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  Tábua de Vida

Evolução da Mortalidade - 2000 - Brasil

A evolução da esperança de vida no Brasil na última década do século XX: os ganhos e os diferenciais por sexo

De acordo com as estimativas oficiais, a esperança de vida ao nascer da população brasileira experimentou um ganho de 2,6 anos, ao passar de 66,0 anos, em 1991, para 68,6 anos, em 2000. Os Gráficos 1, 2 e 3, respectivamente, para ambos os sexos, homens e mulheres mostram que os aumentos na esperança de vida deram-se em todas as idades, sendo que os mais expressivos incrementos foram observados na população feminina, como mostra também o Gráfico 4.

No caso particular da esperança de vida ao nascer, a Tabela 1 resume o comportamento evolutivo dessa medida do nível da mortalidade. Vale destacar que o diferencial entre os sexos experimenta um ligeiro incremento: em 1991, as mulheres possuíam uma vida média ao nascer 7,2 anos superior à dos homens, enquanto que em 2000 esse diferencial é de 7,8 anos.

Tabela 1:
Brasil: Esperanças de vida ao nascer e ganhos no período - 1991-2000

Anos de referência Ambos os sexos Homens Mulheres
1991 66,0 62,6 69,8
1998 68,1 64,4 72,0
1999 68,4 64,6 72,3
2000 68,6 64,8 72,6
Ganhos na esperança de vida ao nascer 1991 - 2000
Em anos 2,59 2,26 2,84
Em meses 31,08 27,12 34,08
1998 - 2000
Em meses 6,24 5,52 6,72
Em dias 187 166 202

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de População e Indicadores Sociais, Tábua de Mortalidade para o Brasil – 1991, 1998-2000.

Se por um lado, os maiores ganhos absolutos na expectativa de vida, ao longo do período 1991-2000, são observados nas primeiras idades, por outro lado, as maiores variações relativas ocorrem nas idades mais avançadas. Este fato não chega a causar surpresa, pois elevações nas esperanças de vida guardam estreitas relações com o paulatino aumento da longevidade humana (Gráficos 5 e 6).

Muito embora o Brasil tenha obtido inegáveis ganhos sobre a mortalidade geral, particularmente no que concerne à esperança de vida ao nascer, o padrão das taxas de mortalidade por idade sofreu uma significativa alteração no transcurso dos anos 80, ocasionado, por um lado, pela redução da mortalidade nas primeiras idades, e, por outro, pela elevação brutal das mortes de jovens e adultos jovens por causas externas. Este fenômeno tem incidido com maior intensidade sobre o sexo masculino a ponto de reduzir os ganhos na esperança de vida masculina e de aumentar os diferenciais de mortalidade entre homens e mulheres. A AIDS, de certa forma, também contribuiu para alterar o padrão da mortalidade por idade ao nível nacional. Quando a enfermidade registrou os primeiros casos em território brasileiro, no início dos anos 80, a relação era de 24 notificações em homens para apenas 1 caso notificado em mulheres. Atualmente, esta relação já é de 2 para 1, significando que a doença não mais pode ser atribuída como típica de um sexo ou mesmo de grupos específicos. Vale lembrar que até meados da década de 90, pensou-se que o avanço da epidemia fosse ocasionar uma diminuição da esperança de vida ao nascer do brasileiro. Entretanto, com a implantação do programa de distribuição das medicações anti-AIDS, por parte do Ministério da Saúde, através do Sistema Único de Saúde - SUS, a mortalidade atribuída à doença diminuiu acentuadamente. O Gráfico 7 ilustra esses comentários, destacando-se o fato da curva que descreve as probabilidades de morte, correspondente ao sexo masculino, apresentar um comportamento distinto daquele observado no sexo feminino. Em outras palavras, são nas idades adultas jovens onde a sobremortalidade (quociente entre as probabilidades de morte de homens e mulheres) masculina atinge seus valores máximos, como bem ilustra o Gráfico 8.


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