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  Tábua de Vida

Evolução da Mortalidade - 2001 - Brasil

Esperança de vida ao nascer no Brasil em 2001 e o efeito das mortes por causas externas

A esperança de vida ao nascer, no Brasil, vem experimentando, ao longo dos anos, incrementos paulatinos. Particularmente, entre 1980 e 2001, para a população de ambos os sexos, esse indicador da mortalidade passou de 62,7 anos para 68,9, correspondendo, em anos, a um incremento de 6,2 ou, em meses, a 78,4 (Tabela 1). O mesmo fenômeno também foi observado para cada sexo, com franco favorecimento ao sexo feminino (6,9 anos, para as mulheres, contra 5,5 anos, para os homens).

Observou-se que os diferenciais entre os sexos também experimentaram aumentos ao longo dos 21 anos de estudo. Em 1980, enquanto as mulheres possuíam uma esperança de vida ao nascer de 66,0 anos, os homens detinham uma vida média 59,6 anos, representando uma diferença de 6,4 anos. Vinte e um anos mais tarde, as mulheres, no Brasil, já estariam vivendo, em média, 7,8 anos a mais que os homens (72,9 anos, para o sexo feminino e 65,1 anos, para o sexo masculino).

O ritmo de crescimento mais lento da esperança de vida masculina, comparativamente ao da feminina, encontra explicação no aumento gradativo da sobremortalidade masculina nas idades jovens e adultas jovens. Essa sobremortalidade é expressa pela relação entre as taxas específicas de mortalidade de homens e mulheres. Por exemplo, nos últimos anos, as taxas de mortalidade masculinas, na faixa dos 20 a 29 anos de idade, chegam a ser mais de três vezes superiores às correspondentes femininas.

Esse é, sem dúvida, um aspecto que merece uma investigação mais detalhada, tendo em vista o impacto das mortes por causas externas (homicídios, acidentes de trânsito, suicídios, quedas acidentais, afogamentos, etc.) na vida média da população brasileira. O segmento populacional mais vulnerável à incidência de tais mortes é constituído por homens jovens e adultos jovens.

Nesse sentido, o Departamento de População e Indicadores Sociais, da Diretoria de Pesquisas do IBGE, iniciou estudo que visa avaliar o impacto das mortes por causas externas na esperança de vida brasileira. Foram incorporadas ao modelo de projeção de população do Brasil por sexo e idade - Revisão 2000 - as taxas de mortalidade por causas naturais e, em seguida, os óbitos estimados por essas causas foram comparados com os óbitos totais (naturais mais causas externas), para a obtenção das respectivas mortes estimadas por causas externas. Também, foram derivadas as esperanças de vida ao nascer, considerando-se, unicamente, a ocorrência de mortes naturais. No Anexo Metodológico encontra-se a descrição da forma de estimação das taxas de mortalidade por causas naturais e os primeiros resultados desta simulação estão apresentados na Tabela 1.

Assim, pode-se observar que, ao considerar uma situação limite de ausência de mortes por causas externas, a população masculina teria um aumento de 2,5 anos na esperança de vida ao nascer em anos recentes. Já o segmento feminino experimentaria ganhos bem menos expressivos (da ordem de 1/2 ano). No tocante ao total da população, a vida média seria acrescida de 1 ano e seis meses.

Os Gráficos de 1 a 3 (correspondentes ao sexo masculino, para 1980, 1991 e 2000) e os Gráficos de 4 a 6 (correspondentes ao sexo feminino, para 1980, 1991 e 2000) não deixam dúvidas quanto ao maior efeito sobre as taxas de mortalidade masculina, quando "isolada" a incidência das mortes por causas externas.

Com relação aos óbitos que poderiam ser evitados (uma vez que as mortes por causas externas são classificadas dentro do conjunto de mortes evitáveis), estimou-se em 1 milhão e 900 mil as mortes ocorridas por causas externas em 21 anos. Essa cifra corresponde, nos dias de hoje, a duas vezes a população do município de Campinas ou a soma das populações de Rondônia e Acre, segundo os resultados do Censo Demográfico 2000. Desse total, mais de 1 milhão e 570 mil mortes corresponderiam ao sexo masculino (82,4 %) e cerca de 338 mil ao sexo feminino (17,6 %). No grupo de 10 a 39 anos de idade, as mortes por causas externas alcançaram a cifra de 1 milhão e 258 mil óbitos (65,8 % do total de mortes por essa causa), dos quais 1 milhão e 77 mil são referentes à população masculina.

No contexto mundial, o Brasil ocupa, segundo a Organização das Nações Unidas, através de sua Divisão de População, a 108a posição no ranking dos 187 países para os quais foram estimadas as esperanças de vida ao nascer, para o período 2000-2005. Apesar dos ganhos recentes, ainda há uma longa trajetória para o Brasil alcançar patamares como o da França (79,0 anos) e o do Japão (81,5 anos). A Tabela 2 fornece uma lista de países com as 10 mais altas e as 10 mais baixas esperanças de vida ao nascer.

Tabela 1: Esperanças de Vida ao Nascer por Sexo e Óbitos Estimados segundo a Natureza da Morte - Brasil - 1980-2001

Anos de Referência Ambos os Sexos Homens Mulheres
1980 62, 59,6 66,0
1991 66,0 62,6 69,8
1998 68,1 64,4 72,0
1999 68,4 64,6 72,3
2000 68,6 64,8 72,6
2001 68,9 65,1 72,9
Ganhos na Esperança de Vida ao Nascer 1980-2001
Em anos 6,2 5,5 6,9
Em meses 78,4 66,0 82,8
Considerando as mortes naturais
1980 63,9 61,4 66,5
1991 67, 65,1 70,5
1998 69, 66,9 72,6
1999 70,0 67,2 72,9
2000 70,2 67,4 73,2
2001 70,3 67,5 73,3
Ganhos (Em Anos) na Esperança de Vida ao Nascer Em Ausência de Mortes por Causas Externas
1980 1,2 1,8 0,5
1991 1, 2,5 0,
1998 1,6 2,5 0,6
1999 1,6 2,6 0,6
2000 1,6 2,6 0,6
2001 1,4 2,4 0,4
Óbitos Totais Estimados no Modelo de Projeção Populacional pelo Método das Componentes Demográficas no Período 1980-2001
Totais 23.742.109 13.740.536 10.001.573
Causas Naturais 21.828.923 12.164.770 9.664.153
Causas Externas 1.913.186 (100,0%) 1.575.766 (82,4%) 337.420 (17,6%)
Óbitos no Grupo Etário 10 a 39 Anos Estimados no Modelo de Projeção Populacional pelo Método das Componentes Demográficas no Período 1980-2001
Totais 3.332.488 2.360.75 971.731
Causas Naturais 2.073.960 1.283.714 790.246
Causas Externas 1.258.528 (100,0%) 1.077.043 (85,6%) 181.485 (14,4%)
Percentual de Mortes por Causas Externas no Grupo 10 a 39 Anos de Idade em Relação ao Total de Mortes por Causas Externas 1980-2001
Percentual 65,8% 68,4% 53,8%

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas. Departamento de População e Indicadores Sociais.

 

A N E X O    M E T O D O L Ó G I C O

Procedimento para a estimação das taxas específicas de mortalidade por idade por causas naturais

O desenvolvimento é valido para os sexos masculino e feminino, bem como para ambos os sexos. Sejam,

, respectivamente, as taxas observadas de mortalidade por grupos de idade correspondentes às mortes por causas naturais (j) e externas (k);

Sendo,

,

onde,

, são as taxas observadas de mortalidade por grupos de idade correspondentes à todas as causas de morte;

Sejam,

, as participações relativas das taxas observadas de mortalidade por grupos de idade por causas naturais em relação às taxas de mortalidade correspondentes à todas as causas;

Então,

Sejam,

, as taxas de mortalidade por grupos de idade, corrigidas do subregistro de óbitos e implícitas na projeção do Brasil - Revisão 2000;

Então,

, onde:

são os fatores de correção do subregistro das mortes naturais.

Assim as taxas de mortalidade por causas naturais e grupos de idade, podem ser expressas da seguinte forma:


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