SUL 27,3 27,1
RORAIMA 27,2 25,6
DISTRITO FEDERAL 27,0 26,6
TOCANTINS 26,9 25,2
SANTA CATARINA 26,9 26,6
PARANÁ 26,8 26,3
ESPIRITO SANTO 26,7 25,9
SÃO PAULO 26,6 26,6
RIO DE JANEIRO 26,5 26,4
RONDÔNIA 26,3 25,0
MATO GROSSO 26,1 24,8
MATO GROSSO DO SUL 25,9 25,3
GOIÁS 25,3 24,8

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1991-2000

Foram observadas reduções das taxas específicas de fecundidade de mulheres em quase todas as faixas etárias, com exceção da faixa entre 15 e 19 anos de idade, que aumentou de 87, em 1991, para 89 nascimentos para cada mil mulheres em 2000. Embora esse aumento tenha sido pequeno, a redução da fecundidade em outras faixas faz com que, proporcionalmente, esse grupo de mulheres aumente sua participação no conjunto. A participação da fecundidade das mulheres de 35 anos ou mais de idade na fecundidade total apresentou redução significativa em quase todas as unidades da federação no período entre 1991 e 2000, excetuando-se apenas São Paulo (onde cresceu de 11,3% para 11,5%) e o Distrito Federal (onde cresceu de 11,7% para 11,8%). Essas reduções estão associadas ao rejuvenescimento da fecundidade, ou seja, ao fato de as mulheres terem seus filhos em idades cada vez mais jovens e passarem a evitá-los nas idades mais avançadas.

Com exceção do estado de Roraima, todas as unidades da federação registraram aumentos na contribuição da fecundidade de mulheres de 15 a 19 anos de idade. Os maiores aumentos foram verificados no Piauí, que passou de 12,02% em 1991 para 19,28% em 2000, e na Bahia, de 12,03% para 18,80%. Em Roraima, a redução da contribuição da fecundidade das mulheres de 15 a 19 anos de idade na fecundidade total passou de 22,56% em 1991 para 21,53% em 2000.

As maiores taxas de fecundidade das mulheres de 15 a 19 anos de idade foram verificadas, em 1991, em Roraima (180,2, ou seja, para cada grupo de mil mulheres de 15 a 19 anos de idade, mais de 180 delas já haviam tido pelo menos um filho), Acre (162,3) e Amazonas (146,9). Em 2000, os estados que lideram esse ranking são Acre (153,9), Amazonas (140,5) e Amapá (139,1), praticamente empatado com Maranhão. Os estados com as menores taxas de fecundidade entre mulheres de 15 a 19 anos de idade em 1991 eram: Distrito Federal (67,9), Minas Gerais (68,5) e Rio de Janeiro (69,2). O quarto lugar ficou com São Paulo (73,5). Em 2000, os estados com as menores taxas são: Distrito Federal (70,2), São Paulo (70,4) e Minas Gerais (72,8).

MIGRAÇÃO

Aumenta 2,8 vezes o número de brasileiros que voltam do exterior

Quando se analisam os movimentos migratórios com base na informação sobre o lugar de residência 5 anos antes do censo, observa-se que quase triplicou o número de brasileiros que voltaram do exterior para o Brasil, entre os censos de 1991 e 2000.

Em 1991, 66.217 recenseados declararam que viviam em um país estrangeiro 5 anos antes. Entre eles, 31.124 (47%) eram brasileiros natos, 3.485 (5,3%) eram naturalizados brasileiros (5,3%) e 31.609 eram estrangeiros (47,7%).

Em 2000, 143.133 pessoas declararam que moravam no exterior 5 anos antes, o que representa um aumento de 116%. Entre elas, 87.599 (61,2%) eram brasileiras. Ou seja, houve aumento de 281,5%. Eram naturalizados brasileiros 6.636 ou 4,6%, e 48.898 ou 34,2% eram estrangeiros.

Cai o número de estrangeiros que vivem no Brasil

Com base na informação sobre o lugar de nascimento dos recenseados, os dados da amostra do Censo 2000 revelam que havia 510.068 estrangeiros vivendo no Brasil em 2000. O número vem caindo continuamente a cada censo, já que os fluxos mais intensos de migração do exterior para o Brasil ocorreram até a década de 1950.

Em 1970, foram recenseados 1.082.745 estrangeiros no País. Em 1980, o número caiu para 912.848 e em 1991, para 606.636.

Portugueses, japoneses, italianos e espanhóis mantêm-se como os maiores contingentes de estrangeiros no Brasil. Porém, o tamanho desses grupos vem se reduzindo continuamente, tanto em números absolutos, quanto em participação percentual.

Estrangeiros e percentual no total de estrangeiros, por ano censitário, segundo os países de nascimento
  1970 1980 1991 2000
Total % Total % Total % Total %
Portugal 410.216 37,89 348.815 38,21 224.849 37,06 175.794 34,46
Japão 142.685 13,18 115.118 12,61 67.024 11,05 52.496 10,29
Itália 128.726 11,89 87.076 9,54 53.543 8,83 43.718 8,57
Espanha 115.893 10,70 81.290 8,91 47.047 7,76 35.809 7,02

Os únicos grupos a obter crescimento contínuo desde 1970 foram os de migrantes vindos da Bolívia, do Peru, da Colômbia e da Guiana Inglesa, embora suas participações no total de estrangeiros ainda sejam pequenas.

Estrangeiros e percentual no total de estrangeiros, por ano censitário, segundo os países de nascimento
  1970 1980 1991 2000
Total % Total % Total % Total %
Bolívia 9.945 0,92 10.342 1,13 11.938 1,97 14.642 2,87
Peru 2.141 0,20 3.221 0,35 4.468 0,74 8.232 1,61
Colômbia 805 0,07 1.228 0,13 1.694 0,28 3.269 0,64
Guiana Inglesa 329 0,03 623 0,07 727 0,12 971 0,19

O número de estrangeiros naturalizados brasileiros aumentou de 160.562, em 1991, para 173.452 em 2000, um crescimento de 8% no período analisado.

Ceará e Paraná reduzem perdas populacionais

Novamente utilizando a informação sobre o lugar de residência 5 anos antes do censo, as mudanças mais importantes no saldo migratório dos Estados são observadas no Ceará, Paraná, Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O Ceará e o Paraná diminuíram suas perdas populacionais entre os dois últimos censos. No período 1986/1991, ambos caracterizavam-se como Estados expulsores de população. As saídas do Ceará caíram 23,8%, e as entradas cresceram 33,9%. Assim, seu saldo migratório passou de –123.512 indivíduos em 1991, para –23.785 em 2000.

No Paraná, as saídas se reduziram 29,1%, e as entradas aumentaram 10,5%. Com isso, seu saldo migratório passou de –206.113, em 1991, para –39.686, em 2000.

No Pará, houve reversão de tendência. Em 1991, o saldo migratório havia sido positivo, de 29.240 indivíduos. Em 2000, o saldo tornou-se negativo em 52.195 indivíduos. Esse resultado se deve ao aumento de 27,9% nas saídas de migrantes e à queda de 14,3% no número de entradas.

Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, observa-se o contrário: o saldo migratório passou de negativo, em 1991, a positivo, em 2000. Em Minas, as entradas aumentaram em 20,4% enquanto as saídas caíram 14,8%, entre os dois censos. Já no segundo estado a reversão do sinal foi conseqüência de aumento de 26,2% nas entradas e redução de 7,1% nas saídas.

Aumentam as saídas de São Paulo

O saldo migratório de São Paulo caiu aproximadamente 54%, passando de 744.798 indivíduos no período de 1986/1991 para 339.926 no período de 1995/2000. Este comportamento foi conseqüência de uma redução de 12% no volume de entradas, junto com um aumento de 36% no efetivo de saídas.

O aumento das saídas se deve em parte à migração de retorno (migrantes voltando ao estado de origem). No entanto, 41% delas correspondem à movimentação de paulistas para outras Unidades da Federação. A maior parte das pessoas que saíram de São Paulo entre 1995 e 2000 foram para Minas Gerais, Paraná e Bahia. Os Estados que obtiveram o maior crescimento relativo, entre 1986/1991 e 1995/2000, no recebimento de pessoas que saíram de São Paulo foram Piauí (aumento de 115,9%), Amapá (95,5%), Ceará (83,7%) e Bahia (80,5%).

A Bahia, que historicamente sempre se caracterizou como expulsor de população, manteve esta tendência. Seu saldo migratório, no entanto, revela uma pequena diminuição em termos absolutos, passando de –282.477, em 1986/1991, para –267.465 em 1995/2000. O volume de entradas aumentou 34,3%, mas o de saídas também cresceu (10,4%).

PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA

Quanto mais populoso o município, menor a proporção de pessoas portadoras de deficiência

O Censo revelou existirem 24,6 milhões de pessoas portadoras de pelo menos uma das deficiências investigadas, o que corresponde a 14,5% da população brasileira, que era de 169,8 milhões em 2000. Esta proporção é maior nos municípios de até 100 mil habitantes. Para o conjunto dos municípios de menor porte, com até 20 mil habitantes, o percentual chega a 16,3%, caindo para 13% nos grandes municípios, aqueles com mais de 500 mil habitantes.

Também há diferenças quanto à cor ou raça. As populações indígena e preta apresentam proporções de 17,1% e 17,5%, respectivamente. Já as populações branca e amarela apresentam proporções inferiores a 14%.

Entre as deficiências pesquisadas, a dificuldade permanente para enxergar, mesmo com o uso de óculos, foi relatada por 16,6 milhões de pessoas, atingindo mais as mulheres. Já a deficiência física (tetraplegia, paraplegia, hemiplegia permanente e falta de membro ou de parte dele) atinge mais os homens, embora o percentual seja pequeno na população (0,9%).

É importante destacar que a proporção de pessoas portadoras de deficiência aumenta com a idade, passando de 4,3% nas crianças até 14 anos, para 54% do total das pessoas com idade superior a 65 anos. À medida que a estrutura da população está mais envelhecida, a proporção de portadores de deficiência aumenta, surgindo um novo elenco de demandas para atender as necessidades específicas deste grupo.

Aproximadamente 9 milhões de pessoas portadoras de deficiência estão trabalhando

Quando se trata da inserção de pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho, verifica-se uma proporção de pessoas ocupadas menor neste grupo que no das pessoas sem nenhuma das deficiências investigadas. Das 66,6 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade que compõem a população ocupada no País, 9,0 milhões são portadoras de alguma das deficiências pesquisadas.

A proporção de pessoas ocupadas de 10 anos ou mais é de 51,8% para os homens portadores de deficiência e de 63,0% para os homens que declararam não possuir nenhuma das deficiências investigadas, ou seja, uma diferença maior que 10%. Diferença semelhante é observada entre as mulheres: a proporção de ocupadas varia entre 27,3% e 37,2%. O tipo de deficiência que dificulta mais a inserção no mercado de trabalho é a deficiência mental: somente 19,3% das pessoas que declararam apresentar deficiência mental permanente estão ocupadas. As outras incapacidades permitem uma inserção maior no mercado de trabalho: incapacidade física ou motora (24,8%), dificuldade na audição (34,0%) e dificuldade para enxergar (40,8%). Para quem não apresenta nenhuma destas deficiências, a proporção de pessoas ocupadas sobe para 49,9%.

A diferença salarial entre homens e mulheres acompanha as disparidades da população em geral. Dos nove milhões de pessoas portadoras de deficiência ocupadas na semana de referência do Censo, ou seja, a última de julho de 2000, cerca de 17% dos homens ganhavam mais de cinco salários mínimos, enquanto entre as mulheres, apenas 9,2% estavam nesta faixa de rendimentos. Se considerarmos o conjunto de pessoas ocupadas que declararam não possuir nenhuma das deficiências investigadas a proporção dos que ganhavam mais de cinco salários mínimos sobe para 21,4% e 14,7%, respectivamente.

Por outra parte, 25,7% dos homens e 35,7% das mulheres portadoras de deficiência ganhavam até um salário mínimo no trabalho. Entre as pessoas que não possuem nenhuma das deficiências investigadas, o percentual dos homens e mulheres que ganham até um salário mínimo desce até 19,3% e 27,3%, respectivamente.

Em relação à instrução, as diferenças são marcantes, 32,9% da população sem instrução ou com menos de três anos de estudo é portadora de deficiência. As proporções de portadores de deficiência caem quando aumenta o nível de instrução, chegando a 10% de portadores entre as pessoas com mais de 11 anos de estudo.

Paraíba registra a maior proporção de casos de deficiência e São Paulo, a menor

Entre os estados, Paraíba é o que registra o maior número de casos de deficiência, com 18,8% da população declarando ser portadora de alguma incapacidade permanente. Considerando-se a população de 65 anos ou mais, a taxa sobe para 66,3 neste estado.

Todos os estados do Nordeste apresentam proporções acima da média brasileira (14,5%). Nos estados da região Norte, apenas Tocantins e Pará registram proporções superiores à média nacional. No Centro-Oeste, todos estão abaixo da média. Na região Sul, apenas Rio Grande do Sul está acima, com 15,1% e, na região Sudeste, São Paulo apresenta uma média de 11,4%, bem inferior à dos demais estados.

EDUCAÇÃO

Indicadores de educação revelam desigualdade racial

O Censo 2000 mostrou que a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais varia de acordo com cor ou raça. Enquanto na população de cor branca era de 8,3%, na que se declarou de cor preta, atingiu 21,5%. A população indígena tinha a maior taxa de analfabetismo ( 26,1%) e a de cor amarela ( asiáticos e descendentes), a menor ( 4,9%). Entre a população parda, a taxa era de 18,2% e para o total do País, 12,9%.

As taxas de analfabetismo são maiores nos municípios menos populosos. Isto ocorre para todas as categorias de cor ou raça. Nas cidades com até 20 mil habitantes, a taxa de analfabetos entre brancos era de 14,8%, para as pessoas de cor preta alcançava 37,5% e as pardas, 28,9%.

Em 2000, apesar da quase universalização do acesso à escola das crianças de 10 a 14 anos, 5,9% ( mais de um milhão) ainda eram analfabetas, e 77,8% delas residiam em municípios com até 100 mil habitantes. Embora tenham caído para todos os grupos de cor, as taxas de analfabetismo ainda são duas vezes mais elevadas para as crianças pretas ou pardas ( 9,9% e 8,5%) do que para as brancas ( 3,0%).

As taxas de analfabetismo entre as meninas eram, em geral, mais baixas do que entre meninos, mas chama a atenção essa diferença entre as crianças pretas: taxa de 12,4% para os meninos e 7,1% entre as meninas.

Taxa de analfabetismo das pessoas 10 anos ou mais de idade, por cor ou raça - Brasil 1991 e 2000
  Cor ou raça
Total Branca Preta Amarela Parda Indígena Sem declaração
Pessoas de 10 a 14 anos
1991 16,1 7,1 24,5 3,1 23,8 48,6 16,4
2000 5,9 3,0 9,9 3,0 8,5 19,8 8,0
  Pessoas de 15 anos ou mais de idade
1991 19,4 11,9 31,5 5,4 27,8 50,8 18,7
2000 12,9 8,3 21,5 4,9 18,2 26,1 16,1
 
  Redução das taxas entre 1991 e 2000, em pontos percentuais
10 a 14 anos -10,2 -4,1 -14,6 -0,1 -15,3 -28,8 -8,4
15 anos ou mais -6,5 -3,6 -10,0 -0,5 -9,6 -24,7 -2,6

Fonte IBGE- Censo Demográfico- 1991 e 2000

Os resultados revelam que, apesar de a média de anos de estudo ter aumentado de forma generalizada na última década, as desigualdades raciais permanecem. Em 2000, a população branca tinha em média 6,6 anos de estudo, enquanto a de cor preta, 4,6 anos, e a parda, 4,9 anos. Embora continue tendo a menor média de anos de estudo ( 4,1), a população indígena foi a que mais avançou ( em 91, sua média era de 2,1). A maior média de anos de estudo foi encontrada entre as pessoas de cor ou raça amarela, com 8,7 anos de estudo.

Média de anos de estudo da população de 10 anos ou mais de idade, por cor, segundo o sexo Brasil 1991
Sexo Média de anos de estudo da população de 10 anos ou mais de idade
Cor das pessoas
Total Branca Preta Amarela Parda Indígena Sem declaração
Total 4,7 5,6 3,4 8,2 3,7 2,1 3,4
Homens 4,6 5,6 3,4 8,5 3,5 2,2 3,5
Mulheres 4,7 5,6 3,4 7,9 3,8 2,0 3,2

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1991.

Média de anos de estudo da população de 10 anos ou mais de idade, por cor, segundo o sexo Brasil 2000
Sexo Média de anos de estudo da população de 10 anos ou mais de idade
Cor das pessoas
Total Branca Preta Amarela Parda Indígena Sem declaração
Total 5,8 6,6 4,6 8,7 4,9 4,1 5,1
Homens 5,7 6,5 4,5 8,9 4,7 4,1 4,9
Mulheres 6,0 6,7 4,8 8,5 5,1 4,1 5,3

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000.

Diferença entre as médias de anos de estudo da população de 10 anos ou mais de idade, por cor, segundo o sexo - Brasil 2000/1991
Sexo Média de anos de estudo da população de 10 anos ou mais de idade
Cor das pessoas
Total Branca Preta Amarela Parda Indígena Sem declaração
Total 1,1 1,0 1,2 0,5 1,2 2,0 1,7
Homens 1,1 0,9 1,1 0,4 1,2 1,9 1,4
Mulheres 1,3 1,1 1,4 0,6 1,3 2,1 2,1

Fonte: IBGE

Pela primeira vez, o Censo pesquisou a distribuição dos estudantes por rede de ensino e constatou que 81% estavam na rede pública, sendo essa proporção de 94,2% nos municípios menores e de 67,6% nos maiores. Na rede particular, estavam 18,9% dos estudantes de todo o País ( 5,8% nas cidades menores e 32,4% nas maiores).

Na rede pública estudavam 68,1% dos alunos de Educação Infantil; 89% do ensino fundamental; 78% do ensino médio; e 94,7% dos alunos de alfabetização de adultos. No ensino superior, no entanto, apenas um terço do alunado freqüentava a rede pública.

Merecem destaque as diferenças encontradas para Educação Infantil: enquanto nas pequenas cidades, 91,7% dos estudantes desse nível de ensino freqüentavam escolas públicas, nas cidades com população superior a 500 mil essa proporção era menos da metade, 46,8%.

As percentagens de estudantes de 7 a 14 anos de idade que não freqüentavam a série adequada à idade ainda eram altas em 2000, mas o índice de defasagem era muito mais elevado na rede pública. Aos 7 anos, a proporção de defasados era de 15% tanto na rede particular como na pública. Porém, na medida em que aumenta a idade, aumenta significativamente as diferenças entre as taxas. O maior hiato ocorreu para as crianças de 13 anos: enquanto 27,1% das que estudavam em escolas particulares estavam defasadas, este percentual atingiu 65,7% entre as crianças da rede pública.

Na comparação entre os municípios mais ou menos populosos, ficou evidente que nos que tinham até 100 mil habitantes, as taxas de defasagem eram mais elevadas do que a média nacional. Aliás, todos os indicadores de educação são diferenciados por porte populacional dos municípios. A população de 10 anos ou mais sem instrução e com menos de um ano de estudo, que no Brasil totaliza 11,2%, chega a 18% nos municípios com até 20 mil habitantes; enquanto naqueles com mais de 500 mil habitantes equivale a 5,5%.

Nas cidades menores, 44,4% das pessoas de 10 anos ou mais de idade tinham até três anos de estudo, e apenas 9,4%, mais de 11 anos de estudo. Já nas maiores, se encontravam as pessoas mais instruídas: 31% da população com mais de 11 anos de estudo, e 17,9% com até três.

Quanto à freqüência escolar, a maior diferenciação se dá na educação infantil, especialmente na faixa de 0 a 3 anos de idade. Os municípios com mais de 500 mil habitantes têm 13,9% de suas crianças nessas idades freqüentando escola, mais que o dobro da taxa nos municípios com até 20 mil habitantes (6,2%). Somente na faixa dos 7 aos 14 anos, em que o ensino está praticamente universalizado, é que as taxas de freqüência escolar nos municípios maiores e menores se aproximam ( 96,3% a 93%). A diferença volta a aumentar nos grupos de 15 a 17 anos e 18 a 24 anos: 84,5% a 71,2%, e 38,1% a 27,4%, respectivamente.

Os resultados do Censo mostram ainda que as pessoas residentes em áreas urbanas, independentemente do porte populacional dos municípios, apresentaram níveis educacionais mais elevados. O mesmo ocorre com a escolaridade das mulheres que, em geral, superam à dos homens.

DOMICÍLIOS

Mais da metade dos domicílios brasileiros tem de 1 a 2 moradores por dormitório

O Censo mostrou que 51% dos domicílios brasileiros tinham de 1 a 2 moradores por dormitório, em 2000. Apenas 9,9% tinham até 1 morador por dormitório; 23,8% tinham mais de 2 a 3: e 15,2%, mais de 3. A densidade de moradores por dormitório é uma medida importante de qualidade de vida.

Os municípios com mais de 500 mil habitantes tinham as maiores proporções tanto de domicílios com mais de 3 moradores por dormitório ( 16,1%), quanto de domicílios com até um morador por dormitório ( 11,5%). Os municípios com até 20 mil habitantes tinham as menores proporções nessa pontas: 14,2% de domicílios com mais de 3 moradores por dormitório, e 8,9% com até um morador por dormitório.

Quanto aos bens duráveis, as diferenças entre os municípios maiores e menores também são grandes, até mesmo para os bens mais populares, como rádio, televisão e geladeira. Nos municípios com até 20 mil habitantes, 81,4% dos domicílios tinham rádio, 74,2% tinham televisão e 67,1%, geladeira. Já nos municípios com mais de 500 mil habitantes, as proporções de domicílios com esses bens eram de 92,8%, 96% e 94,9%, respectivamente.

O microcomputador estava presente em 19,6% dos domicílios nos municípios maiores e em apenas 2,7% nos menores. Para o video-cassete, essa relação era de 53,6% para 13,75% ( mais de 500 mil e menos de 20 mil habitantes); para forno de microondas, 32,9% e 6%; para máquina de lavar , 49,7% e 14%; para aparelho de ar-condicionado, 12,2% e 2,4%; e para automóvel de uso particular, 40,4% e 23,6%.

Os dados do Censo revelaram desigualdade na oferta de todos os tipos de serviços entre os municípios de maior e os de menor porte populacional. Enquanto 39,2% do total dos domicílios brasileiros tinham linha telefônica instalada, nos municípios com até 20 mil habitantes essa proporção era de 15,1%, em contraste com os municípios com mais de 500 mil habitantes, em que a proporção atingia 60,3% dos domicílios. A iluminação elétrica era o serviço com menor desigualdade: abrangia 86,4% dos domicílios em municípios com até 20 mil habitantes, e 99,8% dos domicílios naqueles com população maior que 500 mil.

NUPCIALIDADE

População dos municípios maiores tem a maior proporção de pessoas separadas

Os dados do Censo sobre estado conjugal da população brasileira de 10 anos ou mais de idade revelaram que os municípios com mais de 500 mil habitantes tinham as maiores proporções de pessoas desquitadas, separadas ou divorciadas (9,5% de suas populações), e também de viúvos (4,4%), e a menor proporção de pessoas casadas ou unidas (47,2%).

Em 2000, quase a metade da população de 10 anos ou mais do País era composta por pessoas casadas ou unidas a um cônjuge (49,5%); 38,6% eram solteiras; 7,8% desquitadas, separadas ou divorciadas; e 4,1% eram viúvas. Dentre as que tinham cônjuge, 71,4% casaram no civil ou religioso e 28,6% viviam em união consensual. Nos municípios maiores, a proporção de união consensual chegava a 31,3%.

Por categorias de cor ou raça, os resultados mostraram que a população indígena tinha a maior proporção de pessoas vivendo em união consensual: 46,9% entre aqueles que viviam em companhia de um cônjuge. No outro extremo, se encontrava a população de cor amarela, com apenas 12,5% nessa situação. Essa era, portanto, a categoria de cor com mais casamentos formais: 87,5% se casaram no civil ou religioso. A população de cor preta e a indígena apresentaram os maiores percentuais de pessoas desquitadas, separadas ou divorciadas (10,2% e 9,7%, respectivamente).

Tabela 1: % de pessoas de 10 anos e mais de idade por estado conjugal e situação do domicílio, Brasil 2000
    Pessoas de 10 anos e mais de idade
Situação do domicílio e classes de tamanho da população dos municípios Total Estado conjugal
Solteiras (1) Casadas / Unidas Desquitadas ou Separadas e Divorciadas (2)
Total No civil e/ou religioso União consen-sual
Total 136 910 358 38,6 49,5 71,4 28,6 7,8
Urbana 112 387 959 38,3 49,0 70,8 29,2 8,5
Rural 24 522 399 40,3 51,7 74,0 26,0 5,0

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000 - Amostra.
(1)Não vivem e nunca viveram em companhia de cônjuge
(2) Não vivem em companhia de cônjuge, mas já viveram.

FAMÍLIAS

Família clássica ainda é maioria no Brasil

Em 2000, mais da metade (55,4%) das famílias brasileiras ainda era formadas pelo casal com seus filhos, dentro do modelo clássico da família nuclear. Desse conjunto, 52,4% tinha como responsável um homem e 3,0%, uma mulher. A proporção de famílias monoparentais femininas (mulher responsável sem cônjuge) com a presença de filhos chegava a 12,6%.

A família clássica tinha presença predominante principalmente nos municípios com população de até 20 mil habitantes (57,4%). Já as famílias monoparentais femininas se destacavam nos municípios grandes ( 14,4%). Nos municípios menores, esse tipo de arranjo familiar representava 10,1% do total.

Tabela 2: % de pessoas de 10 anos e mais de idade por estado conjugal e cor ou raça - Brasil 2000
Cor ou raça e classes de tamanho da população dos municípios Pessoas de 10 anos e mais de idade
Total Estado conjugal
Solteiras (1) Casadas / Unidas Desquitadas ou Separadas e Divorciadas (2) Viúvas
Total No civil e/ou religioso União consensual
Total 136 910 358 38,6 49,5 71,4 28,6 7,8 4,1
Branca 74 149 482 36,9 51,3 77,2 22,8 7,1 4,6
Preta 8 965 594 37,9 47,3 59,8 40,2 10,2 4,6
Amarela 675 292 35,7 52,9 87,5 12,5 5,8 5,7
Parda 51 658 035 41,2 47,2 64,4 35,6 8,4 3,2
Indígena 572 945 33,6 52,4 53,1 46,9 9,7 4,3

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000 - Amostra.
Não vivem e nunca viveram em companhia de cônjuge
Não vivem em companhia de cônjuge, mas já viveram

Tabela 1: Distribuição das famílias por tipo e a situação do domicílio, segundo as classes de tamanho da população dos municípios Brasil - 2000
Classes de tamanho da população dos municípios Unipessoal 2 ou + pessoas sem parentesco Casal sem filhos Casal com filhos (1) Mulher sem cônjuge com filhos Casal com filhos (2) Outras modalidades
Total 8,3 0,2 15,6 52,4 12,6 3,0 7,9
Até 20.000 8,0 0,1 15,3 57,4 10,1 1,5 7,5
de 20.001 até 100.000 7,6 0,1 15,1 55,3 11,8 2,3 7,7
de 100.001 até 500.000 8,1 0,2 15,6 52,2 13,2 3,3 7,4
mais de 500.000 9,5 0,4 16,1 46,4 14,4 4,2 9,0

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000
Nota: (1) Casal com filhos sendo o responsável do sexo masculino.
(2) Casal com filhos sendo o responsável do sexo feminino.

COMENTÁRIOS SOBRE OS RESULTADOS DE TRABALHO E RENDIMENTO DA AMOSTRA DO CENSO DEMOGRÁFICO DE 2000

Com base no Censo Demográfico de 2000, foi construído um conjunto de indicadores para quatro classes de municípios definidas pelo tamanho da população (até 20 000 habitantes; mais de 20 000 a 100 000 habitantes; mais de 100 000 a 500 000 habitantes; e mais de 500 000 habitantes). Com base neste conjunto de indicadores, pôde-se perceber diferenças sensíveis entre esses agrupamentos de municípios, em termos do nível e composição da população ocupada e dos rendimentos.

Na população ocupada, a parcela das pessoas residentes em área rural representava 46,3% no grupo dos municípios com até 20 000 habitantes, 27,0% no grupo de mais de 20 000 a 100 000 habitantes, 5,4% no de mais de 100 000 a 500 000 habitantes e somente 1,8% naquele de mais de 500 000 habitantes.

Constatou-se que o nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população de 10 anos ou mais de idade) da parcela residente em área urbana era superior ao da rural somente no grupo constituído pelos municípios com mais de 500 000 habitantes.

O nível da ocupação da população masculina situou-se em 64,3% no grupo dos municípios com até 20 000 habitantes, foi diminuindo nos seguintes e atingiu 59,1% no de 500 000 habitantes ou mais. O comportamento foi inverso para o nível da ocupação da população feminina (situou-se em 32,6% no grupo de até 20 000 habitantes e alcançou 38,6% no de 500 000 habitantes ou mais).

A participação feminina na população ocupada foi de 32,8% nos municípios de até 20 000 habitantes e cresceu com o aumento do tamanho dos grupos de população dos municípios, tendo alcançado 42,5% no grupo de municípios com 500 000 habitantes ou mais.

No grupo dos municípios com até 20 000 habitantes, as atividades da agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e pesca absorveram 47,2% da população ocupada. Apesar de muito distanciado, este percentual referente ao grupo dos municípios com mais de 20 000 a 100 000 habitantes ainda foi bastante expressivo (27,0%). No grupo dos municípios de mais 100 000 a 500 000 habitantes este indicador caiu para 5,4% e restringiu-se a somente 0,9% nos municípios de 500 000 habitantes ou mais.

Enquanto a categoria dos empregados ampliou a sua participação na população ocupada com o aumento do tamanho dos grupos de população dos municípios, diminuíram as das categorias dos trabalhadores por conta própria, não remunerados em ajuda a membro do domicílio e trabalhadores na produção para próprio consumo. As participações dos trabalhadores não remunerados em ajuda a membro do domicílio e dos trabalhadores na produção para o próprio consumo nos grupos de municípios de até 20 000 habitantes e de mais de 20 000 a 100 000 habitantes foram mais relevantes em função destes conjuntos de municípios apresentarem maior concentração de atividades mais propícias a essas formas de inserção no mercado de trabalho.

Na população ocupada, a participação dos empregados foi de 53,9% no grupo dos municípios com até 20 000 habitantes e de 74,5% no daqueles com mais de 500 000 habitantes. Nos municípios com até 20 000 habitantes, a participação dos trabalhadores por conta própria na população ocupada alcançou 26,6%, a dos trabalhadores não remunerados em ajuda a membro do domicílio, 9,6% e a dos trabalhadores na produção para o próprio consumo, 8,1%. Nos municípios com mais de 500 000 habitantes, estes percentuais ficaram, respectivamente, em 21,0%, 0,8% e 0,1%.

O registro do emprego em carteira de trabalho mostrou-se mais difundido nos municípios com população acima de 100 000 habitantes. O percentual de pessoas com carteira de trabalho assinada na população empregada do grupo de mais de 500 000 habitantes (62,9%) ficou próximo ao do grupo de mais de 100 000 a 500 000 habitantes (61,3%), mas bastante distanciado dos referentes aos grupos de até 20 000 habitantes (38,2%) e de mais de 20 000 a 100 000 habitantes (48,5%).

Os rendimentos medianos foram menores no grupo de municípios com até 20 000 habitantes e cresceram nos grupos seguintes. Este mesmo comportamento foi observado para as populações masculina e feminina.

O rendimento nominal mediano mensal das pessoas de 10 anos ou mais de idade, com rendimento, passou de R$ 160 nos municípios com até 20 000 habitantes para R$ 401 naqueles com mais de 500 000 habitantes. O rendimento mediano do primeiro grupo representou perto de 40% daquele referente ao último.

O rendimento nominal mediano mensal dos homens de 10 anos ou mais de idade, com rendimento, manteve-se superior ao das mulheres em todos os quatro grupos de municípios. Nos municípios com até 20 000 habitantes, o rendimento nominal mediano mensal das mulheres era de R$ 151 e o dos homens de R$ 200. Já nos municípios com população maior que 500 000 habitantes, esses valores eram, respectivamente, R$ 349 e R$ 500.

O rendimento nominal mediano mensal dos domicílios particulares permanentes, com rendimento, ficou em R$ 350 nos municípios com até 20 000 habitantes e atingiu R$ 870 naqueles com mais de 500 000 habitantes. O rendimento mediano do primeiro grupo representou cerca de 40% daquele referente ao último.

Comunicação Social
20 de dezembro de 2002


Censo 2000 :: Servidor de Mapas

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