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IBGE divulga indicadores sociais sobre a mulher

Elas são maioria no país, têm vida média mais elevada que os homens e assumem cada vez mais o comando das famílias. Os números atestam: a nova mulher brasileira desempenha um papel cada vez mais importante na sociedade. É o que mostra o novo estudo lançado pelo IBGE, "Perfil das mulheres responsáveis pelos domicílios no Brasil", baseado em dados do Censo 2000.

O lançamento da pesquisa, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, é ao mesmo tempo uma homenagem e um estímulo à discussão da sua situação no Brasil. O trabalho destaca os dados mais significativos sobre as 11.160.635 mulheres — ou 12,9% das 86.223.155 brasileiras — que têm sob sua responsabilidade 24,9% dos domicílios do país. Em 1991, apenas 18,1% dos domicílios estavam nesta situação.

Para compor um perfil mais abrangente da Mulher, estão sendo apresentados também os dados mais recentes da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) sobre a situação da mulher no mercado de trabalho, a partir da página 3.

Urbanas

Nas regiões Sudeste (46,4%) e Nordeste (28,5%) encontra-se o maior número de mulheres responsáveis por domicílios. Coerentes com a distribuição geográfica da população, essas proporções, além de refletirem fenômenos culturais, refletem também a intensidade da migração nordestina masculina das últimas décadas e a alta freqüência de dissoluções conjugais nas camadas mais pobres da população.

O aumento do número de domicílios cujos responsáveis são mulheres é um fenômeno tipicamente urbano: 91,4% deles estão em cidades enquanto 8,6% estão nas zonas rurais. Nas capitais, a proporção de mulheres responsáveis por domicílios é bem maior do que a média nacional. Entre estas cidades, os extremos são Palmas (23,4%) e Porto Alegre (38,2%). Neste último caso, uma das possíveis causas principais seria a expectativa de vida feminina no estado do Rio Grande do Sul — das mais altas do país, em torno de 74 anos.

Jovens e idosas

Um terço das mulheres responsáveis pelos domicílios tem mais de 60 anos — na maioria, viúvas. Mas a faixa etária que vai de 30 a 50 anos provavelmente inclui mais mulheres com casamentos dissolvidos. Segundo os dados mais recentes do Registro Civil, 60% das dissoluções conjugais ocorrem justamente nesta faixa etária.

No outro extremo está o alto índice de mulheres (27,4%) entre os 328 mil jovens de 15 a 19 anos responsáveis por domicílios. A proporção de mulheres neste grupo é bastante elevada em relação às outras faixas etárias. Basta dizer que, na faixa dos 20 aos 29 anos, a taxa é menor (16,6%). Por isso, pode-se concluir que, no primeiro grupo etário há muitas jovens mães solteiras e arrimo de família, principalmente, em áreas mais carentes.

Mais alfabetizadas

No item escolaridade, as mulheres avançaram. A proporção de alfabetizadas passou de 80,6% em 1991 para 87,5% em 2000, apresentando ligeira vantagem sobre os homens neste quesito. A média de anos de estudo das responsáveis por domicílios também aumentou, de 4,4 para 5,6 anos. Porém, ainda é muito expressiva a porcentagem delas com até 3 anos de estudo (37,6%), nível considerado muito baixo.

As desigualdades educacionais sobressaem entre as regiões e entre os diferentes grupos de idade. Enquanto no Sul e no Sudeste cerca de 8% das mulheres responsáveis por domicílios alcançam 15 ou mais anos de estudo, no Norte e no Nordeste esta proporção é de cerca de 4%. Comparativamente, as mais jovens apresentam perfis melhores mas, mesmo assim, os níveis alcançados ainda são baixos: apenas 45,5% das mulheres de 15 a 19 anos e 54,8% das de 20 a 24 anos atingiram o nível mínimo de 8 anos de estudo esperado para sua faixa etária.

Autônomas

No universo dos domicílios sob a responsabilidade de mulheres, o Censo 2000 verificou que 1.995.138 (17,9% do total) tinham um só morador — os chamados domicílios unipessoais. Já nos domicílios sob responsabilidade masculina, tal percentual é de 6,2%. Mais uma vez, além de razões culturais, a maior esperança de vida feminina influi nesta diferença, pois 53,3% das mulheres que moram sozinhas têm mais de 60 anos.

No Sul e no Sudeste estão as maiores proporções de domicílios unipessoais femininos, refletindo, também, a freqüência de dissoluções conjugais. Mas, em relação às camadas médias urbanas — mais extensas e diversificadas nas regiões mais desenvolvidas — também pesa a profissionalização das mulheres, sobretudo as mais jovens.

Menos remuneradas

A maior autonomia das mulheres não se traduziu, necessariamente, em igualdade de renda em relação aos homens. Um exemplo é o rendimento médio mensal das mulheres responsáveis por domicílios — R$ 591,00 —, inferior ao dos homens na mesma condição — R$ 827,00. Metade delas sustenta a família com menos de 1,8 salário mínimo (R$ 324,00). A disparidade se repete em todas as regiões do país, sendo que o maior rendimento médio feminino é encontrado no Sudeste — R$712,00 — e o menor, no Nordeste — R$ 376,00.

Em 1991, a renda das mulheres eqüivalia a 63,1% da dos homens. Já em 2000, esta relação atingiu 71,5%, reduzindo-se a desigualdade entre homens e mulheres.

ANEXO - DADOS DA PNAD

40% dos trabalhadores eram mulheres
17% eram trabalhadoras domésticas
aumentou a proporção de trabalhadoras sindicalizadas

A Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE no País, constatou que na população ocupada, o percentual de mulheres passou de 38,8%, em 1992, para 40,3%, em 1999. Já na população masculina de 10 anos ou mais de idade, a participação dos homens ocupados declinou de 72,4%, em 1992, para 67,9%, em 1990.

Os números da pesquisa mostram, também, que apesar da defasagem entre os rendimentos dos dois gêneros continuar diminuindo, a remuneração média de trabalho das mulheres ainda ficou em patamar muito inferior ao dos homens. Considerando as pessoas ocupadas com rendimento de trabalho, a remuneração média de trabalho das mulheres em 1992 representava 61,6% da recebida pelos homens e, em 1999, alcançou 69,1%.

De 1992 para 1999, a proporção de pessoas ocupadas com pelo menos o equivalente ao ensino médio (ou 2o grau) concluído subiu de 15,9% para 21,2%, na população masculina, e de 22,4% para 30,4%, na feminina.

O setor de serviços concentrou mais da metade das trabalhadoras

Em 1999, a distribuição da população ocupada feminina pelos setores de atividade foi a seguinte: 56,6% no setor dos serviços, 13,5% no do comércio, 8,9% no da indústria de transformação e outras atividades industriais, 0,6% no da indústria da construção e 20,4% no do agrícola. Na população masculina esta distribuição foi: 34,0% no setor dos serviços, 13,4% no do comércio, 15,2% no da indústria de transformação e outras atividades industriais, 10,6% no da indústria da construção e 26,8% no agrícola.

Por posição na ocupação, a composição da população ocupada feminina em 1999 foi a seguinte: 43,9% de empregadas, 17,2% de trabalhadoras domésticas, 16,1% de trabalhadoras por conta própria, 2,2% de empregadoras, 12,3% de trabalhadoras não remuneradas, 8,2% de trabalhadoras na produção para o próprio consumo e 0,1% de trabalhadoras na construção para o próprio uso. Na população masculina esta composição foi: 56,3% de empregados, 0,9% de trabalhadores domésticos, 27,9% de trabalhadores por conta própria, 5,4% de empregadores, 7,3% de trabalhadores não remunerados, 1,9% de trabalhadores na produção para o próprio consumo e 0,2% de trabalhadores na construção para o próprio uso.

Considerando a população de 18 anos ou mais de idade ocupada, na parcela feminina a proporção de pessoas sindicalizadas ainda ficou abaixo da masculina. Entretanto, no contingente feminino, este percentual cresceu de 13,6%, em 1992, para 15,3%, em 1999, enquanto que no masculino caiu de 22,0% para 18,9%.

Mais de 90% das mulheres ocupadas também exerciam afazeres domésticos

Ainda segundo a PNAD, na população de mulheres que trabalhavam, a parcela das que também exerciam afazeres domésticos passou de 90,0%, em 1992, para 93,6%, em 1999. No contingente de homens que trabalhavam, este percentual subiu de 35,8% para 51,2%, de 1992 para 1999.

Comunicação Social
7 de março de 2002

Perfil das Mulheres

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