Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

English Español
  Pesquisa Anual do Serviços

Comentários

Apresentação

Neste volume são publicados pela primeira vez os resultados da Pesquisa Anual de Serviços – PAS, referentes aos anos de 1998 e 1999, dando início à série anual desta pesquisa. Dentro do novo enfoque das pesquisas anuais, cabe à PAS o levantamento de informações voltadas à caracterização da estrutura produtiva do segmento empresarial atuante em atividades de serviços, em substituição aos censos econômicos. Portanto, antecedendo à PAS, o último levantamento mais amplo e completo cobrindo as atividades de serviços foi o Censo Econômico de 1985.

Os resultados da PAS referem-se às empresas atuantes em atividades de serviços mercantis não-financeiros, abrangendo as atividades de alojamento e alimentação, transportes e serviços auxiliares dos transportes, correio e telecomunicações, informática, serviços imobiliários e de aluguel de bens, serviços prestados principalmente às empresas e outras atividades de serviços (serviços auxiliares financeiros, representantes comerciais e agentes do comércio, serviços auxiliares da agricultura, serviços recreativos, culturais e desportivos e serviços pessoais).

Os resultados ora divulgados contribuem para o conhecimento da organização produtiva do segmento dos serviços sob vários pontos de vista, tais como a contribuição na geração de renda e emprego, a posição relativa frente a outros segmentos da economia e a distribuição no espaço geográfico de cada um dos segmentos pesquisados, inclusive ressaltando diferenças e peculiaridades. Os comentários contidos neste volume limitam-se a destacar as principais características de cada segmento, não pretendendo esgotar as possibilidades de análise do acervo de informações da PAS.

ASPECTOS GERAIS

O setor produtor de serviços vem assumindo papel cada vez mais importante no desenvolvimento da economia mundial, tanto do ponto de vista da geração de renda e emprego, como da substancial contribuição para a dinâmica econômica dos países. Crescem, portanto, o interesse e a demanda pelas estatísticas de serviços, tradicionalmente mais precárias e rarefeitas do que as do segmento produtor de bens. A PAS tem como objetivo contribuir para minorar esta carência.

No Brasil, a participação no PIB do setor produtor de serviços, em conceito amplo, segundo as Contas Nacionais, situou-se em 58,3% em 1999, respondendo por 57,2% da absorção de mão-de-obra na economia, , como demonstram os gráficos 1 e 2.

 

Dentro do conceito mais amplo, o setor produtor dos serviços mercantis não-financeiros, respondendo por 28,4% do PIB e 23,3% das pessoas ocupadas, é o foco principal da PAS, com exceção das atividades relacionadas à Saúde e Educação, e a restrição de que cobre apenas a atuação do segmento empresarial. Dada a forte presença em alguns segmentos da produção de serviços mercantis não-financeiros de unidades da economia informal ou de agentes autônomos e ainda a não inclusão das atividades relacionadas à Saúde e Educação, avalia-se que o segmento empresarial coberto pela PAS responda por cerca de 14% do PIB do País.

Segundo a PAS/99, atuaram em atividades de prestação de serviços cobertas pela pesquisa cerca de 650,5 mil empresas, registrando produção no valor de R$ 185,4 bilhões, uma massa de pessoas ocupadas de 5,3 milhões e uma folha salarial de R$ 37,4 bilhões.

A leitura e a análise das informações da PAS requerem a remissão ao desenho da pesquisa, sobretudo à abrangência de um conjunto bastante diferenciado de atividades, com poucos ou nenhum traço comum. O chamado "setor produtor de serviços" não constitui um agregado com sentido analítico e a denominação serviços aplica-se genericamente às atividades não produtoras de bens. Reconhecendo este fato, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas–CNAE, que segue padrão internacional, mesmo no nível mais agregado, identifica vários segmentos de atividades de serviços, sem agrupá-los num único bloco. A PAS, por razões apontadas nas Notas Técnicas, optou por um desenho abrangente, cobrindo a atividade empresarial em ampla gama de segmentos de serviços não-financeiros, estendendo-se por várias seções da CNAE.

Os segmentos dos serviços pesquisados pela PAS, têm como característica principal uma grande heterogeneidade, quer sob a ótica da demanda, da produção, do porte das empresas, da tecnologia, da especialização da mão-de-obra, do grau de concorrência dos mercados, das relações com o mercado de trabalho ou da integração com os demais setores econômicos. Deste modo, fazem parte da PAS tanto serviços tradicionais, como alojamento e alimentação, transportes (à exceção do transporte aéreo), serviços pessoais e manutenção e reparação de bens, que se destacam pela baixa ou semiqualificação da mão-de-obra, baixa intensidade de capital e baixo desenvolvimento tecnológico, como pertencentes aos segmentos mais dinâmicos da economia, tais como telecomunicações, atividades de informática e serviços audiovisuais em geral, que são capital-intensivas, informação-intensivas, empregam mão-de-obra altamente qualificada e são usuárias das avançadas tecnologias da informação e comunicação.

Como comentário geral dos primeiros resultados da PAS divulgados através desta publicação, chama-se atenção, de um lado, para a composição e a posição relativa dos vários segmentos cobertos pela pesquisa e, de outro, para a heterogeneidade das características das diversas atividades cobertas. Aos comentários gerais se seguirão comentários específicos referidos a cada segmento pesquisado.

A divulgação dos resultados da PAS está organizada nos seguintes agrupamentos de atividades:

· Alojamento e alimentação CNAE seção H

· Transporte e atividades auxiliares CNAE divisões 60,61 e 62

· Correios e telecomunicações CNAE divisão 64

· Atividades imobiliárias CNAE divisões 70 e 71

· Atividades de informática CNAE divisão 72

· Serviços prestados às empresas CNAE divisão 74

· Outras atividades de serviços CNAE divisões 67,90,92,93;

grupos 016,502,511,52 e

classes 0213,5042

Os comentários serão feitos obedecendo-se a esta organização.

O gráfico 3 sintetiza a participação e permite a visualização da composição do universo de empresas pesquisadas pela PAS, indicando em relação a quatro variáveis selecionadas - número de empresas, pessoal ocupado, massa salarial e valor da produção – a posição relativa de cada segmento.

Em número de empresas, destacam-se os segmentos de alojamento e alimentação (41,6%), outras atividades (23,1%) e serviços prestados às empresas (15,9%), onde é forte a presença de empresas de pequeno e médio portes cujo peso é marcante o peso na dinâmica destes setores.

Como geradoras de emprego, distinguem-se as atividades de serviços prestados às empresas (30,6%), alojamento e alimentação (22,9%) e transportes e atividades auxiliares (22,8%). Nos dois primeiros segmentos o uso intensivo de mão-de-obra está ligado à organização com predominância de empresas de pequeno e médio porte. No caso dos transportes e auxiliares, há uma combinação de segmentos com predominância de pequenas empresas, mas em outros a característica de uso intensivo de mão-de-obra combina-se com a estrutura predominante de grandes empresas.

Sob o ângulo de participação no valor de produção (receita operacional líquida, subvenções e outras receitas), o grande destaque - mais de 50% - fica com o segmento de transportes e auxiliares (30,2%), seguido por correio e telecomunicações (20,0%).

Em volume de salários pagos, transportes e auxiliares (29,8%) e serviços prestados às empresas (28,4%) respondem juntos por quase 60% de todo o segmento pesquisado.

Combinando expressiva participação tanto na absorção de mão-de-obra (30,6%) quanto no volume de salários pagos (28,4%), o destaque do segmento serviços prestados às empresas deve-se basicamente aos serviços de investigação, vigilância e segurança e aos serviços de limpeza em prédios e domicílios, que são atividades de intensivo uso de mão-de-obra. É importante ressaltar também a participação dos serviços técnico-profissionais, que incluem as empresa holdings, na formação da massa salarial, com 11,6 % do total.

As diferenças de participação dos vários segmentos na absorção de mão-de-obra e nos salários pagos vão se traduzir em marcadas desigualdades de salário médio que, por sua vez, refletem diferenças de níveis de qualificação requeridos pelas várias atividades. É o caso dos serviços de alojamento e alimentação, que se destacam como grandes absorvedores de mão-de-obra (22.9%), mas, devido ao uso de mão-de-obra de baixa qualificação, respondem por apenas 10,5 % do total dos salários pagos nos segmentos pesquisados pela PAS.

As diferenças entre os segmentos pesquisados ficam mais evidenciadas nos indicadores por atividade apresentados no gráfico 4, referidos aos seguintes coeficientes: valor adicionado (VA) por empresa e pessoal ocupado (PO) por empresa, como indicadores de tamanho da empresa, VA/PO, como indicador de nível de produtividade, e salário médio em número de salários mínimos, como indicador de nível médio de qualificação requerida pela atividade.

Da observação destes gráficos, o principal destaque é a posição bem diferenciada de dois segmentos: correios e telecomunicações e informática, que, sem dúvida, representam a face mais dinâmica e de tecnologia de ponta do setor produtor de serviços e cujos coeficientes contrastam com os dos serviços tradicionais em todos os indicadores selecionados: tamanho de empresa, produtividade e salário médio (indiretamente refletindo a qualificação da mão-de-obra).

Os coeficientes apresentados no gráfico 4 referem-se à média dos grandes grupamentos definidos para divulgação dos resultados da PAS. Em análises centradas em cada segmento será possível detalhar sua composição interna, que também revelará a coexistência em seu interior de atividades também diferenciadas quanto à absorção de tecnologia de ponta, nível de qualificação da mão-de-obra e intensidade de uso de capital. É o caso do segmento de transportes e auxiliares, que agrupa empresas atuantes em segmentos de alta intensidade de capital e mão-de-obra altamente qualificada e especializada, tal como o de transporte aéreo, ao lado de serviços de apoio, tal como operação de estacionamentos, que não têm os mesmos requisitos.

A diferenciação entre os segmentos pesquisados quanto à estrutura por tamanho das empresas pode ser visualizada no gráfico 5, onde o volume de receitas/produção é distribuído de acordo com sua geração em empresas classificadas em quatro faixas de tamanho definido por número de pessoal ocupado (PO): até 19 PO; de 20 a 49 PO; de 50 a 99 PO e 100 ou mais PO.

 

Sob a ótica regional, a distribuição das atividades dos segmentos dos serviços pesquisados pela PAS como um todo (gráfico 6) reflete a concentração espacial da renda do País (gráfico 7). A Região Sudeste, por apresentar um maior nível de desenvolvimento industrial e urbano (58,2% do PIB do País), concentra 67,7 % da geração do valor da produção da atividade empresarial dos serviços pesquisados, seguida da Região Sul, com 14,2 %, da Região Nordeste, com 9,6%, da Região Centro-Oeste, com 6,1 % e da Região Norte, com 2,4%.

COMENTÁRIOS SOBRE OS SEGMENTOS DE EMPRESAS DE SERVIÇOS PESQUISADOS PELA PAS

I – Empresas de Alojamento e alimentação

As atividades de alojamento e alimentação configuram-se como umas das mais tradicionais dentre as que estão voltadas para a prestação de serviços às famílias. Este segmento, que segundo a PAS concentrava em 1999 cerca de 270 mil empresas no país, é composto predominantemente por micro e pequenas empresas. A presença de unidades econômicas informais também é muito representativa nessas atividades, conforme apontou a Pesquisa de Economia Informal Urbana realizada em 1977, que indicou a existência de 790 mil pequenos estabelecimentos informais na área urbana do país.

Também é muito expressivo o emprego e as demais formas de ocupação nessas atividades, sendo significativa a participação de proprietários, sócios e membros da família (esposas, filhos, agregados) nas tarefas cotidianas dessas empresas, em especial das de menor porte. As pessoas ocupadas nas empresas de alojamento e alimentação em 1999, segundo a PAS, eram cerca de 1,2 milhão. Quantitativo da mesma ordem foi encontrado pela Pesquisa de Economia Informal Urbana nas unidades informais desse segmento.

Nas atividades de alojamento, as empresas com até 19 pessoas ocupadas respondiam por 90,2% do total de empresas e nas de alimentação as pequenas unidades representavam cerca de 98,5 % do total. Porém, em termos de receita, a participação das unidades de menor porte é bem menos expressiva, cerca de 25,8% nas de alojamento e 58,7% nas empresas de alimentação (gráficos 8 e 9).

O predomínio nas atividades de alimentação e alojamento de empresas com até 19 pessoas ocupadas deve-se ao fato de que para essa escala de empreendimento não são necessários nem muito capital para a instalação de uma nova empresa nem mão-de-obra muito qualificada para operá-la. São segmentos pouco intensivos em capital, que apresentam baixa qualificação e remuneração da mão-de-obra e atuam como amortecedores do desemprego nas épocas de crise, pois neles é relativamente mais fácil a entrada no mercado de novas empresas assim como de novas unidades econômicas informais.

Os salários pagos nas atividades de alojamento e alimentação foram em média muito baixos (cerca de 1,8 salários mínimos mensais) se comparados à média de salários pagos nas demais atividades pesquisadas pela PAS. Esses salários refletem a baixa qualificação da mão-de-obra ocupada (gráficos 10 e 11), sendo que nas empresas que ocupavam até 19 pessoas, no segmento alimentação, esta média situava-se em torno de 1,3 salário mínimo.

No que concerne ao faturamento líquido médio anual, as empresas com até 19 empregados apresentaram valores muito baixos quando comparados aos das empresas com 100 e mais empregados, ou seja, enquanto o faturamento dessas empresas de pequeno porte nos serviços de alojamento foi de R$ 53,2 mil e no de alimentação R$ 29,7 mil, as de grande porte, nessas atividades, apresentaram um faturamento de R$ 8.749,3 mil e R$ 10.319,9 mil, respectivamente.

Uma das características das atividades de alimentação é sua dispersão geográfica. Em praticamente todos os municípios brasileiros são encontradas pequenas empresas e a presença de unidades informais, embora somente nos municípios de maior porte e nas capitais estejam concentradas as empresas de grande porte, principalmente as cadeias de fast-food do setor. Esta característica de desconcentração das atividades também é percebida no setor de alojamento. Na grande maioria dos municípios brasileiros são encontrados vários tipos de alojamentos, tanto grandes e pequenos hotéis como albergues e pensões familiares que fazem parte da economia informal. Até mesmo complexos hoteleiros de grande porte podem ser encontrados em pequenos municípios em função da importância turística destes.

As atividades de alojamento, segundo a PAS, encontravam-se distribuídas geograficamente em padrão semelhante ao da distribuição da população total. Na região Norte, que concentrava cerca de 7,6% da população, e na Nordeste, que concentrava cerca de 28,1%, como era de se esperar, a participação das empresas de alojamento era um pouco mais reduzida, cerca de 2,7% e 18,5%, respectivamente. Nas regiões Sudeste e Sul, ao contrário, a participação das empresas de alojamento era superior à da população. A distribuição regional da receita para essa atividade acentua as diferenças regionais (gráficos 7 e 12 a 16).

Para as atividades de alimentação, os dados da PAS apontavam para uma maior concentração, em termos de receita, na região Sudeste, observando-se que na Região Sul a participação da receita é praticamente a mesma da população.

II – Empresas de transportes e de serviços auxiliares dos transportes

As atividades que compõem o setor de transportes apresentam grande diferenciação, considerando-se porte das empresas, estrutura operacional, qualificação da mão-de-obra e nível de faturamento. Os dados da PAS, permitem análise de cada subsetor, possibilitando enfocar algumas de suas especificidades.

II.1 – Empresas de transporte rodoviário

A principal opção para a integração econômica e ocupação do espaço geográfico do País, a partir do anos 50, foi a expansão da infra-estrutura para o transporte rodoviário. Desde então, as atividades que fazem parte do segmento do transporte rodoviário constituem-se em atividades estratégicas na economia, com empresas atuando em todo o território nacional e integradas às cadeias voltadas para a produção e distribuição de mercadorias, que incluem o processo de escoamento da produção industrial e agrícola e a circulação de mercadorias para consumo intermediário e final.

Também o crescimento urbano, principalmente o das grandes cidades, e em particular das capitais e regiões metropolitanas, tem propiciado uma demanda cada vez maior de transporte urbano de passageiros de várias modalidades.

O segmento das empresas de transporte rodoviário ocupava mais de 920 mil pessoas, que representavam 76,5% do total das empresas de transportes e 17,4% do conjunto das atividades pesquisadas pela PAS, sendo cerca de 574 mil pessoas no transporte de passageiros e 347 mil no transporte de cargas.

O transporte rodoviário é a atividade que, em seu conjunto, apresentava a maior participação no total das empresas de transportes. Na estrutura de formação do valor bruto de produção este segmento responde, segundo a PAS – 1999, por 54,5% do valor da produção das empresas de transportes, dentre as quais 29,1% correspondem ao transporte de cargas e 25,4% ao de passageiros (gráfico 18). Em relação ao valor da produção gerado pelo conjunto das empresas de serviços pesquisadas pela PAS, o transporte rodoviário responde por 16,5%, sendo 8,8% para cargas e 7,7% para passageiros.

A atividade do transporte rodoviário apresenta uma significativa presença de micro e pequenas empresas (com até 19 pessoas ocupadas). No caso do transporte de passageiros, as empresas de pequeno porte representam cerca de 83,3%. Embora numerosas essas unidades respondem, no entanto, por apenas 6,4 % do emprego e 5,4% do faturamento do subsetor (gráfico 19), enquanto que as empresas que ocupam mais de 50 pessoas, cerca de 12,5 % do total, respondem por 90,9% da ocupação e por 92,3 % do faturamento.

As pequenas empresas são ainda mais representativas no setor de transporte de cargas, cerca de 92,8%. Isto se explica em parte pela grande participação de trabalhadores autônomos que são levados a constituírem empresas formais visando a atender a exigências legais de mercado. Essas pequenas empresas apresentam uma participação expressiva no sub-setor tanto em termos da ocupação, absorvendo cerca de 42,5% do pessoal ocupado, como em termos de faturamento, com 32,6 % do total (gráfico 20).

 

O número de pessoas ocupadas nas empresas de transporte rodoviário demonstra que essa atividade gera um número significativo de postos de trabalho aos quais, em 1999, correspondeu um total de R$ 7,0 bilhões em salários e retiradas de proprietários, dentre os quais R$ 4,5 bilhões são referentes ao transporte de passageiros e R$ 2,5 bilhões ao de cargas. A remuneração média é de cerca de 4,4 salários mínimos por pessoa ocupada.

Na composição do valor adicionado gerado por empresas de transporte rodoviário de passageiros, os gastos com pessoal representam 78%, o que evidencia a característica da atividade como de uso intensivo de mão-de-obra. Nas empresas de transporte rodoviário de carga essa participação é menor, da ordem de 47,4%, o que pode ser explicado pelo alto grau de terceirização nesta atividade, principalmente realizada com transportadores autônomos. De acordo com as informações da PAS os custos de mão-de-obra terceirizada representam 27,0 % do consumo intermediário.

A participação de autônomos é bem expressiva no segmento transportes, tendo sido registrados 591.829 trabalhadores por conta própria nos transportes de passageiros e cargas, segundo a pesquisa de Economia Informal Urbana realizada em 1997. Nessa mesma pesquisa foram registradas 46.123 empresas informais.

As informações relativas à distribuição regional do pessoal ocupado nas empresas de transporte rodoviário de passageiros apresentam um padrão semelhante ao da distribuição da população (gráficos 7, 12 e 21 a 24).

Destaca-se a região Sudeste, que concentra cerca de 60% da ocupação e 64,5% da receita gerada no segmento, o que comparado à participação da população (42,6%) indica uma oferta mais abundante dessa modalidade de transporte na região. Por sua vez, esses indicadores para o transporte rodoviário de carga apontam a importância da região Sul, o que pode ser explicado pela expressiva produção agrícola da mesma.

 

II.2 – Empresas de Transporte aéreo

O transporte aéreo é a segunda modalidade mais importante dentre as empresas de transportes, responsável por cerca de 18,2 % do valor de produção deste segmento. Encontra-se dividido em duas especialidades: transporte aéreo regular e transporte aéreo não-regular (inclusive táxi aéreo).

As informações para o transporte aéreo regular estão restritas às empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas, em função das características dessa atividade.

Transporte aéreo regular

O transporte aéreo regular apresenta como principais características a predominância de um pequeno número de empresas de grande porte, configurando uma atividade altamente concentrada, o uso intensivo de capital e de recursos tecnológicos e a absorção de mão-de-obra qualificada.

O transporte aéreo regular conta com 27 grandes empresas operando no País, as quais, de acordo com as informações da PAS, registraram um valor de produção de R$ 9,5 bilhões em 1999, correspondente a 17,0 % do total das empresas de transportes, e um valor adicionado de cerca de R$ 3,9 bilhões nesse mesmo ano.

Em função do porte das empresas de transporte aéreo, os coeficientes de valor adicionado por empresa (R$ 144,1 milhões em 1999) e pessoal ocupado por empresa (1.400 pessoas) colocam-se bem acima da média, tanto no segmento de transportes como em relação às demais atividades cobertas pela PAS.

Em termos salariais, nas empresas de transporte aéreo regular a média salarial de 14,0 salários mínimos por empregado, muito superior à praticada tanto em outros segmentos dos transportes, como nas demais atividades cobertas pela PAS, reflete o requisito de alta qualificação e especialização exigido na operação deste meio de transporte.

Transporte aéreo não-regular (inclusive táxi aéreo)

As empresas de transporte aéreo não-regular (inclusive táxi aéreo) são formadas, em sua maioria, por empresas de pequeno e médio porte. Na faixa de até 19 pessoas ocupadas foram registradas 227 empresas em 1999, o que corresponde a 65,2 % do total desse subsetor, com uma média de 5,2 pessoas ocupadas por empresa. Com relação ao volume de negócios, no entanto, as empresas dessa faixa de pessoal ocupado respondem por um percentual bem menor (1,3%) do valor da produção do transporte aéreo. Mesmo nessas empresas, o salário médio é elevado, situando-se em cerca de 9,1 salários mínimos por empregado, em função da qualificação exigida para a mão-de-obra.

II.3 – Empresas de Transporte ferroviário e metroviário

O transporte ferroviário e metroviário também caracteriza-se por apresentar intensa concentração das atividades no pequeno número de grandes empresas que se situam na faixa de 100 ou mais pessoas ocupadas. Estas atividades vêm passando nos últimos anos por intensas transformações devido à transferência de suas operações, anteriormente pertencentes ao setor estatal, para o setor privado, através de privatizações ou sistemas de concessão. Aos governos federal e estaduais cabem atualmente administrar a infra-estrutura do setor e promover a expansão das linhas e malhas metroviárias e ferroviárias.

O valor bruto da produção atingiu R$ 4,0 bilhões em 1999 e, em função da forte concentração, o setor se destacou por apresentar um dos maiores índices de valor adicionado por empresa, cerca de R$ 125 milhões em 1999, quando comparado às atividades de transportes e às demais atividades de serviços pesquisados pela PAS.

A média salarial nas empresas de transporte ferroviário e metroviário foi de 14,1 salários mínimos mensais em 1999, bem acima da média do setor transportes, que foi de cerca de 5,3 salários mínimos (gráfico 25), indicando a utilização de uma maior proporção de mão-de-obra qualificada no processo operacional.

II.4 – Empresas de Transporte aquaviário

O transporte aquaviário encontra-se organizado nas categorias de longo curso, de cabotagem e vias internas, que se diferenciam em função das características geográficas das áreas em que operam, dos tipos de serviços prestados pelas empresas (transporte de passageiros, de cargas ou ambos), do porte das empresas e dos tipos de embarcações. As características de cada subsetor são destacadas nas tabelas das empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas, cujos dados permitem esta segmentação.

Transporte de longo curso e cabotagem

A diferença básica entre os dois tipos de transporte consiste no fato de que o transporte de longo curso opera em rotas internacionais e o de cabotagem opera em rotas nacionais, constituindo-se em navegação costeira. As empresas de navegação tanto de longo curso como de cabotagem são usualmente de grande porte e atuam predominantemente no transporte de mercadorias, utilizando embarcações de grande porte. Trata-se, portanto, de atividades caracteristicamente capital-intensivas e fortemente concentradas. A PAS registrou em 1999 apenas 11 empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas em transporte de longo curso e 17 em transporte de cabotagem. As empresas de longo curso geraram em 1999, valor bruto da produção da ordem de R$ 653,8 milhões e valor adicionado de R$ 130,5 milhões, enquanto as empresas de cabotagem geraram R$ 313,1 milhões de valor de produção e R$ 75,6 milhões de valor adicionado, o que significou um valor adicionado médio de R$ 11,9 milhões por empresa, no longo curso, e R$ 4,4 milhões em cabotagem, valores bem elevados em comparação com a média de R$ 427,8 mil para as atividades de transportes pesquisadas pela PAS.

Estas especialidades de transporte não são grandes geradoras de emprego, abrangendo no conjunto 3.218 pessoas, uma média de 114,9 por empresa, com uma média de 10,3 salários mínimos mensais de remuneração.

Transporte por Vias Internas

O transporte por vias internas se refere ao transporte de passageiros e cargas em rios, lagos, baías e outras vias internas, utilizando embarcações de médio e pequeno porte. É um dos principais meios de transporte na Região Norte, e nas demais regiões representa uma opção secundária, sobretudo para escoamento da produção, com menor uso para o transporte de passageiros.

Nessa atividade operam empresas de pequeno, médio e grande porte, repetindo-se o padrão geral de predominância em número de pequenas empresas (69,2% das empresas são de porte inferior a 20 pessoas ocupadas) e concentração da atividade e do emprego nas empresas de maior porte (47,0% do valor adicionado e 57,1% do pessoal ocupado do transporte aquaviário estão em empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas).

Os coeficientes de número médio de pessoas ocupadas (7,2 pessoas) e valor agregado médio (R$ 2,7 milhões) nas empresas atuantes no transporte de vias internas foram inferiores aos das empresas atuantes no transporte de longo curso e cabotagem.

II.5 – Empresas de Serviços auxiliares dos transportes

As atividades que compõem os serviços auxiliares dos transportes são: movimentação e armazenagem de cargas; atividades auxiliares aos transportes terrestres (operação de terminais rodoviários e ferroviários, exploração de estacionamentos e edifícios-garagem, etc.); atividades auxiliares aos transportes aquaviários (operação de portos, serviços de pilotagem, praticagem e rebocagem em portos e estuários, serviços de vistoria em embarcações, etc.); atividades auxiliares aos transportes aéreos (operação de aeroportos, controle de tráfego aéreo, serviços de limpeza de aeronaves, etc.); atividades organizadoras dos transportes de cargas (despachantes aduaneiros, serviços de comissaria, acondicionamento de cargas, etc.) e agências de viagens e organizadoras de viagens.

Seguindo o mesmo padrão de distribuição que as demais atividades de transporte, as empresas que prestam serviços auxiliares de transporte são predominantemente de pequeno porte (até 19 pessoas ocupadas), respondendo por 10,5 % da receita e 29,7% da ocupação no total desse segmento (gráfico 26). As empresas com mais de 100 pessoas (1,4%), por sua vez, são responsáveis pela maior porção de geração da receita (67,6%) e dos postos de trabalho (48,5 %) nesse segmento.

III – Empresas de correios e telecomunicações

As atividades de telecomunicações são estratégicas nas sociedades atuais, destacando-se pelo maior dinamismo e uso de mais avançada tecnologia dentre as demais atividades dos serviços. A partir do desenvolvimento contínuo das novas tecnologias de informação e comunicação-TIC, e conseqüentemente da oferta de novos produtos e serviços, as telecomunicações vêm influenciando e, de certa forma, determinando a dinâmica e as novas formas de organização da atividade econômica no País.

No Brasil, o setor de telecomunicações vem passando por forte reestruturação institucional a partir do fim do monopólio estatal nesta atividade. Com o processo de privatizações modificou-se o papel do Estado que passou à função de regulador e fiscalizador, dentro de estratégia de atração de investimentos privados que permitissem ampliar a oferta de serviços a preços mais reduzidos, como resultado da introdução de práticas competitivas no setor.

O processo de privatização das empresas de telecomunicações teve início em 1995 com a regulamentação dos serviços de telefonia celular, transmissão de dados, uso de satélites e serviços de valor adicionado. Atualmente, a configuração da telefonia no País está muito modificada, com várias empresas atuando nos Estados, muitas vezes na forma de consórcios, de acordo com as metas fixadas pela Agência Nacional de Telecomunicações–ANATEL.

Os principais produtos/serviços oferecidos pelas empresas de telecomunicações que operam no país são: os serviços de telefonia fixa e de telefonia celular; os serviços móveis aéreo e marítimo; os serviços de pager; os serviços de interconexão; os serviços de transmissão de dados e serviços de transmissão por satélite; a transmissão de sons e imagens para empresas de televisão e rádio; os serviços de backbone para provedores de acesso à Internet e os serviços de provisão de acesso à Internet.

A análise a seguir restringe-se ao segmento das empresas de telecomunicações com 20 e mais pessoas ocupadas.

As empresas de telecomunicações apresentam um elevado grau de concentração em suas atividades. A PAS registrou cerca de 248 empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas responsáveis pela geração de um valor bruto de produção de R$ 32,8 bilhões em 1999, o que representava 88,6 % do segmento correio e telecomunicações como um todo (gráfico 27) e 17,7 % do conjunto dos serviços cobertos pela pesquisa. O valor adicionado atingiu R$ 14,9 bilhões, com um valor médio de R$ 60,0 milhões por empresa.

Na estrutura de custos operacionais dessas empresas, os serviços prestados por terceiros basicamente por pessoas jurídicas, apresentavam relevante participação, constituindo-se em 32,5 % do consumo intermediário (gráfico 28). Isto pode ser explicado pelo fato das empresas nessa atividade operarem de forma integrada, com vários tipos de serviços de intermediação na operacionalização de suas atividades (uso de satélites, interconexão, roaming visitante, etc.), o que implica um sistema de repasses de receitas entre elas. Outros gastos com participações relevantes nessas atividades são os aluguéis de imóveis, máquinas e equipamentos, com 19,3 % e custo das mercadorias revendidas, com 17,2 %, sendo estes correspondentes em sua maior parte à venda de aparelhos de telefone celular.

Essas empresas geraram um volume de R$ 2,3 bilhões de salários, pagando em média 13,5 salários mínimos mensais para cada empregado, ocupando uma média de 404,2 empregados por empresa.

As empresas de correio são tratadas na pesquisa em conjunto com as de telecomunicações. Dentro deste segmento, bastante heterogêneo, as empresas de menor porte (com até 19 pessoas) dedicavam-se basicamente aos serviços de courrier, entregas rápidas, franquias do correio e provedores de acesso à Internet. Essas empresas representavam 85,3% do número total de empresas no segmento correio e telecomunicações, com um faturamento médio de cerca de R$ 134,0 mil.

V – Empresas de informática

As atividades de informática vêm apresentando nos últimos anos um forte dinamismo, caracterizando-se pela prestação de serviços altamente especializados e intensivos em tecnologias de informação e comunicação - TIC, que são as tecnologias que caracterizam a sociedade atual como a "Sociedade da Informação". O uso cada vez mais disseminado da informática vem afetando e transformando as relações sociais e econômicas, gerando serviços essenciais de apoio ao processo produtivo, gerencial e administrativo das empresas.

O crescimento dessa atividade nos últimos anos vem ocorrendo em função de fatores como a globalização das atividades econômicas; o crescimento do uso de redes de comunicação, com especial destaque para a Internet , que propicia o crescimento dos negócios eletrônicos (e-market, e-procurement, e-learning, e-government, etc.); a universalização do uso de microcomputadores; o desenvolvimento de mercado nacional na área de produção de programas informáticos de uso comercial e pessoal e o aumento da demanda dos serviços de informática por parte das grandes empresas.

O valor de produção gerado pelas empresas de informática foi cerca de R$ 11,2 bilhões em 1999, ocupando, em 1999, cerca de 166 mil pessoas. Um dos aspectos a ser destacado neste segmento refere-se ao grande número de pequenas e micro-empresas (até 19 pessoas ocupadas) respondendo por 12,9% da produção nessas atividades (gráfico 29), o que pode em parte ser explicado pelo processo de terceirização desses serviços.

Com relação à ocupação nas atividades de informática, cerca de metade da mão-de-obra estava alocada em empresas com 100 e mais pessoas. As empresas com até 19 pessoas eram responsáveis por parcela bastante significativa de postos de trabalho, ou seja, 37,0% do total. Muitas dessas empresas funcionam apenas com o trabalho do proprietário ou de sócios e de membros da família, o que explica a baixa média de pessoas ocupadas por empresa, apenas 2,3 pessoas. As empresas desse segmento são principalmente as que desenvolvem atividades de consultoria ou de apoio em informática.

Já as empresas de grande porte (com 100 e mais pessoas ocupadas), ligadas ao processamento de dados e a bancos de dados, apresentam uma média muito elevada de pessoas ocupadas por empresa, cerca de 571,0.

Em termos salariais, as atividades de informática geraram uma massa salarial de R$ 2,6 bilhões, com uma média geral de 8,9 salários mínimos por empregado. Enquanto nas empresas de pequeno porte a média salarial era de cerca de 2,3 salários, nas empresas de grande porte (100 e mais pessoas ocupadas) esta média alcançava cerca de 13 salários.

As empresas com mais de 100 empregados foram responsáveis por 69,4% do volume de negócios, com um valor médio de R$ 50,2 milhões por empresa, valor este muito elevado se comparado à média de R$ 407,1 mil para a atividade de informática como um todo.

Na PAS, as atividades de informática foram segmentadas em três categorias: consultoria, desenvolvimento de programas e atividades de banco de dados; processamento de dados e manutenção e reparação de máquinas de escritório e equipamentos de informática. A primeira delas compreende todos os tipos de consultoria ou assessoria em configurações de equipamentos e programas de informática e a criação e o acesso a bancos de dados. As atividades de processamento de dados referem-se a processamento, digitação e outros serviços de tratamento de dados. As atividades de manutenção e reparação referem-se às empresas que prestam serviços de manutenção e reparação de computadores e equipamentos de informática periféricos, mas incluem também as que prestam serviços de manutenção e reparação de outras máquinas de escritório.

Tomando-se por base as empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas, os serviços de consultoria e desenvolvimento de programas e banco de dados respondiam por 52,2% do volume de negócios; os serviços de processamento de dados, dentre os quais incluem-se os "bureau de serviços", por 37,2%; e os serviços de manutenção e reparação de máquinas de escritório e equipamentos de informática, por 10,6% (Gráfico 30).

A distribuição geográfica das atividades de informática destaca o Estado de São Paulo, que concentrava mais da metade das empresas (como sedes ou filiais) e das receitas por elas geradas (54,2%), como o principal polo irradiador das novas tecnologias, produtos e serviços de informática. Conseqüentemente, a Região Sudeste, da qual fazem parte outros estados que também atraíram muitas empresas desse segmento, apresentava a maior concentração regional tanto em termos do número de empresas (77,1%), como da geração de receitas (73,6%) e da ocupação (64,9%) nessas atividades. (Quadro 1).

As informações da PAS relativas à região Centro-Oeste chamam a atenção para o pequeno número de empresas de informática nela encontrado às quais corresponde significativa participação na receita (10,3%), ocupação (8,3%) e salários (9,2%). Isto pode ser explicado pelo fato de o Distrito Federal ser a sede de algumas grandes empresas estatais de informática e também pelo o peso do setor público como usuário destes serviços.

Quadro 1 – Empresas de informática Participação das Regiões e de São Paulo, no total de receita, salários, pessoal ocupado e número de empresas - 1999

Brasil e Regiões Receita de Serviços Salários Pessoal ocupado Número de empresas
Brasil 100,0 100,0 100,0 100,0
Norte 0,8 1,5 1,2 0,1
Nordeste 4,1 7,4 10,5 5,0
Sudeste 73,6 69,5 64,9 77,1
São Paulo 54,2 44,1 39,3 53,0
Sul 11,2 12,3 15,2 17,3
Centro-Oeste 10,3 9,2 8,3 0,4

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Comércio e Serviços, Pesquisa Anual de Serviços.

VI - Empresas imobiliárias e de aluguel de bens

As empresas neste segmento atuam nas atividades de incorporação de imóveis; administração, corretagem e aluguel de imóveis; aluguel de automóveis e outros meios de transporte; aluguel de máquinas e equipamentos e aluguel de objetos pessoais e domésticos.

Segundo a PAS 1999, as 32 mil empresas atuantes nestas atividades geraram uma produção no valor de 6,9 bilhões e ocuparam 174 mil pessoas. Deste contingente, 97% eram empresas com até 19 pessoas ocupadas que respondiam por cerca da metade da produção, ou seja, 48,3 % do valor da produção (gráfico 31). As empresas de menor porte são sobretudo aquelas envolvidas com as variadas atividades de aluguel (imóveis, automóveis, máquinas e equipamentos, objetos pessoais, etc.), uma vez que as atividades de incorporação de imóveis são mais freqüentemente desenvolvidas por empresas de grande porte.

A atividade de incorporação de imóveis constitui-se em uma atividade atípica e diferenciada dentre as demais do setor serviços, em função de características funcionais e operacionais. Esta atividade consiste em: compra de terrenos; elaboração e legalização de projetos de construção; promoção de benfeitorias (através da contratação de construtoras) e venda de unidades habitacionais construídas ou em construção. Trata-se de atividade estreitamente vinculada à de construção , sendo muitas vezes difícil estabelecer a fronteira entre elas. As empresas incorporadoras que também desenvolvem atividades de construção são classificadas como empresas de construção.

A atividade de incorporação de imóveis consiste, pois, em promover a construção de um empreendimento imobiliário, cujos imóveis pertencem às próprias imobiliárias, sem executar as construções. Diferentemente das demais atividades de serviços, cujo uso ou consumo do serviço ocorre no momento em que é produzido, a incorporação de imóveis visa à promoção de empreendimentos que se destinam a produzir no futuro um ativo fixo para famílias ou empresas.

Dessa forma, a receita principal das empresas de incorporação de imóveis advém da venda de imóveis próprios, que na PAS foram consideradas "receita de revenda de mercadorias". Da mesma forma, os custos associados à incorporação dos imóveis foram considerados como "custo das mercadorias vendidas".

As empresas de incorporação de imóveis com 20 ou mais pessoas ocupadas geraram um faturamento líquido de R$ 1,1 bilhão, correspondente à 17,1% do sub-setor.

VII - Empresas de serviços prestados às empresas

O segmento serviços prestados às empresas volta-se sobretudo ao atendimento da demanda dos setores empresariais e governamentais, que têm na contratação de serviços de terceiros um importante elemento de complementação e/ou apoio ao desempenho de suas atividades principais. O intenso dinamismo e a crescente diversificação das atividades deste segmento estão estreitamente relacionados à intensificação do processo de terceirização na economia. Trata-se de segmento muito diversificado e heterogêneo, abrangendo tanto atividades avançadas tecnologicamente e com mão-de-obra qualificada, como é o caso das atividades de consultorias técnicas, como atividades intensivas em mão-de-obra com baixa ou semiqualificação, como é o caso dos serviços de vigilância e de limpeza.

Na PAS, o segmento encontra-se dividido em três grupos, em função de suas especializações e grau de qualificação da mão-de-obra: serviços técnico-profissionais; seleção, agenciamento e locação de mão-de-obra; e serviços de investigação, vigilância, segurança e limpeza em prédios e domicílios.

As empresas atuantes nestas atividades em 1999 geraram, no seu conjunto, um valor de produção de R$ 33,1 bilhões, correspondente a 17,9% da produção nas atividades de serviços pesquisadas pela PAS. Do total deste segmento, os serviços técnico-profissionais responderam por 54,6%, os serviços de investigação, vigilância e limpeza, por 38,2%, e os serviços de seleção, agenciamento e locação de mão-de-obra, por 7,2% (gráfico 32).

Serviços técnico-profissionais

Este grupo contempla atividades que se caracterizam pela qualificação e especialização da mão-de-obra, tais como: atividades jurídicas, de contabilidade e auditoria, pesquisas de mercado e de opinião pública, gestão de participação societária (holdings), assessoria em gestão empresarial, serviços de arquitetura, engenharia e assessoramento técnico, ensaio de materiais e serviços de publicidade.

As empresas de menor porte (com até 19 pessoas ocupadas) assumem papel relevante na organização destas atividades, sobressaindo-se não apenas no quantitativo de empresas (97,8 %), mas também na absorção de mão-de-obra (62,2%) e na geração da receita (48,6%) (gráfico 33). Computando-se as empresas com até 49 pessoas, a participação atinge aproximadamente 71,6 % do emprego e 60,1% da receita operacional. Tal fato pode ser explicado pela preponderância do capital intelectual e da relativa menor exigência de capital fixo na formação de empresas nesta área. De fato, constata-se pela PAS que, nas empresas com até 19 pessoas ocupadas, é particularmente relevante a participação de proprietários, sócios e membros da família com atividade nas empresas, representando 48,9 % da mão-de-obra ocupada nestes estabelecimentos.

A presença de empresas holdings introduz algumas especificidades nos resultados financeiros do grupamento, em função de particularidades de sua forma de atuação frente à das demais atividades. A receita das holdings advém principalmente da participação em empresas coligadas e controladas e aplicações financeiras. Assim, a atividade gerou "receitas financeiras e de resultado positivo em participações societárias" da ordem de R$ 22,5 bilhões, e, em contrapartida, apresentou "despesas financeiras e de resultado negativo em participações societárias" que somaram R$ 10,5 bilhões, gerando um resultado líquido de R$ 11,0 bilhões, superior, portanto, ao valor adicionado de R$ 7,2 bilhões.

No que se refere à remuneração salarial, as faixas com mais de 50 pessoas ocupadas apresentam uma remuneração média mensal superior a 11,0 salários mínimos (Quadro 2). Neste contexto, se destacam as empresas holdings com uma remuneração média de 25,3 e as empresas de assessoria em gestão empresarial, com 14,5 salários mínimos mensais.

Quadro 2 – Serviços técnico-profissionais Estrutura salarial, por faixas de pessoal ocupado

Faixas de pessoal ocupado Salários e retiradas (R$ milhões) Pessoal ocupado Salário médio
Total 4.332, 1 372.027 6,7
até 19 pessoas 1.648,2 231.634 4,1
de 20 a 49 pessoas 464,4 34.866 7,6
de 50 a 99 pessoas 468,7 23.611 11,4
mais de 100 pessoas 1.750,8 81.916 12,3

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Comércio e Serviços.
Pesquisa Anual de Serviços, 1999.

De forma semelhante às atividades de informática, os serviços técnico- profissionais buscam concentrar-se na Região Sudeste acompanhando o maior desenvolvimento industrial e comercial, com São Paulo concentrando 56,4 % do volume de negócios, 50,2 % dos salários pagos, 42,0 % do emprego e 42,1 % das empresas (Quadro 3).

Quadro 3 – Serviços técnico-profissionais Participação das Regiões e de São Paulo, no total de receita, salários, pessoal ocupado e número de empresas - 1999

Brasil e Regiões Receita de Serviços Salários Pessoal ocupado Número de empresas
Brasil 100,0 100,0 100,0 100,0
Norte 0,6 0,9 1,0 1,2
Nordeste 5,9 5,9 9,3 8,4
Sudeste 77,7 75,6 67,4 62,3
São Paulo 56,4 50,2 42,0 42,1
Sul 12,5 13,0 15,9 19,9
Centro-Oeste 3,3 4,6 6,4 8,2

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Comércio e Serviços,
Pesquisa Anual de Serviços.

Seleção, agenciamento e locação de mão-de-obra

As empresas deste segmento atuam como intermediárias na contratação de pessoal para outras empresas, desenvolvendo atividades tanto de agenciamento e seleção de mão-de-obra a ser contratada diretamente pelo cliente, como de locação de mão-de-obra por elas contratadas, geralmente sob a forma de contratos temporários.

A análise dos dados do segmento requer a consideração desta duplicidade de formas de atuação. As empresas que atuam apenas na intermediação, ficando a contratação por conta do cliente, operam com um número menor de pessoas ocupadas, e os gastos informados com pessoal, bem como o quantitativo de mão-de-obra, referem-se ao efetivamente ligado à produção dos serviços que caracterizam a atividade. Já as empresas que praticam a contratação da mão de obra para terceiros informam um volume de emprego e gastos com pessoal, normalmente mais altos, em que parte relevante refere-se a recursos usados no processo produtivo de outros setores de atividade.

As distintas formas de atuação quanto à contratação da mão-de-obra introduzem, também, especificidades no padrão de participação das empresas segundo faixas de tamanho. As empresas de menor porte (até 19 pessoas ocupadas), mesmo mantendo o padrão geral de maior participação no quantitativo de empresas, não chegam a 60% do total. Por outro lado, marcam presença relativamente maior na geração de receita (12,8% ) do que no emprego (4,6%), o que também foge ao padrão mais usual de menor relação receita por pessoa ocupada nas empresas de menor porte. Em relação às empresas de maior porte (100 e mais empregados), a participação especialmente elevada quanto ao pessoal ocupado (84,4%), inclusive mais alta do que na receita (71,4%), ocorre em função da contratação direta de pessoas que são alocadas em outras empresas, através de contrato de locação (gráfico 34). A receita destas empresas constitui-se basicamente de comissões e repasses do custo da mão-de-obra locada. Importante notar que dada a prática de contratação para terceiros, a leitura direta dos dados das empresas de locação de mão de obra pode levar à sobrestimação do volume de renda e emprego efetivamente gerados na atividade.

Serviços de investigação, vigilância, segurança e limpeza em prédios e domicílios.

São atividades que se caracterizam pelo uso intensivo de mão-de-obra de baixa qualificação ou apenas semiqualificada, que atendem à demanda tanto de empresas como de famílias. A demanda empresarial é particularmente importante e crescente dada a tendência bastante generalizada de terceirização destes serviços. As empresas atuantes neste serviços geraram valor de produção da ordem de R$ 12,6 bilhões.

Seguindo o padrão mais tradicional, as empresas de menor porte (até 19 empregados) predominam em número, mas representam bem menos quando se trata do emprego (13,3%) e, sobretudo, receita (7,9%). As grandes empresas (100 e mais pessoas), por seu turno, não são tão numerosas (2,3%), mas têm posição majoritária quando se trata de emprego (76,2%) e receita (75,3%) (gráfico 35).

O segmento emprega 992,1 mil pessoas, gerando um total de R$ 5,0 bilhões de salários. No entanto, os salários pagos refletem a baixa qualificação da mão-de-obra, variando de 1,7 a 3,6 salários mínimos (Quadro 4).

Quadro 4 – Serviços de investigação, vigilância, segurança e limpeza Estrutura salarial, por faixas de pessoal ocupado

Faixas de pessoal ocupado Salários e retiradas (R$ milhões) Pessoal ocupado Salário médio
Total 5.034,8 992.123 2,9
até 19 pessoas 400,5 132.161 1,7
de 20 a 49 pessoas 267,0 42.599 3,6
de 50 a 99 pessoas 314,5 61.849 2,9
mais de 100 pessoas 4.052,8 755.514 3,1

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Comércio e Serviços.
Pesquisa Anual de Serviços, 1999.

VIII - Outras atividades de serviços

O segmento "outras atividades" reúne as demais atividades pesquisadas pela PAS, agrupadas por conveniência do desenho da pesquisa, sem que necessariamente apresentem traços comuns quanto a processos de produção ou mercado. Fazem parte deste grupamento as atividades de serviços auxiliares financeiros; representantes comerciais e agentes do comércio; manutenção e reparação de veículos e objetos pessoais e domésticos; e outros serviços (limpeza urbana e esgoto, serviços auxiliares da agricultura, recreativos, pessoais e desportivos e serviços pessoais). Segundo a PAS 1999, as empresas neste segmento representam 23,1% do número de empresas pesquisadas, com peso proporcionalmente bem menor na geração da receita líquida operacional e no emprego (cerca de 13% em ambos os casos).

Empresas de pequeno porte (até 19 pessoas ocupadas) predominam tanto nas atividades de manutenção e reparação de veículos, objetos pessoais e domésticos (99,4% das empresas, 93,4% do pessoal ocupado e 77,2% da receita líquida), como no segmento de representantes comerciais e agentes de comércio (99,3% do número de empresas, 80,3% do pessoal ocupado e 64,8% do volume de negócios). Essa característica é coerente com natureza das atividades de intermediação comercial, nas quais o serviço é prestado por indivíduos através de relações contratuais formalizadas com montagem de pequenas firmas de representação. Segundo as informações da PAS 1999, 74,7% do pessoal ocupado nas empresas com até 19 empregados é constituído por proprietários e sócios.

Também nos serviços financeiros auxiliares destaca-se a participação das empresas de menor porte (até 19 pessoas ocupadas), que, além de elevada em termos de número de empresas e de pessoas ocupadas (98,1% e 71,9%, respectivamente), representa 49% da receita do segmento.

Em contraste, no segmento outros serviços, o domínio das grandes empresas é evidente quando se observam aquelas com mais de 100 empregados, que representam apenas 0,6% do total das empresas, empregam 40,3% do pessoal ocupado e são responsáveis por 65,3% da receita operacional líquida. A importância das grandes e médias empresas nesse segmento está associada à presença de unidades de limpeza e esgoto, bem como ao crescimento expressivo de corporações nacionais e estrangeiras na área de serviços culturais, turismo urbano, entretenimento e informação (parques temáticos, museus, cinema, agências de noticias, atividades de televisão, cadeias de distribuição de fitas de vídeo etc.), a despeito do segmento agrupar também uma série de serviços em que predominam pequenas empresas, como lavanderias e tinturarias, cabeleireiros e outros serviços pessoais. O significado dos empreendimentos com até 20 empregados é relativamente menor em termos de receita (14,2%), apesar de representarem 95,6% do número de empresas.


A Instituição | Locais de Atendimento | Estatísticas do Site | Prestação de Contas | Editais e Licitações