Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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    Censo Demográfico - 2000 -Tabulação Avançada - Resultados Preliminares da Amostra

Novos dados do Censo 2000 confirmam avanços na educação e revelam mudanças nas estruturas familiar e domiciliar

Em mais uma etapa de divulgação do Censo 2000, são confirmadas as tendências de universalização da educação na faixa dos 7 aos 14 anos (95%), de redução na proporção de pessoas menos instruídas e de aumento das de nível mais elevado. O número médio de pessoas por família diminui (3,5 pessoas), tanto na zona urbana como rural, mas aumenta o número de famílias de apenas uma pessoa (9%) ou sob responsabilidade feminina (12,8 milhões de famílias). Praticamente metade da população de dez anos ou mais vive em companhia de cônjuge e diminui o número de uniões civis, enquanto aumenta a união consensual, sobretudo entre os mais jovens.

O crescimento da pluralidade de religiões também foi constatado, assim como o aumento dos "sem religião" e dos evangélicos, observando-se que os católicos, apesar de terem caído, continuam a expressiva maioria (de 83,8% para 73,8%). Quanto à cor, alteraram-se as proporções de pardos e pretos, mantendo-se praticamente constante o número daqueles que se consideraram brancos.

Quanto aos bens duráveis e aos serviços presentes nos domicílios brasileiros, a chamada tabulação avançada do Censo 2000 (que é gerada por uma subamostra da amostra completa do Censo 2000) constatou o aumento extraordinário ocorrido, nesta década, na instalação de linhas telefônicas (113,4%), apesar de estarem presentes em não mais que 40% dos domicílios. A iluminação elétrica, como o serviço mais disseminado, abrange a quase totalidade dos domicílios (93,0%). Se telefone foi o serviço que mais cresceu, entre os bens duráveis, carro foi o destaque, com 41,6% de crescimento na década, presente em 14,6 milhões de domicílios. A novidade entre os bens foi a investigação sobre microcomputador, pesquisado pela primeira vez no Censo 2000 e que já faz parte de 10,6% dos domicílios brasileiros, ultrapassando a posse de ar-condicionado (7,5%).

O conhecimento sobre a população ocupada também foi mais aprofundado neste Censo, estando entre as inovações conceituais a introdução do trabalho na produção para o próprio consumo. Também o período de captação da informação foi reduzido, de 365 dias para uma semana, e foram adotadas novas classificações de ocupação e atividade, atendendo às recomendações internacionais. Os dados do Censo 2000 revelaram 64,7 milhões de pessoas trabalhando, sendo 43,6 milhões como empregados, 1,8 milhão como empregadores, 14,5 milhões como trabalhadores por conta própria, 2,6 milhões como trabalhadores não remunerados em ajuda a membro do domicílio e 1,9 milhão como trabalhadores na produção para o próprio consumo. Havia, em 2000, quase 25% da população ocupada, com rendimento de trabalho, que ganhava até um salário e 2,6% recebia mais de 20 salários mínimos.

EDUCAÇÃO

Freqüência escolar melhora em todos os grupos etários e 79% dos alunos estão matriculados na rede pública de ensino

Pela primeira vez o Censo revela a freqüência escolar pela rede freqüentada: 79% dos alunos estão matriculados na rede pública de ensino. Outra inovação é a informação da taxa de escolarização das crianças de 0 a 4 anos: 17,8% em todo Brasil.

Esses dados fazem parte da Tabulação Avançada do Censo Demográfico 2000, revelando que, na última década, a freqüência escolar melhorou em todas as faixas etárias. A maior proporção de crianças na escola é a do grupo de 7 a 14 anos de idade. Nessa faixa etária, o Brasil se aproxima da cobertura universal, com 94,9% das crianças na escola.

De 1991 para 2000, o grupo que mais se destacou é o de crianças de 5 e 6 anos de idade, onde o aumento foi bastante significativo: de 37,2% para 71,9%. Entre os jovens de 15 a 17 anos de idade, a taxa de escolarização passou de 55,3% para 78,8%. Hoje, os jovens estão tendo mais acesso à escola e nela permanecem por mais tempo.

Em relação às pessoas de 18 e 19 anos de idade, a proporção é menor: apenas 50,3% do grupo estava estudando e, entre os jovens de 20 a 24 anos, a proporção é de 26,5%.

No grupo de 25 anos ou mais de idade, embora a taxa de escolarização seja baixa, quase triplicou de 1991 para 2000: passou de 2,2% para 5,9%. Esse indicador inclui desde os estudantes que estão aprendendo a ler e escrever, até os que estavam na pós-graduação.

Quanto ao gênero, no grupo de pessoas de 10 anos ou mais de idade, as mulheres têm as maiores taxas nos dois extremos: 14,7% não têm instrução ou têm menos de 1 ano de estudo e 14,6% tinham entre 11 a 14 anos de estudo. Quanto aos homens, a proporção é de 10,3% e 13,4%, respectivamente.

Levando-se em conta a distribuição dos estudantes por nível de ensino freqüentado, verifica-se que o nível que absorvia o maior número de alunos era o ensino fundamental, que vai da 1ª à 8ª série. Lá estão matriculados 58,2% dos alunos, sendo que nas regiões Norte e Nordeste esta proporção é ainda maior, 62,6% e 64,1%, respectivamente.

Já as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste apresentam as maiores proporções de estudantes no ensino médio e na educação superior, confirmando a tendência de que nas regiões mais desenvolvidas o atraso escolar é menor.

O Censo também revelou que, em 2000, 79% dos estudantes residentes no Brasil freqüentavam a rede pública de ensino. De acordo com os resultados, essa cobertura era maior no ensino fundamental (89,0%), seguido do ensino médio (81,2%), creche (77,9%), pré-escolar / classe de alfabetização (68,9%), mestrado ou doutorado (57,9%) e superior (29,1%). Um dado que merece destaque é a alfabetização de adultos: 94,8% dos alunos que estão aprendendo a ler e escrever freqüentam a rede pública de ensino.

Considerando a distribuição da população de 10 anos ou mais de idade, observa-se que 31,4% tinham até 3 anos de estudo. O Piauí e o Maranhão detêm as taxas mais altas (56,6% e 53,2%, respectivamente) e o Distrito Federal (16,1%) a mais baixa.

Com 8 a 10 anos de estudo concluídos havia 15% da população e com 11 a 14 anos de escolaridade, havia outros 14,9%. Em 1991, essas proporções eram de 11,0% e 10,0%, respectivamente. Já no grupo dos mais instruídos, com 15 anos ou mais de estudo, a taxa passou de 3,0% para 4,1%.

Entre as Grandes Regiões, observa-se que as mais desenvolvidas têm os melhores níveis de escolaridade. O destaque foi a região Sudeste, onde 5,5% das pessoas de 10 anos ou mais de idade tinham 15 anos ou mais de estudo, seguida pelo Sul (4,6%), Centro-Oeste (4,3%), Nordeste (2,0%) e Norte (1,8%).

De um modo geral, de 1991 para 2000, a escolaridade das pessoas de 10 anos ou mais de idade melhorou no país. Houve redução na proporção das menos instruídas (19% contra 10%) e aumento na proporção das que tinham 11 anos ou mais de estudo (13,8% contra 19,0%).

NUPCIALIDADE

De 1991 para 2000, cai a proporção de casamentos legais e aumenta o de uniões consensuais

Quanto ao estado conjugal das pessoas, o Censo revelou que, entre 1991 e 2000, houve queda no total de casamentos legais (de 57,8% passou para 50,1%), enquanto a proporção de pessoas em união consensual cresceu significativamente, passando de 18,3% para 28,3%. Entre os mais jovens, as proporções de pessoas em união consensual são maiores.

Entre as pessoas unidas, o estado do Amapá (57,2%) têm a maior proporção de pessoas que não são legalmente casadas, mas que vivem em união consensual, seguido de Roraima (51,2%) e Amazonas (48,4%). Já os estados do Piauí (17,4%), Minas Gerais (18,1%) e Santa Catarina (19,9%) têm as menores proporções.

Do total da população de 10 anos ou mais de idade, 49,4% vivem em união conjugal, incluindo os casamentos legais e as uniões consensuais.

De um modo geral, as mulheres se casam mais cedo do que os homens, mas são os homens que conseguem manter altas taxas de nupcialidade ao longo da vida. As mulheres, a partir dos 35 anos, apresentam taxas menores.

Entre os jovens de 15 a 19 anos, a proporção das mulheres que vivem em união conjugal é cinco vezes maior do que a dos homens (15,1% contra 3,3%). Já entre as pessoas de 70 anos ou mais, a proporção dos homens que vivem em união conjugal é maior do que a das mulheres: 70,9% contra 27,9%. Este resultado revela que as mulheres têm mais dificuldade de casar novamente a partir de uma certa idade.

O Censo 2000 também informa o estado civil legal da população: 54,2% das pessoas de 10 anos ou mais são solteiras, 37,2% são casadas, 3,7% são desquitadas, separadas ou divorciadas e 4,6% são viúvas. Entre os solteiros, 45,9% está na faixa etária de 10 a 19 anos.

RAÇA OU COR

Aumenta o número de brasileiros que se identificam como pretos

O confronto dos resultados censitários de 1991 e 2000, mostra que, em todo o país, aumentou a proporção de pessoas que se declararam de cor preta (de 5,0%, em 1991, para 6,2%, em 2000) e diminuiu a proporção de pardos (de 42,6%, em 1991, para 39,1%, em 2000), o que pode ser um indicativo de mudança nos padrões de identificação e de auto classificação do brasileiro. Na Bahia, a mudança foi mais intensa, a proporção de pessoas de cor preta subiu de 10,2%, em 1991, para 13,1%, em 2000, e a proporção de pardos caiu de 69,3%, em 1991, para 62,5%, em 2000.

As informações do Censo 2000 mostram, ainda, que a população branca é maioria no país: 53,8% das pessoas se consideraram brancos, 39,1% pardos, 6,2% pretos, 0,5% amarelos e 0,4% indígenas.

A população branca é também maioria nas Regiões Sudeste (62,4%) e Sul (84,2%), já a população parda é maior nas Regiões Norte (63,5%) e Nordeste (59,8%). A Região Centro-Oeste mostra um equilíbrio entre as proporções de brancos e o conjunto de pretos e pardos.

Os dados de 2000 revelaram uma predominância feminina para a população de cor branca. Para cada 100 mulheres que se declararam brancas existem 91 homens que também se auto classificaram brancos. Por outro lado, para cada 100 mulheres de cor preta, existem 109 homens de cor preta e ainda,

para cada 100 mulheres de cor parda existem 102 homens da mesma cor.

RELIGIÃO

Cai a proporção de católicos e cresce a de evangélicos

Apesar da predominância do catolicismo no Brasil, a proporção de pessoas que se declararam católicas caiu de 83,8%, em 1991, para 73,8%, em 2000. Em contrapartida, os evangélicos, que correspondem ao segundo maior percentual, representavam, em 1991, 9 %, e em 2000 chegaram a 15,4%. Na terceira posição encontram-se as pessoas que declararam não ter religião, 7,3 %, em 2000, contra 4,8%, em 1991. Os católicos, evangélicos e sem religião representavam, em 2000, 96,5% da população brasileira.

O Rio de Janeiro apresentou a menor proporção de católicos (57,2%) e o maior contingente de pessoas sem religião (15,5%). As pesquisas indicam que, ao longo dos censos, o Rio de Janeiro vem apresentando uma maior diversidade de declarações de religião.

As maiores concentrações de evangélicos estão no extremo norte do País, mais especificamente no Amazonas (19,2% ), Roraima (23,6%), Acre (20,4%) e Rondônia (27,7%). No Rio de Janeiro (21,1%), Espírito Santo (27,5%) e Goiás ( 20,8% ) as proporções também foram expressivas.

O catolicismo teve maior penetração nos estados pertencentes à Região Nordeste, principalmente no Piauí (91,3%), Ceará (84,9%), Paraíba (84,2%) e Maranhão ( 83%). Além do Rio de Janeiro, Espírito Santo (60,9%) e Rondônia (57,5%) apresentaram as menores proporções de católicos apostólicos romanos.

DEFICIÊNCIA

24,5 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de incapacidade

Os resultados do Censo 2000 mostram que, aproximadamente, 24,5 milhões de pessoas, ou 14,5% da população total, apresentaram algum tipo de incapacidade ou deficiência. São as pessoas com ao menos alguma dificuldade de enxergar, de ouvir, locomover-se ou com alguma deficiência física ou mental.

No total de casos declarados de portadores das deficiências investigadas, 8,3% possuíam deficiência mental, 4,1% deficiência física, 22,9% deficiência motora, 48,1% deficiência visual e 16,7% deficiência auditiva.

Entre 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual, 159.824 são incapazes de enxergar. Já entre os 5,7 milhões de brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 são incapazes de ouvir.

Os dados do Censo mostram também que os homens predominam no caso de deficiência mental, física (especialmente no caso de falta de membro ou parte dele) e auditiva. O resultado é compatível com o tipo de atividade desenvolvida pelos homens e com o risco de acidentes de diversas causas. Já a predominância das mulheres com dificuldades motoras (incapacidade de caminhar ou subir escadas) ou visuais é coerente com a composição por sexo da população idosa, com o predomínio de mulheres a partir dos 60 anos.

O conceito ampliado utilizado no Censo 2000, que inclui diversos graus de incapacidade de enxergar, ouvir e locomover-se, é compatível com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) divulgada, em 2001, pela Organização Mundial de Saúde.

DOMICÍLIOS

Microcomputadores estão presentes em 10,6% dos domicílios brasileiros

A tabulação avançada do Censo 2000, que traz informações sobre a densidade de moradores por dormitório e a posse de bens duráveis e serviços, revelou que 10,6% dos domicílios brasileiros têm microcomputador. Essa proporção supera a de domicílios que têm ar-condicionado (7,5%). A região Sudeste, com abrangência de 14,6% dos domicílios, tem três vezes mais a proporção de microcomputador do que a região Nordeste ( 4,3%).

O Distrito Federal é a unidade da Federação com a maior proporção de domicílios com microcomputador (25,5%), seguido por São Paulo, com 17,5%. Os estados do Piauí (1,9%) e do Maranhão (1,3%) têm as menores proporções.

A Região Norte se destaca como a de maior proporção de domicílios com ar condicionado (11,0%). Quanto aos demais bens duráveis, as regiões Sudeste e Sul são as que apresentam as maiores proporções. A geladeira, por exemplo, está presente em 92,9% dos domicílios do Sudeste e em 92,4% do Sul, em contraste com proporções bem mais baixas nos domicílios das regiões Nordeste e Norte (63,2% e 67,9%, respectivamente).

Rádio ( 87,4%), televisão ( 87,0%) e geladeira ou freezer ( 83,2%) são os bens mais comuns nos domicílios brasileiros. Entre os bens intermediários, encontram-se videocassetes ( 35,3%), máquina de lavar roupa (33,1%) e automóvel para uso particular (32,7%).

Automóvel de uso particular foi o bem que mais cresceu (41,6%) no período entre os censos de 1991 e 2000. Dos 44,7 milhões de domicílios particulares permanentes do Brasil, 14,6 milhões tinham automóvel em 2000. O número de domicílios com automóveis em 1991 era de oito milhões.

O Distrito Federal tem a maior proporção de domicílios com automóvel (53,4%), seguido por Santa Catarina (51,4%) e São Paulo (48,2%).

Instalação de linha telefônica aumentou 113,4% entre 1991 e 2000

Entre os serviços prestados, a iluminação elétrica é o mais disseminado, abrangendo quase a totalidade dos domicílios (93,0%). Em 1991, este percentual era de 86,9%. Já a existência de linha telefônica instalada, apesar de apresentar uma cobertura bem menor, com presença em 39,7% dos domicílios, foi o serviço que mais cresceu (113,4%). Em 1991 cobria 18,6% dos domicílios.

Mais uma vez o Distrito Federal se destaca, com linha telefônica instalada em 73,8% dos domicílios. O Maranhão apresenta a menor proporção de domicílios com telefone fixo (14,7%).

Estas informações permitem avançar na caracterização das condições de moradia da população em relação à divulgação anterior das informações básicas do Censo 2000. De acordo com essas informações básicas, o abastecimento de água por rede geral atendia a 77,8% dos domicílios; o esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica permanecia sendo o serviço menos abrangente, representando 62,2% dos domicílios e a coleta de lixo cobria 79% das moradias.

Domicílios com até dois moradores por dormitório predominam no Brasil

No período entre censos, houve melhorias nas condições de habitação da população brasileira quanto à densidade de moradores por dormitório. A Tabulação Avançada mostra que predominam, no Brasil, os domicílios com até dois moradores por dormitório (72,8%, em 2000), enquanto em 1991, este percentual era de 62,9%.Os demais domicílios (27,2%) têm condições menos favoráveis.

As regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste apresentam as maiores proporções de domicílios com até dois moradores por dormitório (82,8%, 76,5% e 74,4%, respectivamente). No Norte, os domicílios com mais de dois moradores por dormitório chegam a 43,5% (eram 55,8%, em 1991) e, no Nordeste, representam pouco mais de 1/3 dos domicílios (33,2%, em 2000, contra 43,2%, em 1991).

TRABALHO

Taxa de atividade continua diferenciada entre homens e mulheres

A taxa de atividade (percentual de pessoas economicamente ativas na população de 10 anos ou mais de idade) ficou em 56,4%. Para a população masculina, esta taxa (69,4%) manteve-se mais elevada que para a da feminina (44,1%).

As taxas de atividade da população residente em área urbana superaram as da rural, nas faixas etárias de 18 a 59 anos de idade. Na área rural, no entanto, foi mais intenso o ingresso de crianças e adolescentes e a permanência de pessoas de 60 anos ou mais no mercado de trabalho. A taxa de atividade das crianças de 10 a 14 anos de idade foi de 7,0% para as que moravam em área urbana e de 16,3% para as residentes em área rural.

A participação das mulheres na população ocupada foi de 37,9%. Do total de pessoas ocupadas, 22,4% trabalhavam habitualmente menos de 40 horas semanais. No contingente feminino, este percentual atingiu 33,8%, mais do dobro do referente à população masculina (15,4%). Na faixa de 10 a 14 anos de idade, 70,5% das pessoas trabalhavam menos de 40 horas semanais.

No que diz respeito à distribuição da população ocupada por atividade, as maiores concentrações ocorreram nas seções de agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal, juntamente com a pesca (17,4%); no comércio, reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos (17,3%) e na indústria de transformação (14,1%).

Militares e funcionários públicos estatutários têm nível de instrução mais elevado

O nível de instrução da população ocupada permaneceu mais elevado do que o do total da população de 10 anos ou mais. Entre os empregadores, 62,7% tinham pelo menos o ensino médio, ou segundo grau, concluído. Este percentual foi de 33,7% para os empregados, 20,8% para os trabalhadores por conta própria, 7,5% para os trabalhadores não remunerados em ajuda a membro do domicílio e somente de 1,1% para os trabalhadores na produção para o próprio consumo.

No grupo dos empregados, ficou clara a associação entre emprego registrado (aqueles com carteira assinada ou militares e funcionários públicos) e nível de instrução mais elevado: 39,1% dos com carteira de trabalho assinada tinham 11 anos ou mais de estudo (equivalente à conclusão de pelo menos o ensino médio). Na categoria de militares e funcionários públicos estatutários, 67,6% tinham pelo menos esse nível de instrução, superando o dos empregadores.

Os empregados constituíam 67,7% da população ocupada e os trabalhadores por conta própria formavam a segunda maior parcela (22,5%). No contingente dos empregados como um todo, 55,2% tinham carteira de trabalho assinada e 8,6% eram militares ou funcionários públicos estatutários. No grupo de trabalhadores domésticos, 31,2% tinham carteira assinada.

Na região Sudeste, os empregados representavam 75% da população ocupada, enquanto no Norte se encontrava a mais elevada participação dos trabalhadores por conta própria ( 29,1%).

Cerca de um quarto da população ocupada tem rendimento de até um salário mínimo

Segundo os dados agora divulgados, 24,4% da população ocupada e com rendimento mensal de trabalho, ganhavam até um salário mínimo e 2,6% mais de 20 salários mínimos. Verificou-se, ainda, que 51,9% ganhavam até dois salários mínimos.

O Nordeste tinha o maior percentual de pessoas ocupadas com rendimento na faixa de até um salário mínimo (46,2%) e o menor na de 20 salários mínimos (1,4%). A região Sudeste ficou com a proporção mais reduzida na classe de até um salário mínimo (15,9%). Na faixa de mais de 20 salários, os percentuais mais altos foram os das regiões Centro-Oeste (3,4%) e Sudeste ( 3,3%).

FAMÍLIAS

Tamanho das famílias cai de 3,9 para 3,5 componentes

Os dados da Tabulação Avançada do Censo 2000 confirmam duas tendências de organização da família brasileira, já observadas em censos anteriores: a redução do tamanho e o aumento do número de famílias sob responsabilidade feminina.

A acelerada queda da fecundidade ocorrida no país nas últimas duas décadas explica a redução do tamanho das famílias. O número médio de componentes caiu de 3,9 pessoas, em 1991, para 3,5 em 2000. A média da área rural — que caiu de 4,4 para 4,0 — ainda é maior que a urbana, que passou de 3,8 para 3,4. As famílias com 1 a 4 componentes estão mais presentes nas áreas urbanas, enquanto as famílias com 5 a 11 pessoas são mais freqüentes na área rural. As famílias com até quatro componentes representam 60% do total no país.

Do total de 48,2 milhões de famílias existentes no Brasil, 26,7% estão sob a responsabilidade da mulher, o que corresponde a 12,8 milhões de famílias (na publicação, ver tabela 1.6.1, página 104). No censo de 1991, elas eram responsáveis por 7,7 milhões de famílias, ou 20,5% do total de 37,5 milhões. O crescimento deste tipo de família pode ser explicado por dois fatores principais: a elevada esperança de vida da mulher, oito anos mais alta que a do homem, e a maior autonomia econômica adquirida nas últimas duas décadas.

A maioria das mulheres responsáveis por domicílios não tem marido ou companheiro. Apenas 1,8 milhão delas (do total de 12,8 milhões) vive com o cônjuge. Há 17,3 milhões de filhos ou enteados e 2,1 milhões de netos ou bisnetos vivendo sob a responsabilidade de mulheres. Enquanto isso, entre os 35,3 milhões de homens responsáveis por famílias, 31,5 milhões contam com a presença da esposa ou companheira. Há 58,4 milhões de filhos e enteados e 2 milhões de netos e bisnetos vivendo com responsáveis homens (tabela 1.6.1, página 104).

As famílias sob responsabilidade da mulher têm, em média, 2,9 integrantes. Já naquelas que têm homens como responsáveis, a média é de 3,7 pessoas.

MIGRAÇÃO

Nordeste ainda é região que perde mais população

Quanto à questão da migração, a Tabulação Avançada do Censo 2000 mostra que a Região Nordeste continua sendo a maior expulsora de população. Uma das formas utilizadas para medir a movimentação da população foi adotar uma data de referência (31 de julho de 1995), e perguntar à população maior de 5 anos qual era o seu local de residência naquela data. Constatou-se então que, entre 1995 e 2000, 1.457.360 pessoas saíram do Nordeste, sendo que 70,9% delas migraram para a Região Sudeste. Este número aumentou 7,6% em relação ao censo anterior, que registrava 1.354.449 saídas do Nordeste entre 1986 e 1991, sendo 67,7% delas para o Sudeste (ver tabela 14, pág. 62, e gráfico 14, pág. 63).

Por outro lado, observa-se também um aumento nas saídas do Sudeste em direção ao Nordeste, que, em parte, pode ser atribuído a um fluxo migratório de retorno. Entre 1995 e 2000, 48,3% das saídas do Sudeste (o que corresponde a 458.924 pessoas) foram em direção ao Nordeste. Entre 1986 e 1991, o percentual havia sido de 42,5%, correspondendo a 334.431 indivíduos (ver tabela 14, pág. 62, e tabela 1.3.3, pág. 96).

Na comparação entre os dois censos (gráfico 14, pág. 63), as entradas na Região Nordeste aumentaram 30,6%, incluindo-se aí pessoas vindas de todas as regiões, mas seu saldo migratório continua sendo o mais negativo entre as regiões. No balanço de entradas e saídas, o Nordeste havia perdido 876.534 indivíduos entre 1986 e 1991, e perdeu 833.400 entre 1995 e 2000.

Já o Sudeste continua com o saldo migratório mais positivo, o que demonstra que esta região mantém-se caracterizada como área de forte atração de imigrantes. O ganho foi de 640.138 indivíduos, entre 1986 e 1991, e de 595.395 indivíduos entre 1995 e 2000. A Região Sul, por sua vez, teve redução no volume de saídas, o que resultou em um saldo migratório praticamente zerado, com perda de apenas 585 indivíduos entre 1995 e 2000.

A análise da população por local de nascimento (tabela 1.3.1, pág. 94) mostra que a maioria (18%) dos brasileiros nasceu no estado de São Paulo. Em segundo lugar vem Minas Gerais, com 12,5%. A Bahia fica em terceiro lugar, com 8,9%, embora sua população residente esteja em quarto lugar, perdendo para a do Rio de Janeiro. Essa aparente contradição se explica pelo alto volume de saídas da Bahia, superior ao de entradas. Enquanto 15 milhões de pessoas nasceram naquele estado, sua população é de 13 milhões. Já no Rio de Janeiro, nasceram 12 milhões de pessoas e vivem 14,3 milhões, pois o número de entradas é maior que o de saídas.

Quando se leva em conta o local de nascimento por região, confirma-se que o Nordeste é o maior expulsor de pessoas e o Sudeste, a região de maior atração. Enquanto 55,4 milhões de pessoas informaram ter nascido no Nordeste, a população da região é de 47,7 milhões. No Sudeste, por outro lado, nasceram 66,8 milhões de pessoas, porém lá vivem 72,4 milhões.

Comunicação Social
08 de maio de 2002


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