Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios - PNAD 2001

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1.1 - População Residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de idade

As informações da PNAD ora divulgadas retratam a situação socioeconômica brasileira no primeiro ano do milênio e, juntamente com a série de seus resultados anteriores, possibilitam acompanhar, desde o âmbito nacional até o metropolitano, a evolução ocorrida no País em termos demográficos, educacionais, de habitação e trabalho.

Composição e mobilidade populacional


O acompanhamento da evolução da estrutura etária do País revelou o paulatino envelhecimento da população, resultante da redução da fecundidade associada à queda da mortalidade. A taxa de fecundidade, que a partir da década de 1990 passou a declinar de forma mais moderada que nas duas décadas anteriores, diminuiu de 2,6, em 1992, para 2,3, em 2001. Ainda que o declínio da fecundidade tenha começado em meados da década de 1960, devido ao elevado número de mulheres em idade reprodutiva existentes, somente duas décadas adiante mostrou nitidamente os seus efeitos na estrutura etária. O estreitamento da base da estrutura etária pode ser percebido na evolução da participação dos grupos qüinqüenais mais jovens. Em meados da década de 1980, o grupo de 0 a 4 anos de idade deixou de ser o maior e, em 1992, o grupo de 10 a 14 anos de idade superou os dois anteriores. Com o prosseguimento deste processo, em 2001 o grupo de 15 a 19 anos de idade suplantou, claramente, os três primeiros. Já o outro extremo da estrutura etária vem refletindo o gradual aumento da participação de idosos na população.

De 1992 para 2001, a participação do grupo de menos de 10 anos de idade na população decresceu de 22,1% para 18,7% e a do contingente de 60 anos ou mais de idade passou de 7,9% para 9,1%. Nesse período houve diminuição no número de crianças de menos de 10 anos de idade e crescimento no de idosos. Um indicador que pode ser construído para mostrar a evolução do processo de envelhecimento populacional é o que relaciona o número de idosos de 60 anos ou mais de idade para cada 100 crianças de menos de 10 anos de idade. Este indicador estava em 35,6 em 1992 e atingiu 48,4 em 2001.

A Região Sudeste manteve a estrutura etária mais envelhecida, vindo logo em seguida a da Região Sul. A Região Norte urbana permaneceu com a estrutura etária mais jovem e a Região Nordeste, refletindo seu nível de fecundidade inferior apenas ao da Região Norte, deteve a segunda maior participação de crianças de menos de 10 anos de idade e, devido ao seu histórico processo de emigração, apresentou, também, a segunda maior participação de idosos de 60 anos ou mais de idade.

Como resultado da mortalidade diferenciada por gênero, constatou-se um excedente feminino na composição da população, o que se torna mais evidente nas idades mais elevadas. Em 2001, a parcela feminina representava 55,8% do contingente de pessoas de 60 anos ou mais de idade.

Em 2001, as pessoas brancas representavam 53,4% da população do País e as pardas, 40,4%. Em termos regionais, a composição por cor ou raça é bastante diferenciada, refletindo a origem das várias correntes migratórias que se distribuíram de formas diversas no Território Nacional. Em 2001, as pessoas brancas constituíam 63,4% da população da Região Sudeste, sendo esta proporção inferior apenas à da Região Sul (84,0%). As pessoas de cor parda predominavam nas Regiões Norte urbana (68,4%), Nordeste (64,1%) e Centro-Oeste (51,7%).

Como resultado dos movimentos migratórios, perto de 41% da população do País eram não-naturais do município de residência e cerca de 16% eram não-naturais da Unidade da Federação de moradia. Em termos regionais, a composição da Região Nordeste mostra os efeitos das saídas históricas de sua população em busca de condições de vida melhores em outras áreas do País, e as das Região Centro-Oeste e Norte urbana, os reflexos das correntes migratórias que receberam nas últimas décadas. Em 2001, a proporção de pessoas não-naturais da Unidade da Federação de residência ficou em apenas 7,5% no Nordeste e situou-se em 37,4% no Centro-Oeste.

Os migrantes apresentam estrutura etária mais envelhecida em decorrência de as levas migratórias apresentarem maior concentração em pessoas adultas que se deslocam em busca de melhores oportunidades de trabalho. Em 2001, a proporção de pessoas de 60 anos ou mais de idade situou-se em 15,1% no conjunto das não-naturais da Unidade da Federação de moradia e ficou em 7,9% no das naturais. Em conseqüência da sua estrutura etária mais envelhecida, a população de migrantes apresenta maior participação na força de trabalho do que a de não-migrantes. A taxa de atividade das pessoas de 10 anos ou mais de idade foi de 59,8% para as naturais da Unidade da Federação de residência e de 63,5% para as não-naturais.

Situação educacional


A situação educacional continuou apresentando expressivas melhorias no País. O crescimento da escolarização vem reduzindo o analfabetismo e elevando o nível de instrução da população, diminuindo disparidades regionais.

De 1996 para 2001, o percentual de crianças de 7 a 14 anos de idade fora da escola decresceu de 8,7% para 3,5%. Este indicador, em 1992, situava-se em 13,4%. A comparação entre os resultados regionais revelou que, de 1996 para 2001, esta proporção recuou de 5,9% para 2,6% no Sudeste, que é detentor do maior grau de escolarização, e de 13,6% para 4,8% no Nordeste, que, apesar da melhoria alcançada, permaneceu no outro extremo.

Embora os resultados venham gradualmente se aproximando, a taxa de escolarização das meninas ainda superava a dos meninos em 2001. O fato de haver mais meninos do que meninas no contingente de crianças trabalhando tem influência na diferença existente entre as suas taxas de escolarização. Em cinco anos, na faixa de 7 a 14 anos de idade, o percentual de meninos fora da escola decresceu de 9,3% para 3,7%, enquanto o de meninas declinou de 8,2% para 3,3%.

Na faixa etária de 10 a 14 anos de idade, em que se espera que a criança esteja pelo menos alfabetizada, a taxa de analfabetismo estava em 12,4% em 1992, baixou para 8,3% em 1996 e, cinco anos depois, caiu para 4,2%. No Nordeste, este indicador estava em 29,0% em 1992, tendo decrescido de 20,2% para 9,5% de 1996 para 2001. Apesar do avanço, este último resultado ainda ficou muito distanciado dos referentes às Regiões Sul (1,2%), Sudeste (1,2%) e Centro-Oeste (1,9%).

Em 2001 foi incluída na Pesquisa a investigação da rede de ensino freqüentada. Constatou-se que freqüentavam escola pública 30,1% dos estudantes do ensino superior, 78,5% do ensino médio, 89,8% do ensino fundamental, e 75,1% do pré-escolar. Em termos regionais, o percentual de estudantes em escola pública no ensino pré-escolar e fundamental ficou mais alto no Sul e no ensino médio e superior foi mais elevado no Nordeste. Cabe ressaltar que a proporção de estudantes de ensino superior na rede pública do Nordeste (52,1%) destacou-se acentuadamente das referentes às demais regiões, especialmente em relação à do Sudeste (19,7%) que foi a menor.

A proporção de pessoas com 10 anos ou mais de idade que concluíram pelo menos o ensino médio (ou nível equivalente), passou de 16,3% em 1996 para 21,7% em 2001. Entre os ocupados, as pessoas com pelo menos o ensino médio concluído passaram a representar 28,9% em 2001, contra 22,0% de 1996 e 18,4% em 1992.

Em decorrência de a taxa de escolarização feminina ter permanecido mais elevada, o nível de instrução das mulheres manteve-se em patamar nitidamente mais alto que o dos homens. Em 2001, a proporção de mulheres que concluíram pelo menos o ensino médio (ou nível de instrução equivalente) atingiu 23,2%, situando-se 3,1 pontos percentuais acima da referente à população masculina. Ademais, a disparidade entre o nível de instrução dos dois gêneros mostrou-se muito mais acentuada na população ocupada, pois o interesse feminino em ingressar no mercado de trabalho tende a aumentar com a elevação do seu nível educacional. Em cinco anos, a proporção de pessoas que concluíram pelo menos o ensino médio (ou nível de instrução equivalente) subiu de 18,6% para 24,6%, na população ocupada masculina, e de 27,3% para 35,1%, na feminina.

Situação do mercado de trabalho


De 1999 para 2001, o número de pessoas ocupadas cresceu 1,4% em média anual, menos que o incremento constatado para a população de 10 anos ou mais de idade (1,7% em média anual). Em 2001, o nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população de 10 anos ou mais de idade) ficou em 54,8%, próximo daquele de 1999 (55,1%). O acompanhamento da evolução do nível de ocupação de 1992 a 2001 revelou que este indicador apresentou sensível redução de patamar em 1996. Na população feminina, o nível da ocupação permaneceu estável de 1999 (43,0%) para 2001 (43,1%), enquanto na masculina passou de 67,9% para 67,4%. No período de 1992 a 2001 este indicador da população masculina manteve tendência de queda, enquanto o da feminina, apesar de ter apresentado, também, retração de nível em 1996, mostrou sinal de recuperação em 1999.

A taxa de desocupação passou de 9,6%, em 1999, para 9,4%, em 2001. Esta taxa da população masculina permaneceu mais elevada que a da feminina.

A participação das pessoas ocupadas em atividade agrícola apresentou acentuado declínio de 1999 para 2001, continuando a sua histórica tendência descendente, que pode ter sido acelerada pelo uso cada vez mais difundido de tecnologias mais atualizadas neste segmento da economia. De 1999 para 2001, o percentual de pessoas em atividade agrícola na população ocupada caiu de 24,2% para 20,6%. Constatou-se que somente o número de empregadores apresentou variação positiva, ainda que muito reduzida (1,0% em média anual) e que a maior redução de pessoal ocorreu no contingente dos trabalhadores não-remunerados (11,3% em média anual). Em decorrência de a maior perda de pessoal ter sido no contingente de trabalhadores não-remunerados e a menor na dos empregados (2,8% em média anual), as suas participações na atividade agrícola foram sensivelmente alteradas. De 1999 para 2001, na população ocupada no ramo agrícola, o percentual de trabalhadores não-remunerados passou de 27,4% para 24,6% e o de empregados, de 25,4% para 27,3%.

De 1999 para 2001, no grupo dos empregados em atividade agrícola, o número de pessoas com carteira de trabalho assinada apresentou forte redução (5,5% em média anual), enquanto no de pessoas sem carteira de trabalho assinada a queda foi relativamente pequena (1,7% em média anual). Como conseqüência, a participação das pessoas com carteira de trabalho assinada no contingente de empregados em atividade agrícola caiu de 30,0% para 28,3% de 1999 para 2001. Cabe ressaltar que este indicador da formalização do emprego agrícola atingiu seu máximo em 1999 e o resultado de 2001, ainda que superior aos alcançados no período de 1992 a 1995, ficou abaixo dos atingidos na segunda metade da década de 90.

Devido à forte retração de pessoal do ramo agrícola, o crescimento do segmento não-agrícola, ainda que importante, foi insuficiente para elevar o nível da ocupação como um todo. De 1999 para 2001, contrapondo-se à queda de 6,4% em média anual no contingente ocupado em atividade agrícola, o número de pessoas ocupadas em atividade não-agrícola, que representava 79,4% da população ocupada, cresceu em 3,8% em média anual. Dos dez ramos que compõem a atividade não-agrícola, apenas o das outras atividades decresceu, sendo que o da construção civil apresentou aumento insignificante e os demais tiveram elevações expressivas.

No emprego em atividade não-agrícola, verificou-se que houve crescimento, de 1999 para 2001, tanto no pessoal empregado com carteira de trabalho assinada (5,7% em média anual) como no sem registro (6,5% em média anual). Na parcela do emprego registrado formada pelos militares e funcionários públicos estatutários (que constitui a menor parcela dos empregados), não houve alteração relevante (variação negativa de 0,1% em média anual). Apenas o contingente de funcionários públicos municipais apresentou expansão (3,4% em média anual), ainda que menor que as observadas de 1997 para 1998 (11,1%) e de 1998 para 1999 (10,3%), enquanto os das esferas federal e estadual tiveram queda. Em média anual, no âmbito estadual o declínio foi de 1,4% e no conjunto dos militares e funcionários públicos federais a baixa atingiu 2,5%.

A partir de 1995 constatou-se tendência de queda de pessoal na indústria de transformação, refletindo as mudanças estruturais que foram intensificadas, especialmente nos segmentos industriais mais organizados, em busca de maior produtividade para ganhar competitividade e que implicaram menor utilização de mão-de-obra. Também contribuíram para manter esta tendência, as turbulências na ordem econômica internacional que ocorreram em 1997 e 1998. Pode-se supor que a recuperação que começou a despontar ao final de 1999 e ganhou ímpeto em 2000 foi forte o suficiente para manter o saldo positivo no pessoal ocupado na indústria de transformação em 2001, ano em que houve perda de impulso da produção industrial como um todo. Em média anual, o pessoal ocupado na indústria de transformação apresentou crescimento de 4,8% de 1999 para 2001, fazendo com que a sua participação na população ocupada passasse de 11,6% para 12,3%.

O contingente de empregados com carteira de trabalho assinada no ramo da indústria de transformação, fortemente concentrado em empreendimentos de maior porte, que vinha em ritmo de queda desde 1995, apresentou crescimento médio anual de 5,7% de 1999 para 2001 e o dos empregados não registrados aumentou em 2,9%, mostrando elevação pouco inferior à observada de 1998 para 1999.

Constatou-se que o pessoal ocupado na indústria da construção teve aumento insignificante de 1999 para 2001 (0,7% em média anual). Nesse período, os trabalhadores por conta própria tiveram queda média de 0,9% ao ano e os empregados sem registro, de 0,2%, enquanto os empregados com carteira apresentaram incremento de 2,7% e os empregadores de 4,3%. Os trabalhadores por conta própria representavam parcela bastante elevada do pessoal ocupado em construção civil (39,7% em 2001), logo a sua diminuição de 1999 para 2001, ainda que reduzida, permitiu perceber que houve desaceleração no segmento das pequenas obras e reformas desenvolvidas por empreendimentos menores onde se concentra esta categoria. O aumento verificado no número de empregados com carteira de trabalho assinada pode ser visto como um indicativo de expansão da atividade no segmento dos empreendimentos maiores, que são os que agregam a maioria dos empregados com carteira de trabalho assinada. No caso dos empregados não registrados, não houve crescimento na categoria como um todo, em decorrência da liberação da mão-de-obra que estava ocupada pelo setor público em 1999 em frentes de trabalho em construção civil, no Nordeste, com pessoal deslocado da agricultura, uma vez que no setor privado houve incremento de 6,1% em média anual. Na Região Nordeste, o decréscimo na categoria do emprego sem registro ocupada pelo setor público, no qual o contingente deslocado da agricultura para as frentes de trabalho se inseriu, foi de 62,8% em média anual.

De 1999 para 2001, houve aumento marcante no pessoal ocupado no comércio de mercadorias (4,6% em média anual), mantendo a tendência de crescimento deste setor. O contingente que mais contribuiu para este aumento foi o dos empregados com carteira de trabalho assinada (9,2% em média), o que fez com que a sua participação no pessoal ocupado no comércio de mercadorias passasse de 33,3% em 1999 para 36,3% em 2001. Também foi elevado o aumento no contingente de empregados não registrados (5,5% em média anual), bastante superior ao constatado para os trabalhadores por conta própria (2,9% em média anual).

O pessoal ocupado no setor de serviços como um todo aumentou, em média anual, 3,8%, de 1999 para 2001, mantendo sua trajetória ascendente. Entre os ramos que o compõem, todos, com exceção do grupo das outras atividades, apresentaram expansão. O ramo da prestação de serviços, que detinha 44,7% do pessoal ocupado no setor de serviços, aumentou em 1 045 mil pessoas de 1999 para 2001. As pessoas ocupadas no serviço doméstico remunerado contribuíram com 428 mil pessoas para esse aumento.

De 1999 para 2001, em média anual, o contingente dos trabalhadores domésticos teve alta de 3,8%. A sua maior parcela, formada pelas pessoas sem carteira de trabalho assinada, apresentou acréscimo, em média anual, de 3,1%, que foi muito inferior ao aumento de 5,9% constatado na parcela dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada, mostrando que prosseguiu o crescimento na formalização do emprego no serviço doméstico remunerado. Em 2001, no contingente dos trabalhadores domésticos, 26,1% tinham carteira de trabalho assinada, quando em 1996 eram 22,2% e, em 1992, representavam 17,5%.

Trabalho infantil


O número de crianças de 5 a 14 anos de idade ocupadas continuou apresentando tendência de declínio. De 1999 para 2001, o contingente de 5 a 14 anos de idade ocupado baixou em 739 mil crianças, representando uma queda de 13,3% em média anual. A participação das crianças ocupadas no total do grupo etário de 5 a 14 anos de idade caiu de 9,0% para 6,8% de 1999 para 2001. Em 1992 este indicador estava em 12,1%.

De 1999 para 2001, a proporção das crianças que trabalhavam reduziu-se de 2,4% para 1,8%, no grupo de 5 a 9 anos de idade, e passou de 14,9% para 11,6%, no grupo de 10 a 14 anos de idade. Em 1992, este indicador estava em 3,7% para o contingente de crianças de 5 a 9 anos de idade e em 20,4% para o de 10 a 14 anos de idade.

Constatou-se ainda que o diferencial entre os gêneros foi mantido. De 1999 para 2001, a proporção de crianças ocupadas no contingente de 5 a 14 anos de idade baixou de 11,8% para 9,1% entre os meninos, e de 6,0% para 4,5% entre as meninas.

A mão-de-obra infantil está mais concentrada em pequenos empreendimentos familiares, especialmente no setor agrícola, e desenvolvendo trabalhos sem contrapartida de remuneração. Em 2001, a atividade agrícola detinha 58,7% das crianças ocupadas de 5 a 14 anos de idade. No grupo etário de 5 a 9 anos este percentual atingiu 75,9%, e no de 10 a 14 anos de idade ficou em 56,0%.

Sindicalização e cobertura previdenciária

Em média anual, de 1999 para 2001, o número de contribuintes de instituto de previdência, em qualquer trabalho, apresentou acentuada elevação (3,9%) e a sua proporção na população ocupada subiu de 43,5% para 45,7%. Este percentual de 2001 foi nitidamente mais alto do que os observados durante a década passada, em que o máximo alcançado foi de 44,3% em 1998.

O percentual de contribuintes na população ocupada em atividade não-agrícola aumentou de 54,0% em 1999 para 54,7% em 2001, enquanto em atividade agrícola, apesar da retração apresentada no pessoal ocupado, este indicador permaneceu praticamente inalterado, tendo passado de 9,9% para 10,0%.

O nível da sindicalização pouco variou de 1992 a 2001. A participação das pessoas sindicalizadas na população ocupada ascendeu de 16,1% em 1999 para 16,7% em 2001, igualando-se ao indicador de 1992 que foi o mais elevado da década anterior, em que o mínimo foi atingido em 1999. Em 2001, a sindicalização permaneceu menor nos ramos da indústria da construção (6,5%) e da prestação de serviços (5,9%). O ramo que apresentou maior crescimento na sindicalização desde o princípio da década passada foi o agrícola. De 1992 para 2001, o percentual de pessoas sindicalizadas na população ocupada no ramo agrícola subiu de 13,5% para 20,2%.

Reflexo da situação econômica nos rendimentos


As medidas drásticas contidas no Plano Brasil Novo, que afetaram indistintamente a todas as faixas de rendimento, atingindo as mais altas com maior intensidade, colocaram as remunerações de 1990 em nível inferior aos dos quatro anos anteriores, e reduziram o seu grau de concentração. A recessão que se seguiu a este plano fez com que os rendimentos continuassem em curva descendente até 1992. A política salarial implantada em 1991, que de certa forma protegia as faixas salariais mais baixas, contribuiu para que a concentração dos rendimentos continuasse a cair até 1992. Em 1993, o despontar da recuperação econômica, embora acompanhado de recrudescimento da espiral inflacionária, e uma política salarial mais favorável propiciaram a elevação das remunerações. Este impulso positivo se fez sentir com maior intensidade nas faixas de remuneração mais altas, revertendo o sentido descendente da concentração dos rendimentos.

O Plano Real, instituído em julho de 1994, provocou, de imediato, queda brusca da inflação, propiciou a aceleração do crescimento econômico e a alta dos rendimentos. A indexação ainda mantida neste plano, que só foi totalmente eliminada em junho de 1995, de certa forma protegeu as categorias de remunerações mais baixas. Os ganhos decorrentes deste período favorável de estabilidade alcançaram a base da pirâmide dos rendimentos em 1995, ocasionando retração no grau de concentração das remunerações. Em 1996, passada esta primeira fase do Plano Real, os ganhos reais nos rendimentos ajustaram-se a patamares menores em função da nova realidade de estabilidade da economia e, de uma maneira geral, cresceram de forma inversa ao valor dos rendimentos, reduzindo o grau de concentração das remunerações. As duas crises, decorrentes de perturbações na ordem econômica internacional, ocorridas nos dois anos seguintes determinaram ajustes na política econômica do País. A primeira crise ocorreu após o período retratado pela pesquisa de 1997, enquanto a segunda foi deflagrada pouco antes da pesquisa de 1998, não sendo captado plenamente o agravamento que causou, uma vez que há uma defasagem entre a ocorrência de impacto na economia e as suas conseqüências no mercado de trabalho e nos rendimentos. As remunerações tiveram reduções pouco expressivas tanto em 1997 como em 1998, e o grau de concentração dos rendimentos, estabilizado em 1997, diminuiu em 1998, em função de ter havido ganhos na metade inferior da pirâmide dos rendimentos e pequenas perdas na outra metade, especialmente nas remunerações de trabalho, já começando a indicar o impacto recessivo. Os rendimentos atrelados ao salário mínimo, que teve ganho real, foram um dos fatores que ajudaram a sustentar o aumento na metade inferior da distribuição das remunerações.

Em 1999, começaram a surgir indícios de recuperação na economia, mas houve aumento da inflação que vinha em ritmo de declínio desde a implantação do Plano Real, causando pequena perda real no valor do salário mínimo. Além deste fato, as conseqüências do período recessivo causaram perdas reais nos rendimentos. Em 1999, os rendimentos tiveram substancial redução, que atingiu com intensidade um pouco maior as remunerações mais altas. A participação no total das remunerações retiradas do segmento do topo distribuiu-se entre os demais, reduzindo o grau de concentração dos rendimentos. Em 2000, firmou-se o processo de recuperação que foi revertido em 2001, ano em que o racionamento de energia e o crescimento das taxas de juros contribuíram para a desaceleração da economia e a inflação continuou em elevação. Estes fatores causaram, em 2001, perda real, ainda que relativamente pequena nos rendimentos, mantendo a tendência de queda iniciada em 1997. Em valores reais, o salário mínimo de 2001 foi o maior do período de 1990 a 2001 e superou em 15,3% o de 1999, o que contribuiu decisivamente para o ganho real observado na metade inferior da distribuição dos rendimentos, pois a faixa que mais concentrava este rendimento apresentou elevada alta. Na metade superior da distribuição dos rendimentos o sentido foi de redução, o que implicou estabilidade no nível da concentração dos rendimentos.

De 1999 para 2001, em média anual, a perda real entre os 10% dos ocupados com as menores remunerações de trabalho foi de 1,6% e, no outro extremo, entre os 10% com os maiores rendimentos, de 0,3%. Entretantos no segmento em que mais se concentravam as pessoas ocupadas remunerada com o salário mínimo (terceira faixa inferior da distribuição) o ganho real foi de 4,7% em média anual. No período de 1992 a 1999, o índice de Gini da distribuição dos rendimentos de trabalho atingiu o máximo (0,600) em 1993 e o mínimo (0,566) em 2001, ficando estável em relação ao de 1999 (0,567). O confronto regional mostrou que o grau de concentração dos rendimentos manteve-se mais elevado no Nordeste e no Centro-Oeste.

Do total das remunerações de trabalho, os 10% dos ocupados com os maiores rendimentos detinham 48,1% em 1990, alcançaram 49,0% em 1993 e ficaram com 46,1% em 2001.

A remuneração média das pessoas com rendimento de trabalho apresentou, de 1999 para 2001, redução média anual de 0,7%. Esta remuneração ficou abaixo das alcançadas a partir de 1995. Em termos regionais, o Nordeste continuou detendo remunerações médias acentuadamente inferiores às das demais regiões.

Os resultados de 2001 mostraram que a defasagem entre os rendimentos dos dois gêneros continuou diminuindo, todavia a remuneração média de trabalho das mulheres ainda ficou em patamar muito inferior ao dos homens. O rendimento médio das mulheres com remuneração de trabalho em 1996 representava 65,9% do recebido pelos homens e, cinco anos depois, alcançou 69,6%.

Condições da habitação e posse de bens duráveis

O racionamento de energia que vigorou no País em parte do ano de 2001 determinou mudanças nas decisões das famílias em relação à compra e manutenção de determinados bens. A necessidade de economizar energia conduziu à desaceleração no crescimento dos domicílios dotados de freezer, uma vez que este não é um bem tão essencial quanto geladeira. De 1999 para 2001, o número de habitações dotadas de freezer teve aumento insignificante (0,7% em média anual), sensivelmente inferior ao de 1998 para 1999, que foi de 2,2%. O percentual de habitações dotadas de freezer caiu de 19,6% em 1999 para 18,8% em 2001.

Tanto o número de moradias com geladeira como o de domicílios dotados de máquina de lavar tiveram os maiores crescimentos constatados de 1999 para 2001, (ambos com 4,4% em média anual). De 1999 para 2001, o percentual de moradias com geladeira subiu de 82,8% para 85,1% e o de habitações com máquina de lavar roupa, de 32,8% para 33,7%.

Em 1999, devido ao crescimento pouco intenso de moradias com rádio, o percentual de domicílios em que havia este bem já mostrava retração em relação ao do ano anterior, mas ainda superava o de domicílios com televisão, que mantinha trajetória ascendente. Em 2001, o percentual de moradias com televisão (89,0%) ultrapassou o de habitações com rádio (88,0%). Em 1999, a participação das habitações com rádio estava em 89,9% e a daquelas com televisão, em 87,8%.

Em 2001, passou a ser pesquisada a existência de microcomputador nas residências e foi verificado que 12,6% dos domicílios tinham este bem. Também foi constatado que 8,6% dos domicílios tinham microcomputador com acesso à internet.

O número de domicílios com linha telefônica continuou crescendo a taxas bastante elevadas, em decorrência do aumento da oferta. Em 2001, os domicílios atendidos por linha telefônica fixa ou móvel representavam 58,9%, sendo que, em 1999, eram 37,6%. Os domicílios atendidos unicamente por linha móvel celular eram 7,8% em 2001.

Os serviços essenciais de saneamento básico, coleta de lixo e iluminação elétrica, que são de grande importância para a melhoria das condições de vida e saúde da população, continuaram ampliando a sua abrangência. Destes serviços, o que alcançou maior cobertura foi o de iluminação elétrica, que atendia a 94,8% das habitações em 1999 e atingiu a 96,0% em 2001. A proporção de residências atendidas por serviço de coleta de lixo passou de 80,0% em 1999 para 83,2% em 2001. Quanto às condições de saneamento básico, em 2001 havia 18,9% das moradias que não eram atendidas por rede geral de abastecimento de água e 33,2% que não dispunham de esgotamento sanitário adequado (existente quando a instalação sanitária é ligada a rede coletora de esgoto ou a fossa séptica). Em 1999, estes percentuais estavam, respectivamente, em 20,2% e 35,3%.