Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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  Pesquisa de Orçamentos Familiares - POF

Em 30 anos, importantes mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros

A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE analisa a composição dos gastos e do consumo das famílias segundo as classes de rendimento, entre julho de 2002 e julho de 2003 e permite verificar, na comparação com as pesquisas anteriores, algumas mudanças expressivas nas despesas e nos hábitos dos brasileiros.

Uma das grandes mudanças foi a forma de alocação dos recursos, pelas famílias. Há 30 anos, a parcela dos gastos permanentes, com alimentação, habitação, saúde, impostos, obrigações trabalhistas, correspondiam a 79,86% e, em 2003, a 93,26%. Com isso, os investimentos (em imóveis e outros) na última pesquisa ficaram em 4,76%. Eles já foram mais do triplo (16,50%) em 1974/75.

Os gastos com habitação, alimentação e transportes continuam como os três grandes grupos da despesa de consumo, que tiveram sua participação aumentada, em 30 anos, de 74,59% para 82,41% do total das despesas, embora as famílias tenham alterado a participação entre eles. Entre as demais despesas, o grupo das outras despesas correntes, que inclui impostos, serviços bancários, contribuições trabalhistas, pensões, etc., teve o seu percentual dobrado em 30 anos, passando de 5,27% para 10,85%. Apenas os impostos consomem hoje 4,46%, em média, do total das despesas do brasileiro.

A pesquisa mostra que, em 30 anos, o brasileiro diversificou sua alimentação, reduzindo o consumo de gêneros tradicionais como arroz, feijão, batata, pão e açúcar e aumentando, por exemplo, o consumo per capita de iogurte, que passou de 0, 4 kg para 2,9kg ou de refrigerante sabor guaraná, que saiu de pouco mais de um kg (1,7 kg) por pessoa/ano para quase 8 kg (7,7 kg). Até o leite de vaca pasteurizado, que é o produto adquirido em maior quantidade pelas famílias (38 kg por pessoa, anualmente), teve seu consumo reduzido em 40%, tendo chegado a 62,4kg em 1987. Já o consumo de água mineral saltou de 0,3 kg para 18,5kg per capita por ano. Um outro sinal de mudança nos hábitos é dado pelo consumo dos alimentos preparados, por exemplo, que passou de 1,7 kg para 5,4 kg per capita, no período.

A POF 2002/03 traz, ainda, novidades em relação às anteriores. Pela primeira vez foram investigados rendimentos e despesas não-monetários das famílias. Nas áreas rurais, por exemplo, a parcela não-monetária (trocas, doações etc.) dos rendimentos é a segunda maior (23,3%), atrás dos rendimentos do trabalho (53,4%) e à frente das transferências (16,2%), entre outras. Outra novidade são as questões subjetivas da POF sobre a qualidade de vida. Um exemplo: 27,15% das famílias brasileiras informaram ter muita dificuldade para chegar ao fim do mês com o seu rendimento.

Despesa média das famílias brasileiras é de R$ 1.778,03 por mês

A família brasileira gasta, em média, R$ 1.778,031 por mês, valor ligeiramente inferior ao seu rendimento médio mensal, que é de R$ 1.789,66. As despesas não-monetárias representam 15,9% do total. Este percentual é significativamente maior na área rural (24,01%) que na urbana (15,25%).

O Sudeste é onde se gasta mais (R$ 2.163,09 ou 21,66% acima da média nacional) e o Nordeste, onde se gasta menos (R$ 1.134,44 ou 36,20% abaixo da média). Entre as Unidades da Federação, os maiores valores foram do Distrito Federal (R$ 3.195,21), Rio de Janeiro (R$ 2.343,45) e São Paulo (R$ 2.337,17). Com valores mais baixos, aparecem Maranhão (R$ 842,66), Paraíba (R$ 904,24) e Piauí (R$ 975,67).

Em quase todas as classes de rendimento, o valor médio das despesas é maior que o valor do rendimento. Por exemplo, na classe de até R$ 400 de rendimento, ganha-se em média R$ 260,21, mas gasta-se R$ 454,702. Apenas as classes acima de R$ 3.000 gastam, em média, menos do que recebem (tabela abaixo).

O grupo de despesas que mais pesa no bolso da família brasileira é Habitação (29,26% da despesa total ou R$ 520,22 mensais), que inclui aluguel, telefone, luz, gás, água, manutenção e móveis, entre outros itens. O segundo grupo de maior peso é Alimentação (R$ 304,12 ou 17,10%), e o terceiro, Transporte (R$ 270,16 ou 15,19%). Os três grupos fazem parte das chamadas Despesas de consumo que, entre o ENDEF de 1974-75 e a POF de 2002-03, aumentaram sua participação no total das despesas de 74,59% para 82,41%.

Os outros grupos que compõem as despesas de consumo são Assistência à Saúde (5,35% da despesa total), Vestuário (4,68% do total), Educação (3,37%), Despesas diversas (2,30%), Recreação e cultura (1,97%), Higiene e cuidados pessoais (1,79%), Serviços pessoais (0,84%) e Fumo (0,57%).

Para Outras despesas correntes - incluem impostos, serviços bancários, contribuições trabalhistas, previdência privada e pensões - destinam-se em média R$ 192,97 mensais, ou 10,85% da despesa total, percentual que dobrou em 30 anos: era 5,27% no ENDEF de 1974-75. Apenas os impostos consomem, em média, R$ 79,31 ou 4,46% do total da despesa. Em 1974-75 consumiam quase quatro vezes menos (1,19%).

Outro item que aumentou muito foi despesas bancárias. Em 1996, elas correspondiam a 0,04% das despesas médias mensais familiares nas regiões metropolitanas investigadas (ou R$ 0,84, em valores de 2003); em 2003, já representavam 0,90% (ou R$ 18,73).

No mesmo período, caíram os percentuais gastos com o Aumento do ativo, que são os investimentos (de 16,50% para 4,76%), e com a Diminuição do passivo, que é o pagamento de dívidas (de 3,64% para 1,98%). A maior parte dos gastos com Aumento do ativo (R$ 84,59 em média) é reservada para aquisição de imóvel (R$ 49,33) ou sua reforma (R$ 34,82). Para outros investimentos são destinados apenas R$ 0,44 em média, o que representa 0,02% do total gasto.

Habitação e Alimentação respondem por 70% da despesa da classe mais baixa

Uma comparação entre os dois extremos das classes de rendimento familiar mensal revela as desigualdades no consumo, no país. A faixa de mais baixo rendimento (até R$ 400) representa 16,38% das famílias e a faixa mais alta (mais de R$ 6.000), 5,08%. De forma geral, em valores absolutos, os gastos aumentam conforme a renda, em todos os grupos de despesa. No entanto, em termos percentuais, é possível perceber as diferenças nos padrões de consumo.

Como na média do país, as despesas com Habitação ocupam o primeiro lugar no ranking nos dois extremos de rendimento, mas chegam a 37,15% na faixa mais baixa, enquanto na mais alta ficam em 22,79%. Só o item aluguel consome 17,27% na mais baixa e 10,08% na mais alta. Por outro lado, a classe mais alta investe uma parcela maior em aquisição de imóvel (7,15%) - que faz parte do grupo de despesas com Aumento do Ativo - do que a mais baixa (0,68%).

Na faixa menor de renda, a Alimentação consome a segunda maior fatia das despesas (32,68%), o triplo do que se gasta na faixa mais alta (9,04%). Assim, apenas Habitação e Alimentação, somadas, respondem por cerca de 70% das despesas de quem recebe até R$ 400 e, na faixa de mais de R$ 6 mil, cerca de 31,83%.

Em terceiro lugar, na faixa de renda menor, vem o Transporte, com 8,15% da despesa, boa parte desta destinada a transporte urbano (3,94%, contra 0,87% da classe alta). Já na faixa mais alta de renda, o Transporte fica em segundo, consumindo 17,26% da despesa total. Grande parte deste percentual refere-se a despesas com veículo próprio (8,20% com aquisição de veículos, 3,40% com gasolina, 0,33% com álcool, e 1,31% com manutenção). Na faixa mais baixa gasta-se apenas 1,66% com aquisição de veículos.

Em quarto lugar, no extremo inferior de renda, situam-se as despesas com Vestuário (5,29%) e em quinto, com Assistência a Saúde (4,08%). Os gastos com saúde consomem um percentual maior da despesa da classe mais alta (5,62%) e vêm em quarto lugar. Mas enquanto as famílias de renda mais baixa reservam um percentual maior para remédios (3,09% contra 1,33%), as de renda mais elevada gastam mais com plano de saúde (2,09% contra 0,28%) e tratamento dentário (0,68% contra 0,12%), por exemplo.

A sexta posição, na faixa inferior, é ocupada por Higiene e cuidados pessoais (2,40%), e a sétima, por Despesas diversas (1,46%). Neste último grupo, as famílias de renda superior gastam mais com os itens cerimônias e festas (0,52% contra 0,23%) e imóveis de uso ocasional (0,55% contra 0,21%).

Na oitava posição, na classe mais baixa, estão os gastos com Fumo (R$ 5,20 por mês ou 1,14%), à frente de Recreação e cultura (R$ 3,66 ou 0,81%), Serviços Pessoais (R$ 2,91 ou 0,64%) e Educação (R$ 3,63 ou 0,80%). Na faixa superior de renda o Fumo vem em último lugar no ranking (0,23%), embora em termos absolutos o gasto seja maior (R$ 20,08). Na média do Brasil, gasta-se mais com Fumo (R$ 10,20 por mês) do que com periódicos, livros e revistas (R$ 5,81), por exemplo. Outros itens não essenciais que consomem um percentual maior da faixa mais baixa de rendimento do que da mais alta são perfume (0,91%, contra 0,36% da faixa mais alta), cabeleireiro (0,45% contra 0,41%) e jogos e apostas (0,22% contra 0,14%).

Educação, em último no ranking das famílias de mais baixa renda, tem peso bem maior nos gastos das famílias de renda mais alta (4,89%), vindo em quinto lugar. Estas famílias gastam mais com cursos e livros, e as de renda mais baixa empregam percentual maior da despesa em artigos escolares (0,38% contra 0,12%).

As famílias de renda mais elevada também despendem mais com Recreação e cultura, grupo em que se destacam os itens periódicos, livros e revistas (0,43% contra 0,08% das famílias mais pobres) e aparelho celular e acessórios (0,19% contra 0,09%).

Percebem-se também grandes diferenças na forma como as famílias de alta e baixa renda organizam seu orçamento com outras despesas além das de consumo, já detalhadas. Por exemplo, a fatia destinada a Outras despesas correntes é de 2,55% para as da faixa mais baixa e de 19% para a faixa mais alta. Em todos os itens deste grupo a classe de renda superior gasta mais, com destaque para os impostos, que consomem 8,96% da despesa desta faixa (R$ 781,31 mensais) e 1,23% dos gastos da faixa inferior (R$ 5,61 mensais). O percentual gasto com impostos aumenta progressivamente com as classes de renda familiar.

Ainda neste grupo de despesas, a faixa superior de renda destina 2,52% do dispêndio total para pensões, mesadas e doações, contra 0,66% da faixa inferior. Os gastos com previdência privada correspondem a 0,76% do total da faixa superior e ficam bem próximos de zero na faixa inferior.

No grupo Aumento do ativo a diferença também é grande (8,65% da classe superior de renda contra 2,22% da inferior), sendo que as famílias da faixa alta gastam mais com aquisição de imóvel, como já foi citado, e as da faixa baixa empregam uma fatia maior em reforma de imóvel (1,52% contra 1,49%). Chama atenção o baixo valor destinado a outros investimentos, à exceção de imóveis, que é de apenas R$ 0,12 (0,03%), na faixa mais baixa, e de R$ 1,18 (0,01%) na mais alta.

Por fim, na Diminuição do passivo as famílias de alta renda também empregam uma fatia maior do total (2,47% contra 0,62%), e se destacam nos dois itens que compõem este grupo: empréstimo e carnê (1,35% contra 0,39%) e prestação de imóvel (1,12% contra 0,23%).

Na área urbana, gasta-se o dobro que na rural com alimentação fora de casa

Uma análise mais detalhada das despesas com alimentação revela que, dos R$ 304,12 destinados pelas famílias, em média, para este item, R$ 230,98 são gastos com alimentação no domicílio (75,95%) e R$ 73,14, com alimentação fora do domicílio (24,05%). Na área urbana, o percentual gasto com alimentação fora do domicílio (25,74%) é o dobro do da área rural (13,07%). O valor em reais utilizado para comer fora também é bem maior na área urbana (R$ 80,06) do que na rural (R$ 34,73). Por outro lado, o montante gasto para comer em casa é bem próximo nas duas áreas (cerca de R$ 230).

Entre as grandes regiões, a Sudeste é onde mais se gasta com alimentação fora do domicílio (26,91% ou R$ 89,34). Este valor é 75% maior que o do Nordeste (R$ 51,17 ou 19,52%) e 54% maior que o do Norte (R$ 57,95 ou 19,10%), que apresentam os menores percentuais.

Na média do país, a maior parte da despesa com alimentação fora do domicílio destina-se a almoço e jantar (R$ 30,55 ou 10,05% do total gasto com alimentos), e em seguida, a lanches (R$ 11,58 ou 3,81%) e cervejas, chopes e outras bebidas alcoólicas (R$ 10,15 ou 3,34%). A família brasileira gasta o dobro com bebidas alcoólicas fora de casa do que em casa (R$ 5,05).

O Norte e o Nordeste apresentam os menores percentuais de despesa com almoço e jantar fora de casa (5,82% e 6,48% do total do item Alimentação, respectivamente) e os maiores percentuais de gasto com bebidas alcoólicas fora do domicílio (4,35% e 4,15%, respectivamente).

Na comparação entre as classes extremas de rendimento mensal familiar, observa-se que a classe de rendimentos mais baixos (até R$ 400) gasta em média R$ 148,59 com alimentação: 88,19% com alimentação no domicílio e 11,81%, fora. Já a classe de rendimentos mais altos (mais de R$ 4.000) tem despesa média de R$ 662,72 com este item, sendo 62,95% para alimentação no domicílio e 37,05% para alimentação fora. Ou seja, a classe mais alta de rendimento gasta o triplo do percentual da mais baixa para comer fora. Além disso, despende com alimentação pouco mais que o dobro da média nacional, e o quádruplo da classe mais baixa.

Carne é o tipo de alimento que mais pesa nas despesas

Entre os tipos de alimentos consumidos pelas famílias brasileiras, considerando apenas a alimentação no domicílio, o grupo de Carnes, vísceras e pescados é o que mais pesa nas despesas (18,34%), seguido de Leites e derivados (11,94%), Panificados (10,92%) e Cereais, leguminosas e oleaginosas (10,36%).

Os números mostram algumas diferenças entre as áreas urbana e rural, quanto aos hábitos de alimentação no domicílio. Por exemplo, o percentual gasto com o grupo Bebidas e infusões é 56,05% maior na área urbana, principalmente devido à participação dos itens refrigerantes, 135,55% maior que na área rural, e cervejas e chopes, 160,14% maior. O grupo Alimentos preparados alcança na área urbana um percentual 358,84% maior que na rural.

Também entre as Grandes Regiões observam-se grandes diferenças no consumo de alimentos no domicílio. Por exemplo, a Região Norte é a que possui o maior percentual de despesa com Carnes, vísceras e pescados (26,30%, contra 16,47% do Sudeste, o mais baixo percentual). Grande parte desse gasto deve-se ao item pescados frescos (7,48%), que é muito mais consumido nessa região do que nas outras. Enquanto no Norte as famílias gastam R$ 18,37 ao mês com pescados, no Nordeste gastam R$ 5,23, no Sudeste, R$ 2,35, no Centro-Oeste, R$ 1,82 e no Sul, apenas R$ 1,50.

Uma comparação entre a POF de 2002/2003 e as anteriores (de 1987/88 e 1995/96), considerando apenas cinco regiões metropoliltanas (Belém, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), revela que, de um modo geral, aumentaram as participações dos itens Panificados e Bebidas e infusões no total da despesa com alimentação no domicílio; por outro lado, diminuíram as participações de Carnes, vísceras e pescados, Leites e derivados, Açúcares e derivados e Frutas.

Comparando-se os tipos de produtos consumidos nas duas classes extremas de rendimento mensal familiar, observa-se que a classe mais alta (mais de R$ 4.000) gasta um percentual maior de sua despesa total de alimentação com itens como: Frutas (3,54%, contra 2,44% da classe de até R$ 400); Leites e derivados (9,21% contra 7,72%), com destaque para queijos (2,67% contra 0,42%); azeite de oliva (0,45% contra 0,05%); refrigerantes (2,44% contra 1,34%) e bebidas alcoólicas (2,61% contra 0,53%); Enlatados e conservas (0,90% contra 0,41%), destacando-se maionese (0,25% contra 0,11%); e Alimentos Preparados (2,56% contra 0,81%).

No item carne de boi, a classe mais alta tem um gasto maior com carne de primeira (3,93% contra 2,43% da mais baixa), enquanto a classe de renda mais baixa gasta um percentual maior com carne de segunda (4,47% contra 1,06% da mais alta). Até a faixa de rendimento mensal familiar de R$ 1.000, os percentuais empregados são sempre maiores para a carne de segunda; quando o rendimento ultrapassa os R$ 1.000, passa-se a gastar mais com a carne de primeira.

Família brasileira tem rendimento médio mensal de R$ 1.789,66 e rendimento da área rural representa 45% do das áreas urbanas

A POF 2002-2003 revelou que a média do rendimento familiar mensal no Brasil - composta por uma parcela monetária e outra não-monetária - é R$1.789,66 e que nas áreas rurais essa média fica em R$873,94, ou seja, 45% do recebido nas áreas urbanas do País (R$1.954,43). Em ambas as áreas, o trabalho, que representa 62% do rendimento médio familiar nacional, é a principal fonte de renda. Na área urbana, a participação do rendimento do trabalho é de 62,7%, enquanto na área rural, esse percentual fica em 53,4%.

Pesquisado pela primeira vez, rendimento não-monetário chega a 14,6%

Pesquisada pela primeira vez, a parcela não monetária - que não inclui o pagamento em dinheiro, cheque ou cartão - pesa no rendimento médio familiar no Brasil 14,6%, cerca de R$261,00, e refere-se à utilização e consumo de produtos que são adquiridos através de produção própria, pesca, caça, trocas, doações, pagamentos em espécie e retiradas do negócio. Além desses itens, para as famílias que não pagam aluguel, mas residem em imóveis próprios ou cedidos, foi feito um cálculo para estimar de quanto seria essa despesa. Entre as regiões, Norte (16,6%) e Nordeste (15,5%) apresentaram as maiores participações do rendimento não-monetário.

Nas áreas rurais, rendimentos não-monetários são a segunda fonte de renda

Nas áreas urbanas, os rendimentos não-monetários (13,9%) têm participação bastante similar à média nacional na composição do rendimento médio familiar e ficam atrás das transferências (14,9%). Já nas áreas rurais, onde é mais comum a produção própria, a pesca e a caça, depois do rendimento do trabalho (53,4%), o rendimento não-monetário (23,3%) é a segunda principal fonte de renda.

O rendimento médio mensal proveniente do trabalho é R$1.109,39

Segundo a POF 2002-2003, os dados sobre o rendimento médio familiar mostraram que, em relação à parcela monetária, no Brasil, 62% dos rendimentos vêm do trabalho. Em números absolutos, isso significa que, da média de R$1.789,66 dos rendimentos da população brasileira, R$1.109,39 são provenientes do trabalho.

Além do rendimento do trabalho, a parcela monetária inclui as transferências (15,0% ou R$268,78), os rendimentos de aluguel de bens móveis e imóveis (1,8% ou R$32,80) e outros rendimentos da família (6,6% ou R$117,73), como vendas esporádicas, empréstimo e aplicações de capital.

75% das transferências vêm da aposentadoria de previdência social

Com peso maior no rendimento familiar do que a parcela não-monetária no Brasil e nas áreas urbanas, as transferências (15,0%) são a segunda principal fonte de renda, com destaque para os rendimentos da aposentadoria de previdência social, cuja participação chega a 75%. Nas áreas rurais, a participação das transferências (16,2%), é terceira mais importante, após o trabalho e o rendimento não-monetário.

Famílias no Nordeste e Norte são maiores, mas têm os menores rendimentos

Em relação às grandes regiões, os dados da POF revelaram que, quanto maior o tamanho da família, mais baixo o rendimento. O Nordeste (R$1.085,82) e Norte (R$1.259,91), onde o tamanho médio da família é de 4 ou mais pessoas, apresentam os menores rendimentos familiares: cerca de 60% e 70% da média nacional, respectivamente. No Centro-Oeste, o tamanho médio das famílias é de 3,5 pessoas e o rendimento da região (R$1.781,45) se aproxima da média brasileira. Já o Sudeste (R$2.204,71) e o Sul (R$1.946,30), com 3,4 e 3,3 pessoas, respectivamente, apresentam os melhores rendimentos entre as regiões.

No Distrito Federal, rendimento é quase o dobro da média nacional

Assim como as Grandes Regiões, os estados brasileiros apresentam diferenças significativas no rendimento médio mensal familiar. O Distrito Federal tem a maior média (R$3.241,48), quase o dobro do rendimento das famílias brasileiras, enquanto os estados do Norte e Nordeste possuem os valores mais baixos.

O Nordeste apresentou o menor rendimento, tanto no âmbito nacional, quanto no urbano e rural. O estado com maior rendimento é a Bahia (R$1.226,47), que representa 68% do observado no Espírito Santo (R$1.803,41), o menor resultado da região Sudeste. Já no Norte, o maior rendimento é de Rondônia (R$1.641,83), ainda assim 31% menor do que o de São Paulo (R$2.378,42).

No Nordeste, rendimento rural representa 41% do urbano

As áreas urbanas brasileiras destacam-se não só na comparação com as zonas rurais, mas também em relação ao País, já que o rendimento médio urbano (R$1.954,43) é cerca de 9% superior ao da média nacional. Independentemente da fonte de renda, os valores obtidos nas áreas urbanas das cinco Grandes Regiões são sempre superiores aos das áreas rurais. O destaque é a região Sudeste, onde o valor na área urbana chega a R$2.294,75, seguida do Sul (R$2.089,69) e do Centro-Oeste (R$1.864,51). No Norte, o rendimento urbano é de R$1.370,81 e no Nordeste, de R$1.282,13.

Na comparação regional dos rendimentos rurais, a média brasileira fica em R$873,94, valor este somente superior ao do Nordeste (R$536,39). Já as médias rurais do Sul (R$1.209,16), Sudeste (R$1.172,20), Centro-Oeste (R$1.155,33) e Norte (R$906,21) superam à do País.

Nas áreas urbanas e rurais das Grandes Regiões, principal fonte de renda é o trabalho

Entre as Grandes Regiões, o Nordeste destaca-se com as menores participações do rendimento do trabalho tanto na área urbana (61,5%), quanto na rural (45,9%). Em relação às maiores participações, o resultado varia: na área urbana, o maior peso é da região Norte (66,9%), e na área rural, do Centro-Oeste (64,5%).

Peso do rendimento não-monetário chega a 26,4% na área rural da região Sul

Nas áreas urbanas das regiões, o rendimento não-monetário apresenta comportamento bastante homogêneo. Com 15%, o Norte tem a maior participação, e o Sudeste (13,5%), a menor.

Já nas áreas rurais, com exceção do Nordeste, o rendimento não-monetário é a segunda principal fonte de renda.

Na área rural do Sul, o peso chega a 26,4%, o maior entre as regiões.

Tanto nos domicílios urbanos como nos rurais, as transferências pesam pouco na composição do rendimento médio mensal familiar das regiões Norte e Centro-Oeste. Já o Nordeste, apresenta os maiores percentuais de participação, sendo 17,1% nas áreas urbanas e 27,2%, nas rurais.

Na área rural do Nordeste, a soma das transferências e dos rendimentos não-monetários chega a quase 50% do orçamento familiar. Juntas, essas duas fontes de renda na área rural do Sul atingem 42% do rendimento médio mensal familiar.

Em 30 anos, muda o consumo de alimentos nos domicílios brasileiros

Uma comparação entre quatro pesquisas do IBGE que investigaram o consumo das famílias (ENDEF 1974/75 e POF 1987/1988, 1995/1996 e 2002/2003) revela mudanças nos hábitos de consumo das famílias brasileiras ao longo de quase 30 anos. Para compatibilizar os dados desses diferentes períodos, foram comparadas apenas as informações obtidas em Brasília e nas Regiões Metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, considerando-se somente as despesas monetárias. As várias unidades de medida foram convertidas para quilogramas.

O leite de vaca pasteurizado também apresentou grande variação: em números absolutos, chegou a representar a maior aquisição anual per capita, entre os produtos destacados na série histórica das quatro pesquisas (62,4 kg em 1987). Em 2002/03, as aquisições de leite caíram quase 40%, atingindo os 38 kg anuais, mas mantendo-o como o produto adquirido em maior quantidade pelas famílias investigadas.

Outra expressiva mudança de hábitos de consumo nas principais áreas urbanas do País - sempre entre 1974 e 2003 - foi o aumento das quantidades anuais per capita adquiridas de alguns gêneros. As aquisições de alimentos preparados, por exemplo, subiram de 1,7 kg para 5,4 kg e as de água mineral, de 0,3 kg para 18,5 kg. As de iogurte variaram entre 0,4 kg e 2,9 kg e as de refrigerante sabor guaraná foram de 1,3 kg para 7,7 kg. Também aumentou o consumo de abóbora comum: de 1,6 kg para 4,2 kg.

Como mostra o gráfico 23 da publicação(pg. 103), entre as maiores variações do período, indicando queda no consumo, estão as aquisições de batata inglesa (-59%, entre 1987 e 2003), arroz polido (-46%), feijão (-37%), açúcar refinado (-37%, entre 1996 e 2003) pão francês (-22%).

Arroz e feijão são mais consumidos nas áreas rurais

A POF 2002-2003 obteve as quantidades adquiridas anualmente de alimentos para consumo no domicílio, em quilogramas. Foram consideradas as aquisições monetárias e aquelas provenientes de produção própria, retirada do negócio, trocas, doações e outras.

A quantidade anual per capita adquirida de alguns tipos de alimentos difere bastante entre as áreas rurais e urbanas. Nas áreas rurais, por exemplo, adquire-se quase duas vezes mais arroz polido, quase três vezes mais feijão, quase sete vezes mais farinha de mandioca e quase oito vezes mais fubá de milho do que nas áreas urbanas aqui consideradas (Regiões Metropolitanas de Belém, Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além de Brasília, DF). Mas nestas adquire-se quase seis vezes mais leite pasteurizado de vaca e quase quatro vezes mais pão francês do que nas áreas rurais.

O açúcar cristal (12,6 kg) é mais consumido no Brasil que o refinado (6,3 kg). Este último é mais consumido nas áreas urbanas (8,1 kg, contra 5,7 kg anuais per capita nas áreas rurais) e o açúcar cristal tem comportamento inverso: 20,4 kg são adquiridos, anualmente, nas áreas rurais, contra 4,3 kg nas urbanas.

Consumo de leite, carne bovina, frango, arroz e feijão tem grande variação regional.

Regionalmente, entre as maiores variações nas aquisições familiares anuais per capita, destaca-se o leite de vaca pasteurizado: no Sudeste e no Sul as quantidades adquiridas (respectivamente 40,9 e 42,1 kg) são cerca de sete vezes maiores que as observadas no Norte e Nordeste (5,1 e 7 kg), enquanto o Centro-Oeste praticamente igualou a média nacional (27,9 kg).

As aquisições de arroz polido também variam muito: 36 kg anuais no Centro-Oeste contra 18,5 kg no Sul. Por UF, a maior quantidade anual foi registrada em Goiás (42 kg) e a menor no Amapá (8,9 kg). O Nordeste tem as maiores aquisições anuais médias de feijão (17,8 kg) e o Sul, as menores (9,5 kg).

As maiores aquisições de carne bovina ocorrem nas regiões Sul e Norte (21,2kg em ambas) e as menores, no Nordeste e Sudeste (14,2 kg em ambas), enquanto o consumo no Centro-Oeste (17,6 kg) aproxima-se da média nacional (16 kg). Por UF, as maiores aquisições de carne bovina foram verificadas em Rondônia (27,2 kg) e Rio Grande do Sul (26,1 kg) e as menores, na Paraíba (10,2 kg) e Ceará (11,3 kg).

As aquisições de farinha de mandioca são típicas: anualmente, o Norte adquire 34,2 kg e o Nordeste, 15,7 kg enquanto as demais regiões não superam os dois quilos anuais. De modo semelhante, as aquisições de açúcar refinado variam dos 8,4 kg anuais no Sul aos 0,8 kg no Centro-Oeste, enquanto as de açúcar cristal variam dos 17,8 kg no Centro-Oeste aos 8 kg no Sul. Por UF, o menor consumo de açúcar refinado ocorreu em Goiás (0,1 kg) e o maior, em Santa Catarina (14,6 kg). A POF detectou o menor consumo anual de açúcar cristal no Rio de Janeiro (2,8 kg) e o maior, em Minas Gerais (29,5 kg).

Algumas diferenças não são perceptíveis nas comparações por Grandes Regiões . O pão francês não apresenta variações regionais muito expressivas mas, por Unidade da Federação, as aquisições variam de 18,4 kg em Pernambuco a 3,4 kg em Tocantins. De forma semelhante, as aquisições de carne de frango variam de 9,9 kg no Acre a 30,2 kg no Amapá.

Consumo de carne de frango e café varia pouco nas diversas classes de rendimentos

As quantidades anualmente adquiridas de leite de vaca pasteurizado aumentam continuamente, em relação ao rendimento das famílias investigadas pela POF: as famílias com rendimentos monetários e não monetários superiores a R$ 6 mil adquirem mais de 60 kg de leite por ano, enquanto as com rendimentos de até R$ 400 adquirem menos de 10 kg anuais. Outro exemplo é o pão francês: anualmente, enquanto as famílias com rendimentos de até R$ 400 adquirem 7,1 kg, as com rendimentos acima de R$ 6 mil adquirem 17,1 kg. Variações semelhantes ocorrem com a carne bovina de primeira: famílias com maiores rendimentos adquirem seis vezes mais (13,6 kg) do que as que ganham menos (2,3 kg).

Com o feijão, dá-se o inverso: famílias com rendimentos de até R$ 400 adquirem 15,1 kg anuais, enquanto as com rendimentos superiores a R$ 6 mil adquirem cerca de 10,8 kg anuais. O mesmo se verifica com o fubá de milho: 5 kg para as famílias com rendimentos de até R$ 400 e 0,9 kg para as com rendimentos superiores a R$ 6 mil. Já as aquisições anuais de carne de frango e café apresentam variações menos expressivas entre as classes de rendimento, principalmente em relação às respectivas (13,7 kg e 2,5 kg) médias anuais.

POF revela que 85% das famílias sentem alguma dificuldade para chegar ao final do mês com seus rendimentos

Cerca de 85% das famílias brasileiras referiram algum grau de dificuldade para chegar ao final do mês com o rendimento familiar, enquanto quase metade delas (47%) considerou insuficiente a quantidade de alimento consumida habitualmente. Para 73% das famílias, nem sempre ou raramente os alimentos consumidos eram do tipo preferido. Essas e outras avaliações subjetivas foram, pela primeira vez, incluídas na Pesquisa de Orçamentos Familiares, para investigar a percepção da população quanto à sua qualidade de vida.

Quanto aos rendimentos, 27,14% das famílias brasileiras declararam ter muita dificuldade para chegar ao final do mês com o rendimento familiar; 23,7% afirmaram ter dificuldade e 34,6%, alguma dificuldade. Entre os que encontraram graus diferentes de facilidade para chegar ao final do mês, 8,9% disseram encontrar alguma facilidade; 4,9%, facilidade e 0,7%, muita facilidade.

Na área rural, 33,2 % das famílias sentem muita dificuldade para chegar ao fim do mês com seu rendimento

Os dados da pesquisa revelam, ainda, que a dificuldade de chegar ao final do mês com o rendimento familiar não se diferencia muito entre as regiões urbana ou rural. Nas áreas rurais, 89% das famílias mencionaram dificuldades, sendo que 33,2% afirmaram ter muita dificuldade. Nas áreas urbanas, 84% das famílias declararam dificuldades e 26,1%, muita dificuldade.

Entre as famílias com rendimento mensal de até R$ 400, mais da metade (51,5%) afirmou ter muita dificuldade. Já nas classes de rendimento mensal familiar a partir de R$ 3.000, entre 17% e 23% das famílias declararam alguma facilidade; entre 10% e 18% disseram ter facilidade e de 1% a 4% afirmaram ter muita facilidade para chegar ao final do mês com o rendimento familiar.

Para pouco mais da metade das famílias, a quantidade de alimentos é sempre suficiente

A quantidade de alimentos consumida pelas famílias foi avaliada segundo três possibilidades de resposta: normalmente insuficiente, às vezes insuficiente e sempre suficiente. Pouco mais da metade das famílias (53,3%) avaliou como suficiente a quantidade de alimentos consumida no mês. Por outro lado, 47% delas declararam que a quantidade de alimento consumido era normalmente ou eventualmente insuficiente.

Regionalmente, as porcentagens variam muito. No Norte e Nordeste, mais de 60% das famílias informaram insuficiência alimentar, habitual ou eventual. No Sudeste, pouco mais de 43% acharam insuficiente a quantidade de alimentos consumida; no Sul, cerca de 30% e, no Centro-Oeste, 39%. Nos sete estados da região Norte, mais da metade das famílias fizeram referência à pouca quantidade de alimentos consumida no mês, sendo que no Pará esse percentual chegou a quase 70%. Entre os estados do Nordeste, Alagoas e Rio Grande do Norte aparecem com os maiores percentuais de famílias (cerca de 70%) que consideraram o consumo alimentar normalmente ou eventualmente insuficiente.

Dentre os estados brasileiros, os que apresentaram as maiores porcentagens de famílias satisfeitas com a quantidade de alimentos foram Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com 75,5% e 70,7%, respectivamente. No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul também apresentou percentual alto de satisfação com a quantidade de alimentos consumida (68%). No Sudeste, os maiores percentuais foram encontrados em São Paulo e Espírito Santo, ambos próximos de 60%.

Dentre as famílias que consideraram insuficiente a quantidade de alimentos consumida, 20,3% tinham até R$ 600 de rendimento familiar; 14,5% recebiam de R$ 600 a R$ 1.200; cerca de 10% recebiam de R$ 1.200 a R$ 3.000 e 2,4% recebiam acima de R$ 3.000 mensalmente.

Quanto ao tipo de alimento consumido, 73% das famílias estava insatisfeita

A POF também investigou a opinião das famílias quanto à alimentação: 73% delas declararam algum grau de insatisfação com o tipo de alimento que consome, 56,1% das famílias afirmaram que os alimentos nem sempre eram do tipo preferido e 17,1% declararam raramente consumir os alimentos preferidos.

Tanto nas áreas urbanas quanto nas rurais, mais 55% das famílias declarou insatisfação com o tipo de alimento consumido. O estado brasileiro com maior percentual de satisfação com o tipo de alimento consumido foi Santa Catarina (38%). Dos 73% das famílias que informaram insatisfação, a maioria (93%) apontou como razão principal para não consumir os alimentos desejados a insuficiência de rendimentos.

Serviços de água e de coleta de lixo foram considerados bons nas áreas urbanas do país

Na avaliação das condições de moradia da população, os serviços de água nos domicílios foram considerados bons por 70% das famílias e os de coleta de lixo, por 74%. Também os serviços de infra-estrutura relacionados ao entorno dos domicílios, como iluminação pública e drenagem de águas de chuva, foram avaliados positivamente por, respectivamente, 63% e 54% das famílias.

Os serviços de água, coleta de lixo, iluminação pública, drenagem de águas da chuva e energia elétrica foram considerados bons pela maioria das famílias, principalmente nas áreas urbanas. No Brasil rural, o serviço com a maior avaliação positiva foi energia elétrica: bom por 69% das famílias.

Entre as famílias residentes nas áreas rurais, 60,6% informaram não contar com serviços de abastecimento de água, e 22,5% declararam não dispor de energia elétrica.

Mais de 30% das famílias declararam problemas no domicílio

Os problemas domiciliares mais citados, em todas as regiões do Brasil, foram os relativos às condições físicas das habitações, como pouco espaço (42%) e aqueles relativos à degradação: telhado com goteira (34%), janelas, portas e assoalhos deteriorados (30%), e umidade do chão e das paredes (31%).

A pesquisa constatou, ainda, que os problemas mais referidos pelas famílias são mais ligados à precariedade das moradias que ao entorno dos domicílios, merecedor de avaliação secundária. Desses, a violência ou vandalismo foi apontado por 28% das famílias como o maior incômodo, seguido por ruas ou vizinhos barulhentos (23%). Poluição e degradação ambiental foram citadas por 20% das famílias. Na área rural, cada um desses problema em relação às condições do entorno dos domicílios foram apontados como problema por apenas 9% das famílias. Na área urbana, considerada isoladamente, o vandalismo e a violência nas redondezas da moradia aparecem como problema para 31,2% das famílias.


1Neste valor estão incluídas as despesas monetárias (pagas em dinheiro, cheque ou cartão) e também as não-monetárias (troca, doação, aquisição de produção própria ou retirada do negócio, para as quais o informante estima um valor em dinheiro).

2Esta discrepância entre o que se gasta e o que se ganha foi verificada anteriormente em outras pesquisas de orçamentos familiares realizadas pelo IBGE. Além de possível endividamento de algumas famílias, outra justificativa para isto é que o informante, em geral, tem maior facilidade de se lembrar das despesas do que do rendimento exato.

Comunicação Social
19 de maio de 2004


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