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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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  Censo Demográfico 2000

População continua envelhecendo, mas a metade ainda tem até 24 anos

A idade mediana da população brasileira (idade que separa os 50% mais jovens dos 50% mais velhos) aumentou dois anos e meio em nove anos, alcançando, em 2000, o patamar dos 24,2 anos, sendo de 23,5 anos para os homens e 24,9 anos para as mulheres. A idade mediana em 1991 era 21,7 anos.

Esses dados, que acabam de ser divulgados, fazem parte das perguntas respondidas por toda população no Censo 2000.

O Estado do Rio de Janeiro tem a maior das idades medianas (28,1 anos) e o do Amapá, a menor delas (18,3 anos). Em quase todas as unidades da federação houve um diferencial da idade mediana de homens e mulheres, explicado pela maior expectativa de vida das mulheres.

Na composição por idade, no País como um todo, a contribuição do segmento de crianças de 0 a 14 anos no total da população caiu de 34,73%, em 1991, para 29,60%, em 2000. O grupo de idosos de 65 anos ou mais, por sua vez, seguiu, no mesmo período, trajetória ascendente: 4,83%, em 1991, contra 5,85%, em 2000.

A região Nordeste se destaca pela maior redução do contingente de crianças (-16,32%) e pelo maior aumento (10,15%) na proporção de pessoas entre 15 e 64 anos, consideradas potencialmente ativas. Já a região Centro-Oeste se destaca pelo maior crescimento relativo (30,58%) na proporção de pessoas de 65 anos ou mais.

Colinas e Santa Tereza, no Rio Grande do Sul, são os municípios com maior proporção de idosos de 65 anos ou mais de idade: 15,60% e 15,21%, respectivamente, de sua população total. Os municípios de União do Sul, com apenas 0,64% de idosos, e Sapezal ( 0,98%), ambos no Mato Grosso, têm a menor proporção de pessoas de 65 anos ou mais de idade.

Os municípios com as maiores proporções de população infantil (0 a 14 anos) se localizam no Acre. São eles: Santa Rosa do Purus, com 53,78% da população nesta faixa etária, e Jordão, com 53,14%. Imigrante e Colinas, no Rio Grande do Sul, têm a menor proporção de crianças, 17,30% e 17,83% de sua população total, respectivamente.

Brasil já tem 20 idosos para cada 100 crianças

O indicador que relaciona a população idosa com o contingente de crianças passou de 13,90 idosos para cada 100 crianças em 1991, para 19,77, em 2000. Isso significa que existem hoje, no Brasil, quase 20 pessoas de 65 anos ou mais de idade para cada 100 crianças de até 15 anos.

Esse indicador, que segue regionalmente o mesmo comportamento nacional, reflete a influência combinada da queda da fecundidade, cuja taxa está em torno de 2,2 filhos por mulher, e aumento da esperança de vida da população brasileira.

"Onda jovem" e estreitamento na base da pirâmide etária mudam razão de dependência

Junto à diminuição da proporção de crianças e à elevação da proporção de idosos, houve um grande número de pessoas entrando na idade potencialmente ativa, a chamada "onda jovem" dos anos 90. A relação entre a população que, em termos etários, é considerada potencialmente inativa (grupos de 0 a 14 anos e 65 anos e mais de idade) e a população potencialmente ativa (15 a 64 anos de idade) permite calcular o indicador Razão de Dependência.

Em 2000, para o total do País, a relação era de 54,93 crianças e idosos para cada grupo de 100 pessoas em idade ativa. Em 1991, esta mesma relação superava 65. O estreitamento na base da pirâmide etária é o principal fator responsável pela diminuição da Razão de Dependência no Brasil na última década.

As diferenças observadas nas razões de dependência entre as áreas urbana e rural, em 2000, são bastante significativas. Enquanto na área urbana, o peso das crianças e idosos sobre a população potencialmente ativa correspondia a 52,01 e nas áreas rurais este indicador alcançava 68,43.

Os estados das regiões Norte e Nordeste apresentam razões de dependência bastante elevadas nas áreas rurais, enquanto os estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste têm as mais reduzidas. Os destaques ficam com os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, onde os indicadores mostram que, para cada pessoa potencialmente inativa, existem duas pessoas potencialmente ativas.

Quase 120 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade se consideraram alfabetizadas em 2000

Em 1991, o Censo revelou que 80,3% das pessoas de 10 anos ou mais de idade eram alfabetizadas. Já em 2000, a taxa passou para 87,2%, o que significa que quase 120 milhões de brasileiros sabem ler e escrever, pelo menos, um bilhete simples. O Distrito Federal (94,8%) tem a maior taxa de alfabetização do país, seguido de Santa Catarina (94,3%), São Paulo e Rio Grande do Sul (ambas com 93,9%) e Rio de Janeiro (93,7%). O pior resultado é de Alagoas (68,2%).

Se em 1991 existiam 22,3 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade não alfabetizadas no país, em 2000 esse número caiu para 17,6 milhões. Por grupos de idade, verificou-se que, em relação à população de 10 a 14 anos, a taxa caiu de 17,7% em 1991 para 7,2% em 2000. No grupo de 15 anos e mais de idade, a taxa passou de 20,1% em 1991 para 13,6% em 2000.

Na comparação com 1991, verificou-se um aumento da taxa de alfabetização mais significativo na zona rural, onde essa taxa passou de 59,9% para 72,4%. Ainda nesse tipo de comparação, observa-se o progressivo aumento da taxa de alfabetização em todas as idades, mas sendo mais expressivo nas faixas etárias de 10 a 14 anos e a partir dos 40 anos.

Apesar dos avanços ocorridos nas regiões Norte e Nordeste, as maiores taxas de alfabetização encontram-se nas regiões Sul e Sudeste. O Sul, com 93%, tem a mais alta proporção de pessoas alfabetizadas, sendo que o município de São João do Oeste (SC) é o líder nacional, com 99,2% das pessoas de 10 anos ou mais de idade alfabetizadas, seguido de Morro Reuter (no Rio Grande do Sul, 98,4%) e Pomerode (em Santa Catarina, 98,2%). Já o Nordeste apresenta o pior desempenho: apenas 75,4% das pessoas de 10 anos ou mais se consideram alfabetizadas. Itamarati (AM) é o município que tem o pior resultado, com apenas 40,9% da população alfabetizada, seguido de Guaribas (no Piauí, 41,8%) e Jordão (no Acre, 42,2%).

O Norte e o Nordeste têm as maiores proporções de pessoas não-alfabetizadas do país, com 15,6% e 24,6%, respectivamente. Juntas, essas duas regiões têm mais de 10 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade analfabetas.

Observando-se a idade e o sexo das pessoas, verifica-se que as proporções de alfabetizados são maiores nas mulheres até 40 anos de idade e, a partir daí, os homens apresentam taxas superiores às das mulheres.

8 milhões de responsáveis pelo domicílio são analfabetos

Entre as pessoas de 10 anos ou mais de idade responsáveis pelo domicílio, a taxa de analfabetismo caiu de 23,8% em 1991 para 17,2% em 2000. Apesar dessa queda, em números absolutos, isso representa, aproximadamente, 8 milhões de responsáveis analfabetos, sendo que a metade deles vive no Nordeste.

É importante mencionar que 34,7% dos responsáveis pelo domicílio no Brasil têm, no máximo, 3 anos de estudo, escolaridade considerada baixa ou quase nula. Niterói (RJ) é o município brasileiro com a maior média de anos de estudo dos responsáveis pelo domicílio de 10 anos ou mais de idade (9,7). Em seguida, temos Florianópolis (9,6), Porto Alegre (9,1) e Vitória (9,0). Nos cinco municípios brasileiros com os piores resultados, os responsáveis pelos domicílios não chegaram a completar, em média, 1 ano de estudo. São eles: Guaribas (PI) com 0,8 anos de estudo, Massapê do Piauí e Novo Santo Antônio (ambos no Piauí, 0,9) e Poço Dantas e Casserengue (ambos na Paraíba, 0,9).

Apesar do perfil de escolaridade ser melhor entre os responsáveis mais jovens, os níveis alcançados ainda são baixos. Entre os responsáveis pelos domicílios de 15 a 19 anos e 20 a 24 anos, pouco mais de 20% dos jovens nessas faixas etárias completaram os 8 anos de estudo esperados.

Em relação aos responsáveis pelo domicílio de meia idade e os idosos, a taxa de analfabetismo varia de 11,6% na faixa de 40 a 49 anos a 41,3% para as pessoas de 70 anos e mais. A escolaridade também é baixa, visto que mais de 40% deles possuem, apenas, de 1 a 4 anos de estudo.

Das 11,2 milhões de mulheres que são responsáveis pelos domicílios, 3,4 milhões são idosas

No caso do Nordeste, deve-se considerar, além das mudanças recentes do âmbito cultural, a intensidade da migração nordestina masculina ocorrida nas últimas décadas. No município de Maceió, em Alagoas, 47,9% dos domicílios estão sob a responsabilidade das mulheres; em Teodoro Sampaio, na Bahia, a proporção é de 42,7%; e, no Recife (PE) 37,4%. No Estado de São Paulo, o município de Santos lidera com 32,6% dos domicílios sob a responsabilidade feminina e, no Rio de Janeiro, os municípios do Rio e Niterói atingem a mesma proporção, 35,3%. As cidades de Brasília (32,8%) e Porto Alegre (38,2%) também registram uma grande proporção de domicílios onde as mulheres são as responsáveis.

Os dados do Censo mostram também que, dentro do universo de 11,2 milhões de mulheres responsáveis pelos domicílios, 3,4 milhões têm mais de 60 anos de idade. No município de Salinas da Margarida, na Bahia, entre as mulheres responsáveis pelos domicílios, 53,3% são idosas e, na cidade de Raposos, em Minas Gerais, a proporção chega a 55,3%. Em Brasília, as idosas responsáveis pelos domicílios somam 40,7%, nos municípios de Curitiba, 43,0%, Recife, 50,6 %, Rio de Janeiro, 46,9%, Porto Alegre, 49,4%, e São Paulo, 41,5%.

Outra tendência confirmada no Censo 2000 é a diversificação na composição dos domicílios particulares permanentes do Brasil. A proporção de crianças na primeira infância (de 0 a 6 anos) que vivem em domicílio cujo responsável é do sexo feminino cresceu de 10,5%, em 1991, para 14,2%, em 2000. No município de Teodoro Sampaio, na Bahia, a proporção chega a 41,4% em 2000. Na cidade do Rio de Janeiro, 27,7% das crianças de 0 a 6 anos vivem em domicílios cujo responsável é mulher; nos municípios de São Paulo, 20,7%, e, em Santos 23,7%.

Aumenta o rendimento real médio das pessoas responsáveis pelos domicílios

O rendimento real médio dos responsáveis pelos domicílios brasileiros aumentou 41,9%, de 1991 a 2000, passando, em valores reais, de R$542,00 para R$769,00. Nesse período, a Região Sul apresentou o maior ganho real de 50,2%, seguida pelo Nordeste 48,8% e Centro-Oeste 45,3%. Em 1991, o país encontrava-se em processo recessivo e, até 2000, passou por uma recuperação intensificada pelos efeitos do Plano Real, foi atingido pelas turbulências ocorridas na ordem econômica internacional e começou novo período de recuperação.

Apesar dos ganhos reais expressivos observados de 1991 para 2000, a desigualdade econômica no país pode ser percebida pela diferença entre o rendimento médio das pessoas responsáveis pelos domicílios nas Grandes Regiões. Em 2000, o rendimento médio das pessoas responsáveis pelos domicílios na região Sudeste (R$945,00) foi mais do que o dobro daquele da região Nordeste (R$448,00).

De 1991 para 2000, a defasagem entre o rendimento médio das mulheres responsáveis pelos domicílios e o dos homens diminuiu em todas as Grandes Regiões do País. Em 1991, o rendimento médio das mulheres responsáveis pelos domicílios representava 63,1% do referente masculino e, em 2000, este percentual alcançou 71,5%.

O grau de concentração dos rendimentos das pessoas responsáveis pelos domicílios, medido pelo índice de Gini, passou de 0,637 em 1991 para 0,609 em 2000. Este indicador revelou que, em 2000, a região Sul apresentou a menor concentração desse rendimento (0,573) enquanto o Centro-Oeste deteve o grau mais elevado (0,622).

Mais de 70% dos domicílios brasileiros são próprios e apenas 9,6% são apartamentos

As informações do Censo 2000 mostram um Brasil com 98,4% de domicílios particulares permanentes ou seja, 44,8 milhões, com predomínio de domicílios tipo casa (89,4%) e 9,6% de apartamentos. Em 2000, havia uma média de 3,8 moradores por domicílio, sendo 3,7 na área urbana e 4,2 na área rural. Em 1991, a média de moradores por domicílio era de 4,2, sendo 4,0 na área urbana e 4,6 na área rural.

Entre os domicílios, predominam os próprios (que passaram de 69,8% em 1991 para 74,4% em 2000). No entanto, o número de domicílios alugados caiu (passou de 16,4 em 1991 para 14,3% em 2000). Nas áreas rurais, apesar da maioria dos domicílios serem próprios (72,7%), há um percentual significativo de domicílios cedidos (23,9%).

3,7 milhões de domicílios não têm banheiro nem sanitário

Das condições de saneamento básico, o esgotamento sanitário é o que está mais distante de atingir índice satisfatório, apesar do aumento da proporção de domicílios ligados à rede geral de esgoto ou com fossa séptica em todas as áreas do País: de 52,4%, em 1991, para 62,2%, em 2000.

Menos da metade dos domicílios das regiões Centro-Oeste (40,8%), Nordeste (37,9%) e Norte (35,6%) tinham, em 2000, rede geral de esgoto ou fossa séptica. Nestas regiões ainda predominam as fossas rudimentares, tanto para domicílios urbanos, quanto rurais.

O Sudeste continua sendo a região com as melhores condições de esgotamento sanitário: passou de uma cobertura de 74% dos domicílios, em 1991, para 82,3%, em 2000. Em seguida vem a região Sul, que passou de 53,4% para 63,8% dos domicílios com esgotamento adequado.

Dos 44,8 milhões de domicílios brasileiros, 7,5 milhões não tinham banheiro, e 3,7 milhões não tinham sequer sanitário, segundo levantamento do Censo 2000. Nas áreas rurais, 35,3% dos domicílios não dispõem de instalações sanitárias.

Abastecimento de água e coleta de lixo aumentam em todas as regiões

O crescimento do serviço de abastecimento de água por rede geral ocorre em todas as regiões do Brasil, embora de forma desigual. Para o total do País, passou de uma cobertura de 70,7% dos domicílios ligados à rede geral, em 1991, para 77,8%, em 2000.

Com uma cobertura acima de 90% nas áreas urbanas, nas regiões Sudeste e Sul a expansão se deu em direção às áreas rurais. No Sudeste, praticamente dobrou a proporção de domicílios rurais com abastecimento por rede, passando de 11,7% em 1991 para 22,2% em 2000. Proporcionalmente, no Sul, o crescimento de domicílios rurais com rede geral foi ainda maior (7,5% e 18,2%, nos dois períodos), o que garantiu um total de 88,3% e 80,1%, respectivamente, de domicílios ligados à rede geral de abastecimento de água.

A região Nordeste, apesar de ter um dos mais baixos percentuais de domicílios ligados à rede geral (66,4%), apresentou crescimento significativo no período entre os Censos Demográficos: avançou 7,2% na área urbana e dobrou o percentual de domicílios com acesso à rede geral na área rural.

A coleta de lixo também aumentou em todo País, chegando a 2000 com uma cobertura de 79% dos domicílios, contra 63,8% em 1991. As coberturas mais amplas se encontram nas regiões Sudeste (90,3%), Sul (83,6%) e Centro-Oeste (81,7%).

Comunicação Social
19 de dezembro de 2001

Censo Demográfico 2000

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