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Estimativas de População

1. Introdução

O modelo adotado para estimar os contingentes populacionais dos municípios brasileiros emprega metodologia desenvolvida pelos demógrafos Madeira e Simões, onde se observa a tendência de crescimento populacional do município, entre dois Censos Demográficos consecutivos, em relação a mesma tendência de uma área geográfica hierarquicamente superior (área maior).

O método requer a existência de uma projeção populacional, que leve em consideração a evolução das componentes demográficas (fecundidade, mortalidade e migração), para uma área maior que o município, quer dizer, para a Unidade da Federação, Grande Região ou País. Desta forma, o modelo matemático desenvolvido estaria atrelado à dinâmica demográfica da área maior. Em síntese, o que a metodologia preconiza é que: se a tendência de crescimento populacional do município entre os Censos for positiva, a estimativa populacional será maior que a verificada no último levantamento censitário; caso contrário, a estimativa apontará valor inferior ao último Censo.

A seguir a metodologia é apresentada na sua íntegra.

2. Descrição do método de tendência de crescimento adotado para estimar as populações dos municípios brasileiros.

O método de tendência de crescimento demográfico adotado tem como princípio fundamental a subdivisão de uma área maior, cuja estimativa já se conhece, em n áreas menores, de tal forma que seja assegurada ao final das estimativas das áreas menores a reprodução da estimativa, pré-conhecida, da área maior através da soma das estimativas das áreas menores (Madeira e Simões, 1972).

Considere-se, então, uma área maior cuja população estimada em um momento t é P(t). Subdivida-se esta área maior em n áreas menores, cuja população de uma determinada área i, na época t, é

Desta forma, tem-se que:

Decomponha-se, por hipótese, a população desta área i, em dois termos: ai P(t), que depende do crescimento da população da área maior, e bi . O coeficiente ai é denominadocoeficiente de proporcionalidade do incremento da população da área menor i em relação ao incremento da população da área maior, e bi é o denominadocoeficiente linear de correção.

Como conseqüência, tem-se que:

Para a determinação destes coeficientes utiliza-se o período delimitado por dois Censos Demográficos. Sejam t0 e t1, respectivamente, as datas dos dois Censos. Ao substituir-se t0 e t1 na equação acima, tem-se que:

Através da resolução do sistema acima, tem-se que:

Deve-se considerar na expressões anteriores:

Época t0: 1º de setembro de 1991 ( Censo Demográfico )

Época t1: 1º de agosto de 2000 ( Censo Demográfico )

Época t: 1º de julho do ano t ( ano estimado )

3. Estimativas para as Unidades da Federação

A partir da aplicação do modelo descrito anteriormente, foram estimadas as populações de cada uma das Unidades da Federação, considerando-se como área maior o Brasil, cuja projeção foi elaborada pelo método das componentes demográficas, e como áreas menores as próprias Unidades da Federação. As populações das Grandes

Regiões foram obtidas a partir da soma das estimativas populacionais das suas respectivas Unidades da Federação.

Desta forma, foram obtidas as populações residentes totais estimadas, em 1º de julho do ano t para as 27 Unidades da Federação.

4. Estimativas para os Municípios

Estas estimativas foram obtidas, também, pela aplicação do modelo descrito no item 2, ressaltando-se que os Municípios foram considerados como áreas menores em relação às Unidades da Federação correspondentes.

4.1. Estimativas para os Municípios instalados até 1º de agosto de 2000 e com população superior ou igual a 100.000 habitantes

Considerou-se como área maior a Unidade da Federação e como áreas menores estes Municípios. Desta forma, foram obtidas as populações residentes

totais estimadas, em 1º de julho do ano t, para estes Municípios, segundo a situação político-administrativa vigente na mesma data.

4.2. Estimativas para os Municípios instalados até 1º de agosto de 2000 e com população inferior a 100.000 habitantes

Obteve-se, previamente, para cada Unidade da Federação, os quartis ( medidas estatísticas ) das populações segundo o tamanho dos Municípios, em 1º de

agosto de 2000, e os quartis das taxas médias geométricas anuais de crescimento, observadas no período intercensitário 1991-2000, segundo a magnitude das mesmas.

Pelo cruzamento dos quartis das duas variáveis ( população e taxa ) e adotando-se o critério de se separar os municípios com taxas de crescimento positivas daqueles com taxas negativas, formaram-se grupos de Municípios com o objetivo de se agregar aqueles que, dentro de cada Unidade da Federação tivessem tamanho de população, em 2000, e taxas de crescimento observadas, no período 1991-2000, bastante próximas.

A partir daí, estimaram-se as populações residentes totais destes grupos, para 1º de julho do ano t, considerando-se como área maior a Unidade da Federação (excetuando-se os municípios já estimados em 5.1.) e como áreas menores os grupos formados.

De posse da proporção que cada município representava em relação ao seu grupo, com respeito a população de 1º de agosto de 2000, aplicou-se a mesma proporção ao total estimado para o seu grupo em 1º de julho do ano t, obtendo-se, assim, as populações residentes estimadas para a mesma data acima para os

Municípios brasileiros instalados até 1º de agosto de 2000, com população inferior a 100.000 habitantes, segundo a situação político-administrativa vigente em 1º de julho do ano t.

4.3. Estimativas para os Municípios instalados após 1º de agosto de 2000

Para estes Municípios foram calculadas as proporções com que os mesmos foram criados a partir dos Municípios que lhes deram origem com relação a população residente em 1º de agosto de 2000.

Estas proporções aplicadas as populações dos Municípios origens, estimados em 4.1. ou 4.2., permitiram a obtenção das estimativas das populações residentes totais para 1º de julho do ano t dos Municípios instalados após 1º de agosto de 2000, segundo a situação político-administrativa vigente em 1º de julho do ano t.

4.4. Estimativas para as partes remanescentes dos Municípios desmembrados ( Municípios origens ) após 1º de agosto de 2000

Retirando-se das populações estimadas para os Municípios origens ( item 4.1 ou 4.2 ) as populações estimadas para os Municípios instalados a partir dos mesmos ( item 4.3 ), obtiveram-se as estimativas das partes remanescentes dos Municípios desmembrados, segundo a situação político-administrativa vigente em 1º de julho do ano t.

5. Resultados disponíveis

Estão disponíveis, desta forma, as estimativas das populações residentes, em 1º de julho do ano t, para o Brasil, segundo o sexo e grupos quinquenais de idade e para as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Municípios as populações totais, segundo a situação político-administrativa vigente em na data da estimativa.

Os resultados apresentados são produto do esforço do Departamento de População e Indicadores Sociais (DEPIS/IBGE), na utilização e compatibilização de fontes de dados alternativas, como também na aplicação de metodologias que servirão como base para o desenvolvimento de trabalhos futuros.

Caso seja de seu interesse, no mesmo portal do IBGE encontra-se disponível a metodologia completa, incorporando o método das componentes demográficas, utilizado na projeção populacional da área maior.

6. Bibliografia

CENTRO LATINO AMERICANO DE DEMOGRAFIA.Métodos para proyecciones demográficas. San José, 1984.

IBGE.Relatório do 1º workshop sobre estimativas de população para pequenas áreas. Rio de Janeiro: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica, Diretoria de Pesquisas, Departamento de População, 1991.

MADEIRA, João Lira, SIMÕES, Celso Cardoso da Silva. Estimativas preliminares da população urbana e rural segundo as unidades da federação, de 1960/1980 por uma nova metodologia.Revista Brasileira de Estatística, v.33, n.129, p.3-11, jan./mar. 1972.