Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios - PNAD 1999

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1.1 - População Residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de idade

As informações produzidas pela PNAD retratam a situação brasileira a cada ano, revelando a evolução das condições socioeconômicas, desde o âmbito nacional até o metropolitano, e os aspectos que distinguem as áreas geográficas que compõem o País. Os resultados de 1999 são os que encerram as informações da PNAD para a década de 90, em que os efeitos de fatores econômicos, externos e internos, políticas públicas, avanços tecnológicos, modernização dos métodos de gerenciamento e produção, acesso cada vez mais amplo à informação e processos desencadeados nas décadas passadas trouxeram sensíveis modificações no perfil demográfico, social e econômico da população do País.

Crescimento, Composição e Mobilidade Populacional

As regiões brasileiras apresentam distinções marcantes. A Região Norte, retratada pela PNAD apenas em seus aspectos urbanos, é a que tem a maior área, detém a estrutura etária mais jovem e a taxa de crescimento mais elevada, já sendo a segunda menos populosa. A Região Centro-Oeste é a menos populosa e a segunda em extensão (que é menos da metade da área ocupada pela Região Norte) e taxa de crescimento. A Região Nordeste, que se situa pouco abaixo da Centro-Oeste em termos de área mas tem densidade demográfica muito mais elevada, apresenta a menor taxa de crescimento populacional e uma participação de idosos na estrutura etária que refletem o seu histórico processo de emigração. Já a Região Sudeste, que é a quarta em extensão territorial, apresenta a maior densidade demográfica e a estrutura populacional mais envelhecida. A Região Sul caracteriza-se por ser a menor em área, a segunda mais densa em termos de população e, também, por ter a segunda estrutura etária mais envelhecida.

O processo de transição demográfica, que em poucas décadas mudou o padrão da fecundidade feminina brasileira, provocou forte desaceleração na taxa de crescimento demográfico do País. A queda da fecundidade, iniciada em meados da década de 60 e intensificada nos dois decênios seguintes, continuou na década de 90 de forma bastante moderada. Com base nos resultados da pesquisa de 1984, a taxa de fecundidade estava em 3,5. A pesquisa de 1992 revelou que esta taxa tinha-se reduzido para 2,6 e a de 1999 indicou que estava em 2,3.

A tendência descendente no tamanho médio da família resultou, principalmente, da diminuição progressiva no número médio de filhos por mulher. O número médio de pessoas por família estava em 4,2 em 1984, passou para 3,8 em 1992 e atingiu 3,4 em 1999.

A associação da redução da fecundidade com a queda da mortalidade reflete-se na evolução da composição etária da população do País, que segue em processo de envelhecimento.

O estreitamento da base da estrutura etária pode ser visualizado no acompanhamento da participação dos grupos qüinqüenais mais jovens. Em meados da década de 80, o grupo de 0 a 4 anos de idade deixou de ser o maior e, em 1995, o grupo de 10 a 14 anos de idade já superava os dois anteriores. Com o prosseguimento deste processo, o grupo de 15 a 19 anos de idade, em 1998 e 1999 já estava no mesmo patamar do anterior e suplantava os dois primeiros.

O outro extremo da estrutura etária vem refletindo o lento mas contínuo aumento do número de idosos e os efeitos da mortalidade diferenciada por gênero. Na década de 90, a parcela feminina no contingente de 60 anos ou mais oscilou em torno de 55%.

A participação das pessoas de 60 anos ou mais de idade na população passou de 7,4% em 1989 para 8,3% em 1995 e alcançou 9,1% em 1999. As crianças de menos de 10 anos de idade, que em 1989 representavam 23,6% da população, em 1995 eram 20,6% e quatro anos depois, 18,9%.

Na década de 90, a estrutura do País por cor ou raça não apresentou variações expressivas, sendo formada em sua maioria por pessoas brancas e apresentando uma parcela elevada de pessoas descendentes de indivíduos de raças distintas. Em 1999, as pessoas brancas representavam 54,0% e as pardas, 39,9%. Em termos regionais, a composição por cor ou raça é bastante diferenciada, refletindo a origem das várias correntes migratórias que se distribuíram de formas diversas no território nacional. Em 1999, as pessoas brancas constituíam 64,0% da população da Região Sudeste, sendo esta proporção inferior apenas à da Região Sul (83,6%). As pessoas de cor parda predominavam nas Regiões Norte urbana (68,3%) e Nordeste (64,5%), enquanto que, na Região Centro-Oeste, as proporções de pessoas brancas (46,2%) e pardas (49,4%) ainda permaneciam próximas.

Os movimentos migratórios internos nesta década foram menos intensos que nas anteriores. Em 1999, o percentual de pessoas não-naturais do município de residência ficou em 39,3%, enquanto que o de pessoas não-naturais da Unidade da Federação de moradia situou-se em 15,8%. Em termos regionais, a estrutura da Região Nordeste mostra os efeitos das saídas históricas de sua população em busca de condições de vida melhores em outras áreas do País, e da Região Centro-Oeste, os reflexos das fortes correntes migratórias recebidas nas últimas décadas. Ainda que a Região Norte também tenha absorvido grandes contingentes de migrantes nos últimos decênios, a pesquisa não capta todos os efeitos desse afluxo de pessoas por não cobrir a sua área rural. Em 1999, a proporção de pessoas não-naturais da Unidade da Federação ficou em apenas 7,2% no Nordeste e situou-se em 35,2% no Centro-Oeste. O percentual de pessoas não-naturais do município de residência situou-se em 30,6% na Região Nordeste e ficou em 54,3% na Centro-Oeste.

Os migrantes apresentam estrutura etária mais envelhecida em decorrência de as levas migratórias apresentarem maior concentração em pessoas adultas que se deslocam em busca de melhores oportunidades de trabalho. Em 1999, a proporção de pessoas de 60 anos ou mais de idade situou-se em 14,6% entre as não-naturais e ficou em 5,5% entre as naturais do município. Em conseqüência da sua estrutura etária mais envelhecida, os migrantes apresentam maior participação na força de trabalho do que os não-migrantes. A taxa de atividade das pessoas de 10 anos ou mais de idade foi de 58,9% para as naturais e de 63,4% para as não-naturais do município. Para as pessoas naturais da Unidade da Federação de residência esta taxa ficou em 60,4% e para as não-naturais alcançou 63,6%.

Situação Educacional

O crescimento contínuo da taxa de escolarização vem reduzindo o analfabetismo, elevando o nível de instrução da população em todo o País e diminuindo, gradativamente, as acentuadas disparidades regionais.

Na faixa etária de 10 a 14 anos de idade, em que se espera que a criança esteja pelo menos alfabetizada, a taxa de analfabetismo estava em 14,8% em 1989, baixou para 9,9% em 1995 e, quatro anos depois, caiu para 5,5%. No Nordeste, este indicador estava em 33,5% em 1989, tendo passado de 23,9% para 12,7% de 1995 para 1999. Apesar do inegável avanço, este último resultado ainda ficou muito distanciado dos referentes às Regiões Sul (1,3%), Sudeste (1,4%) e Centro-Oeste (2,8%).

De 1995 para 1999, o percentual de crianças de 7 a 14 anos de idade fora da escola decresceu de 9,8% para 4,3%. Este indicador, em 1989, situava-se em 16,2%. A comparação entre os resultados regionais revelou que, de 1995 para 1999, esta proporção recuou de 6,4% para 3,3% no Sudeste, que é detentor do maior grau de escolarização, e de 15,0% para 5,9% no Nordeste, que, apesar da expressiva melhoria, continuou no outro extremo.

A taxa de escolarização das meninas ainda supera a dos meninos. Em quatro anos, no grupo de 7 a 14 anos de idade, o percentual de meninos fora da escola declinou de 10,7% para 4,7%, enquanto o de meninas diminuiu de 8,8% para 3,9%.

Em decorrência de a taxa de escolarização feminina permanecer mais elevada, o nível de instrução das mulheres manteve-se em patamar nitidamente mais alto que o dos homens. Em 1999, a proporção de mulheres com pelo menos o segundo grau concluído situou-se 2,9 pontos percentuais acima da referente à população masculina. Entretanto a disparidade entre o nível de instrução dos dois gêneros é muito mais acentuada na população ocupada, pois o interesse feminino em ingressar no mercado de trabalho tende a aumentar com a elevação do seu nível educacional. Em quatro anos, a proporção de pessoas com pelo menos o segundo grau concluído subiu de 17,3% para 21,2%, na população ocupada masculina, e de 24,9% para 30,4%, na feminina.

Situação do Mercado de Trabalho

Em 1999, a população ocupada apresentou aumento de 2,4% em relação à do ano anterior, nitidamente superior ao crescimento da população em idade ativa (1,9%). O número de pessoas à procura de trabalho também subiu, ainda que mais moderadamente que de 1997 para 1998, elevando a taxa de desocupação de 9,0% em 1998 para 9,6% em 1999, sendo que este indicador manteve-se mais alto na população feminina do que na masculina.

De 1998 para 1999, o número de pessoas ocupadas no ramo agrícola subiu 6,3% e a sua participação no total da população ocupada retornou ao patamar de 1997 (24,2%). Este fato deveu-se ao incremento da produção agrícola, que demandou mais mão-de-obra, trazendo de volta pessoal habitualmente envolvido nas atividades desse ramo e que estava deslocado para outros trabalhos ou afastado da força de trabalho. Contribuíram para o bom resultado alcançado na produção agrícola as boas condições climáticas na maioria das áreas produtoras e a utilização cada vez maior de tecnologias modernas, fertilizantes e novas variedades de sementes. Especificamente no Nordeste, as condições climáticas favoráveis recuperaram uma parte do pessoal transferido temporariamente para as frentes de trabalho em construção civil, criadas para minorar os efeitos adversos da seca.

Na composição da força de trabalho agrícola, constatou-se a retomada do crescimento na formalização do emprego, interrompida nos dois anos anteriores. De 1998 para 1999, o aumento no número de empregados com carteira foi de 13,8%, enquanto que o dos sem carteira de trabalho assinada ficou em 2,3%. A elevação no número de trabalhadores por conta própria (3,2%) e de trabalhadores não remunerados (9,8%) mostrou a expansão da atividade em pequenos empreendimentos familiares. Do aumento de 1 milhão de pessoas em atividade agrícola, os trabalhadores não-remunerados representaram a maior parcela (41,2%), vindo em seguida os trabalhadores na produção para o próprio consumo (22,1%) e cabendo 13,6% aos trabalhadores por conta própria.

De 1998 para 1999, o número de pessoas ocupadas em atividade não-agrícola cresceu somente 1,3%. Os ramos que tiveram diminuição de pessoal foram os da indústria da construção e das outras atividades industriais (que compreende a extração mineral e os serviços industriais de utilidade pública) e o que apresentou aumento mais expressivo foi o da prestação de serviços.

No emprego em atividade não-agrícola, constatou-se retração de 2,0% no contingente com carteira de trabalho assinada, que constitui a sua maior parcela, e aumento insignificante (0,7%) na categoria dos empregados sem registro. Na parcela do emprego formal constituída pelos militares e funcionários públicos estatutários houve elevação de 3,9%, decorrente, principalmente, do incremento considerável ocorrido no âmbito municipal, repetindo o comportamento observado no ano anterior. O contingente dos funcionários públicos estaduais, que vinha declinando até 1998, também apresentou crescimento, ainda que menos expressivo. Na esfera federal, refletindo as políticas voltadas para a área de pessoal, a tendência de queda foi mantida, inclusive apresentando decréscimo mais acentuado que os dos anos anteriores. De 1998 para 1999 houve baixa de 5,5% entre os funcionários públicos federais civis e alta de 3,3% entre os estaduais, e de 10,3% entre os municipais.

A política de abertura de mercado, associada à crise econômica que se instaurou com o Plano Brasil Novo em 1990, fez com que fossem acelerados, especialmente nos segmentos industriais mais organizados, os ajustes que se vinham desenvolvendo em busca de maior produtividade e que implicaram em menor utilização de mão-de-obra. O refreamento da crise em 1993 sustou o sentido de queda no pessoal ocupado na indústria de transformação, mas sem resultar em aumento significativo de postos de trabalho nos segmentos melhor estruturados. As condições favoráveis para o consumo das famílias, propiciadas com a implantação do Plano Real em 1995, incentivaram o incremento da produção, entretanto as mudanças estruturais que vinham se processando, visando elevar a produtividade para ganhar competitividade face a abertura do mercado, fizeram com que não se refletisse em aumento de postos de trabalho, mesmo no auge do reaquecimento. Com a perda do ímpeto da produção de bens duráveis, em 1997 o desempenho positivo da indústria de transformação passou a ser mais sustentado pelos segmentos de bens intermediários e de capital. A retração na oferta de postos de trabalho se tornou mais evidente em 1996, mas foi contida no ano seguinte. As crises internacionais ocorridas em 1997 e 1998 provocaram redução do ritmo da produção industrial, que se refletiram em forte diminuição de pessoal em 1998. Ainda que em 1999 o pessoal ocupado na indústria de transformação tenha apresentado crescimento irrelevante (0,6%) em relação ao ano anterior, este resultado refletiu o princípio de recuperação das turbulências na economia.

Entre os empregados com carteira de trabalho assinada na indústria de transformação, fortemente concentrados em empreendimentos de maior porte, que de 1997 para 1998 haviam apresentado redução de 3,8%, a queda foi inexpressiva (0,3%). No contingente dos empregados sem carteira de trabalho assinada houve elevação de 3,0%.

De 1998 para 1999 constatou-se declínio de 4,8% no pessoal ocupado na indústria da construção. Os trabalhadores por conta-própria, que representavam 41,0% do contingente do ramo, tiveram aumento inexpressivo (0,5%). A queda de 8,7% no emprego com carteira de trabalho assinada sinalizou a continuação da desaceleração das construções a cargo das grandes empreiteiras, uma vez que é nos empreendimentos de maior porte que se concentra esta categoria. A redução de 6,5% nos empregados sem registro resultou da diminuição da atividade no setor privado e, também, da liberação de parte da mão-de-obra, temporariamente deslocada da agricultura nordestina, ocupada pelo setor público em frentes de trabalho em construção civil. Na Região Nordeste o decréscimo na categoria do emprego sem registro ocupada pelo setor público, na qual o contingente deslocado da agricultura para as frentes de trabalho se inseriu, foi de 21,5%.

De 1998 para 1999, o pessoal ocupado no comércio de mercadorias apresentou aumento de 2,1%, igual ao observado de 1997 para 1998. O contingente que mais contribuiu para este crescimento foi o dos empregados sem registro, que subiu 9,8%. A parcela dos empregados com carteira de trabalho assinada, que representava um terço das pessoas ocupadas no ramo do comércio de mercadorias, foi a única que teve redução (2,7%).

Em termos de pessoal ocupado, o setor de serviços como um todo ascendeu 2,5%, de 1998 para 1999. Entre os ramos que o compõem, os que apresentaram maior impulso de expansão foram os da prestação de serviços (3,4%) e administração pública (3,2%). O aumento no número de pessoas ocupadas no serviço doméstico remunerado (306 mil pessoas) contribuiu substancialmente para o crescimento em 456 mil pessoas no ramo da prestação de serviços, que detinha 44,8% da população ocupada no setor dos serviços em 1999.

De 1998 para 1999, o contingente dos trabalhadores domésticos teve alta de 6,1%. A sua maior parcela, formada pelas pessoas sem carteira de trabalho assinada, que de 1997 para 1998 tinha apresentado decréscimo expressivo, subiu 5,4%. O aumento de 8,7% na parcela dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada mostrou que prosseguiu o crescimento na formalização do emprego no serviço doméstico remunerado. Em 1999, um quarto dos trabalhadores domésticos tinha carteira de trabalho assinada, quando em 1995 eram 19,1%.

Trabalho Infantil

O número de crianças de 5 a 9 anos de idade ocupadas continuou apresentando tendência de declínio. De 1995 para 1999, o contingente de 5 a 9 anos de idade ocupado baixou de 519 mil para 375 mil e a sua participação no total deste grupo etário caiu de 3,2% para 2,4%. Em 1998 este percentual estava em 2,6%. Na população ocupada de 5 anos ou mais de idade a participação destas crianças diminuiu de 0,7% para 0,5%.

Em quatro anos, o grupo de 10 a 14 anos de idade ocupado passou de 3,3 milhões para 2,5 milhões e a sua participação no total desta faixa etária diminuiu de 18,7% para 14,9%. De 1998 para 1999, este contingente de crianças ocupadas apresentou incremento de 1,9%, decorrente do aumento na parcela em atividade agrícola, que acompanhou o sentido de alta verificado no total da população ocupada nesta atividade. Para as crianças deste grupo de idade em atividade não-agrícola houve baixa.

A mão-de-obra infantil está mais concentrada em pequenos empreendimentos familiares, especialmente no setor agrícola, e desenvolvendo trabalhos sem contrapartida de remuneração. Em 1999, a atividade agrícola detinha 80,4% das crianças ocupadas de 5 a 9 anos de idade e 63,2% das ocupadas de 10 a 14 anos de idade. Constatou-se ainda que o diferencial entre os gêneros foi mantido. De 1995 para 1999, a proporção de crianças ocupadas no contingente de 5 a 14 anos de idade passou de 14,5% para 11,8% entre os meninos e de 7,8% para 6,0% entre as meninas.

Sindicalização e Cobertura Previdenciária

De 1998 para 1999, o número de contribuintes de instituto de previdência, em qualquer trabalho, apresentou elevação insignificante (0,6%) e a sua proporção na população ocupada baixou de 44,3% para 43,5%.

Em atividade agrícola, esta proporção retomou o sentido ascendente, sustado em 1997, espelhando o elevado crescimento da população ocupada e, principalmente, o substancial aumento no emprego com carteira de trabalho assinada nesta atividade. De 1998 para 1999, o número de contribuintes subiu 14,8%, alçando a sua participação no contingente em atividade agrícola de 9,2% para 9,9%, próximo à alcançada em 1996 (10,1%).

Em atividade não-agrícola, o número de contribuintes teve redução inexpressiva (0,2%) e a sua proporção na população ocupada caiu de 54,7% para 53,9%. Este resultado deveu-se ao crescimento, ainda que reduzido, da população ocupada e, também, à queda no emprego com carteira de trabalho assinada nesta atividade.

O número de pessoas ocupadas sindicalizadas apresentou crescimento de 3,2%, impulsionado, principalmente, pelo aumento deste contingente no ramo agrícola, que teve elevação de 14,4%. O percentual de pessoas sindicalizadas na população ocupada pouco se alterou, passando de 15,9% em 1998 para 16,1% em 1999. A sindicalização permaneceu menor nos ramos da indústria da construção (6,5%) e da prestação de serviços (5,9%).

Reflexo da Situação Econômica nos Rendimentos

As medidas drásticas contidas no Plano Brasil Novo, que afetaram indistintamente a todas as faixas de rendimento, atingindo as mais altas com maior intensidade, colocaram as remunerações de 1990 em nível inferior aos dos quatro anos anteriores e reduziram o seu grau de concentração. A recessão que se seguiu a este Plano fez com que os rendimentos continuassem em curva descendente até 1992. A política salarial implantada em 1991, que de certa forma protegia as faixas salariais mais baixas, contribuiu para que a concentração dos rendimentos continuasse a cair até 1992. Em 1993, o despontar da recuperação econômica, embora acompanhado de recrudescimento da espiral inflacionária, e uma política salarial mais favorável propiciaram a elevação das remunerações. Este impulso positivo se fez sentir com maior intensidade nas faixas de remuneração mais altas, revertendo o sentido descendente da concentração dos rendimentos. O Plano Real, instituído em julho de 1994, provocou, de imediato, queda brusca da inflação, propiciou a aceleração do crescimento econômico e a alta dos rendimentos. A indexação ainda mantida neste Plano, que só foi totalmente eliminada em junho de 1995, de certa forma protegeu as categorias de remunerações mais baixas. Os ganhos decorrentes deste período favorável de estabilidade alcançaram a base da pirâmide dos rendimentos em 1995, ocasionando retração no grau de concentração das remunerações. Em 1996, passada esta primeira fase do Plano Real, os ganhos reais nos rendimentos ajustaram-se a patamares menores em função da nova realidade de estabilidade da economia e, de uma maneira geral, cresceram de forma inversa ao valor dos rendimentos, reduzindo o grau de concentração das remunerações. As duas crises, decorrentes de perturbações na ordem econômica internacional, ocorridas nos dois anos seguintes determinaram ajustes na política econômica do País. A primeira crise ocorreu após o período retratado pela pesquisa de 1997, enquanto que a segunda foi deflagada pouco antes da pesquisa de 1998, não sendo captado plenamente o agravamento que causou, uma vez que há uma defasagem entre a ocorrência de impacto na economia e as suas conseqüências no mercado de trabalho e nos rendimentos. As remunerações tiveram reduções pouco expressivas tanto em 1997 como em 1998 e o grau de concentração dos rendimentos, estabilizado em 1997, diminuiu em 1998, em função de ter havido ganhos na metade inferior da pirâmide dos rendimentos e pequenas perdas na outra metade, especialmente nas remunerações de trabalho, já começando a indicar o impacto recessivo. Os rendimentos atrelados ao salário mínimo, que teve ganho real, foram um dos fatores que ajudaram a sustentar o aumento na metade inferior da distribuição dos remunerações. Em 1999 começaram a surgir indícios de recuperação na economia, mas houve aumento da inflação que vinha em ritmo de declínio desde a implantação do Plano Real, causando pequena perda real no valor do salário mínimo. Além deste fato, as conseqüências do período recessivo causaram perdas reais nos rendimentos. Em 1999, os rendimentos tiveram substancial redução, que atingiu com intensidade um pouco maior as remunerações mais altas. A participação no total das remunerações retirada do segmento do topo distribuiu-se entre os demais, reduzindo o grau de concentração dos rendimentos.

De 1998 para 1999, a perda real entre os 10% com as menores remunerações de trabalho foi de 6,8% e, no outro extremo, entre os 10% com os maiores rendimentos, de 8,6%.

Do total das remunerações de trabalho, os 10% com os maiores rendimentos detinham 51,5% em 1989 e 45,7% em 1999. No período de 1989 a 1999, o índice de Gini da distribuição dos rendimentos de trabalho atingiu o máximo (0,630) em 1989 e o mínimo (0,567) em 1999. O confronto regional mostrou que o grau de concentração dos rendimentos manteve-se mais elevado no Nordeste e no Centro-Oeste.

Em 1999, a remuneração média das pessoas com rendimento de trabalho apresentou redução (7,1%) em relação à do ano anterior, ficando abaixo das alcançadas em 1989 e a partir de 1995. A queda nos rendimentos atingiu a todas as categorias de trabalhadores e foi de 6,2% para os empregados, 7,4% para os trabalhadores por conta própria e 9,5% para os empregadores. Entre os trabalhadores domésticos a perda foi menor (2,2%). Em termos regionais, o Nordeste continuou detendo remunerações médias acentuadamente inferiores às das demais regiões.

Os resultados de 1999 mostraram que a defasagem entre os rendimentos dos dois gêneros continuou diminuindo, todavia a remuneração média de trabalho das mulheres ainda ficou em patamar muito inferior ao dos homens. O rendimento médio das mulheres com remuneração de trabalho em 1995 representava 62,6% do recebido pelos homens e, quatro anos depois, alcançou 69,1%.

Condições da Habitação e Consumo de Bens Duráveis

A alta acentuada no consumo de bens duráveis observada após a implantação do Plano Real continuou nos anos seguintes, embora já com menor intensidade em 1997 e 1998. De 1998 para 1999, constatou-se sensível retração no ritmo de crescimento do número de habitações dotadas dos bens duráveis pesquisados. Embora com incrementos menores que os dos anos anteriores, os domicílios com aqueles bens duráveis mais importantes para o bem-estar aumentaram significativamente. As altas taxas de juros em vigor, dificultando as compras a crédito, aliadas à retração nos rendimentos, contribuíram para este comportamento.

De 1998 para 1999, o número de domicílios com máquina de lavar foi o que apresentou o maior aumento (3,9%), vindo em seguida o daqueles com geladeira (3,5%). O crescimento acumulado no consumo desses bens elevou o percentual de domicílios dotados de geladeira de 74,9% em 1995 para 82,8% em 1999, enquanto o de máquina de lavar ascendeu de 26,7% para 32,8%.

O número de moradias com televisão vem subindo a taxas mais altas do que o daquelas dotadas de rádio, aproximando rapidamente estes dois indicadores. De 1998 para 1999, o acréscimo no número de moradias em que havia televisão foi de 2,7%, e no daquelas com rádio, de apenas 1,8%. Em quatro anos, o percentual de domicílios com televisão elevou-se de 81,1% para 87,7%, enquanto o dos que tinham rádio passou de 88,9% para 89,9%.

O número de domicílios com linha telefônica continuou crescendo a taxas bastante elevadas, em decorrência do aumento da oferta, que ainda é insuficiente para atender à demanda por este serviço. A expansão da telefonia celular contribuiu com parte importante para esta evolução. De 1998 para 1999, a alta foi de 20,2%, superando as dos anos anteriores. Em quatro anos, o percentual de domicílios com linha telefônica passou de 22,4% para 37,6%, tendo havido, nesse período, aumento de 85,2% no número de habitações dotadas deste serviço.

Os serviços essenciais de saneamento básico, coleta de lixo e iluminação elétrica, que são de inegável importância para a melhoria das condições de vida e saúde da população, continuaram ampliando a sua abrangência. Destes serviços, o que alcançou maior cobertura foi o de iluminação elétrica, que atendia a 91,8% das habitações em 1995 e atingiu a 94,8% em 1999. Entretanto o diferencial entre as áreas urbanas e rurais ainda é marcante, embora o atendimento das habitações rurais por este serviço venha aumentando com rapidez. Em 1999, cerca de um quarto das moradias rurais ainda não dispunha de iluminação elétrica, enquanto que somente 0,8% das urbanas carecia deste serviço.

A proporção de residências atendidas por serviço de coleta de lixo passou de 72,1% em 1995 para 79,9% em 1999. Em área urbana, este atendimento alcançou 93,7% das moradias e, na área rural, ficou em 19,6%.

Quanto às condições de saneamento básico, em 1999 havia 20,2% das moradias que não eram atendidas por rede geral de abastecimento de água e 35,4% que não dispunham de esgotamento sanitário adequado (existente quando a instalação sanitária é ligada a rede coletora de esgoto ou a fossa séptica). Em 1995, estes percentuais estavam, respectivamente, em 23,7% e 40,0%.