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  Contas Nacionais

O Crescimento de 4,36% da economia brasileira em 2000 foi impulsionado pelo consumo

Diminui a poupança das famílias e o governo reduz sua "despoupança"

A análise do PIB pela ótica da despesa revela que o consumo das famílias cresceu 3,75% em termos reais no ano 2000. O crescimento do consumo pessoal, acima do crescimento da renda disponível, fez com que o setor institucional famílias, tivesse sua participação na poupança nacional bruta reduzida de 52,67%, em 1999, para 37,56% em 2000, em razão, principalmente, do aumento de seu endividamento.

Em decorrência desta redução da poupança, os juros líquidos recebidos pelas famílias passaram de R$ 36,9 bilhões, em 1999, para R$ 24,7 bilhões, em 2000.

Em relação à contribuição de cada setor institucional para a poupança nacional bruta, como apresentado (gráfico 5), destaca-se a participação da administração pública, que teve reduzida sua influência negativa (ou despoupança), na composição da poupança nacional bruta, passando de –37,30% em 1999, para –16,97% no ano de 2000, em razão, sobretudo, do aumento de 15,3% na arrecadação tributária de um ano para outro e da redução das despesas com juros. As empresas não-financeiras apresentaram queda relativa de participação (de 80,15% para 75,39%), embora se mantenha como o setor mais relevante para a formação da poupança nacional.

A Carga Tributária representa 32,34% do PIB

O crescimento de 15% da arrecadação tributária do governo fez com que a carga tributária passasse a representar 32,34% do PIB. Este crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento da arrecadação de 81% da CPMF (aumento da alíquota de 0,20% para 0,38% em junho de 1999 e redução para 0,30% em julho de 2000); de 25% do COFINS (aumento da alíquota de 2% para 3% a partir de março de 1999 e obrigatoriedade de pagamento dessa contribuição pelas instituições financeiras); e de 23% do ICMS (devido em grande parte ao programa de refinanciamento estadual que permitiu o parcelamento em até 12 meses de débitos tributários).

Despesas com Juros do Governo cai em 2000

Em função da queda da taxa Selic (passou de 19% ao ano, em 1999, para 15,75%, no ano 2000), as despesas líquidas de juros do governo sofreram uma redução significativa, passando de R$ 81,2 bilhões para R$ 69,6 bilhões. Apesar disso, as despesas com juros continuam elevadas, sendo o segundo item mais relevante na despesa governamental.

Necessidade de financiamento externo se reduz em relação ao PIB

Os resultados das Contas Nacionais do Brasil revelam que apesar de a necessidade de financiamento do país ter crescido, de R$ 45,8 bilhões em 1999, para R$ 49,2 bilhões em 2000, sua relação com o PIB melhorou, passando de 4,76% para 4,52%. Essa melhora é conseqüência do aumento da arrecadação tributária e das despesas menores com juros, que geraram sucessivos superávits primários, proporcionando uma redução da necessidade de financiamento da administração pública, de R$ 70,5 bilhões em 1999, para R$ 50,4 bilhões no ano de 2000 (ou 7,31% do PIB em 99 para 4,64% do PIB em 2000).

62% dos Investimentos do país foram realizados pelas empresas não-financeiras

A taxa de investimentos fica inalterada no período 1996-2000, em torno de 19%. Quanto à contribuição dos setores institucionais para a formação bruta de capital fixo (que são os investimentos em relação ao PIB), as empresas não-financeiras responderam, em 2000, por cerca de 62% dos investimentos realizados na economia brasileira e por 85% da parcela relativa aos investimentos em máquinas e equipamentos. Tanto em 1999 como em 2000, a totalidade da formação bruta de capital fixo (FBCF) desse setor institucional (empresas não-financeiras) foi financiada com recursos próprios.

O setor institucional famílias, em função do peso elevado na atividade construção, é o segundo setor mais importante para a FBCF da economia brasileira, com uma participação de 28,20%. O investimento realizado pela administração pública foi de 9,9%, o equivalente a R$ 20,9 bilhões no ano 2000. O Gráfico 6 apresenta a participação dos setores na composição dos investimentos, em 2000.

As microempresas e os trabalhadores autônomos têm maior participação no setor famílias

As microempresas e os trabalhadores autônomos respondem pela maior parte da renda gerada pelo setor institucional famílias, passando de 40,19% em 1999 para 41,94% em 2000. A publicação Contas Nacionais do Brasil 1995-2000 permite ainda verificar, na tabela 33, o papel desempenhado pelas famílias como entidades produtivas, e não apenas consumidoras, avaliando sua contribuição para a formação da renda na agricultura e em outras atividades, onde sua presença é marcante.

As empresas não-financeiras geram mais renda que as financeiras e as famílias

A análise do setor institucional mostra que a participação das empresas não-financeiras na geração da renda continua aumentando, tendo passado de 48,51% em 1999, para 50,31% em 2000. O crescimento do peso das empresas não-financeiras ocorreu em detrimento dos setores institucionais famílias e empresas financeiras, que tiveram suas participações reduzidas. Famílias caiu de 33,89% em 1999 para 32,04% em 2000 e as empresas financeiras, que já vinham apresentando queda na participação, como conseqüência do controle da inflação, reduziram sua participação de 6,06% em 1999, para 5,26%, em 2000, em função da diminuição do spread bancário.

A participação do setor administração pública continua relativamente estável, em torno de 16% nos últimos anos da pesquisa. O gráfico a seguir apresenta a contribuição dos setores.

Automóveis, eletroeletrônicos e máquinas e tratores impulsionaram a economia brasileira em 2000

Os resultados preliminares das Contas Nacionais de 2000 revelam que o crescimento de 4,36% do PIB foi impulsionado, principalmente, pelo setor industrial, que cresceu 4,87%, com destaque para a indústria automobilística, que produziu 23,44% a mais que em 1999. Em seguida, vieram a fabricação de aparelhos e equipamentos de material elétrico, com crescimento de 16,82% e fabricação e manutenção de máquinas e tratores, que cresceu 16,64%.

O crescimento real de 4,36% da economia brasileira correspondeu à cifra de R$ 1,086 trilhão alcançado pelo PIB. A renda per capita também cresceu 2,99% em relação a 1999, atingindo R$ 6.386,98.

Os serviços cresceram 3,71%, com destaque para as atividades de comunicações (16,50%), transportes (5,63) e serviços prestados às empresas (5,16%).

A agropecuária teve o desempenho mais modesto, de 3,03%.

Expansão das exportações contribui para o crescimento do PIB

A análise do PIB pela ótica das despesas revela que o consumo das famílias cresceu 3,75% e o do governo 1,27%. Os investimentos, chamados aqui formação bruta de capital fixo (FBCF) cresceram 4,48%, o mesmo ocorrendo com as exportações, que subiram 11,36%.

Este crescimento das exportações, em volume, refletiu o resultado da desvalorização cambial ocorrida em 1999 e foi impulsionado pelos seguintes produtos: aparelhos transmissores ou receptores e componentes (115,22%), aviões (72,38%), chassis com motores e carrocerias (69%), automóveis de passageiros (55,31%), móveis (27%), motores geradores e transformadores elétricos (21,22%) e calçados (20,47%). Comparando com o ano de 1999, as receitas de exportações cresceram, em dólar, 14,73%, dado o bom desempenho dos produtos manufaturados, que cresceram 19,02%.

No entanto, as exportações não foram suficientes para compensar os efeitos do crescimento das importações (12,42%), o que representou um deficit na balança comercial de US$ 698 milhões, em 2000. O crescimento das importações foi impulsionado pelos seguintes grupos: matérias-primas e produtos intermediários (18,33%) e combustíveis e lubrificantes (49,30%). O desempenho das importações refletia a dependência externa de matérias-primas e de bens intermediários, conseqüentes do processo de abertura comercial pelo qual passa o país.

Repartição da renda entre trabalho, capital e administração pública fica estável.

A evolução da taxa de investimento, que é a relação entre a formação bruta de capital fixo e o PIB, é mostrada no gráfico a seguir, tanto a preços correntes como a preços do ano anterior. O desenho das duas linhas permite visualizar um maior crescimento, em 2000, da taxa a preços constantes, ou do ano anterior.

A participação das máquinas e equipamentos importados cresceu 6 pontos percentuais, representando 60,85% do total de despesas feitas em 2000, na compra destes itens.

Tabelas

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