A importância do Censo 2000
Quem foi recenseado?
Os motivos para responder ao Censo
As inovações do Censo 2000
A divulgação dos resultados
Mercosul
Projeto Vamos Contar!
Revista do Censo
FAQ/Webmaster
Outros links

 

NOVO NÚNCIO NO BRASIL TERÁ DE ENFRENTAR DÉFICIT DE 25 MIL PADRES
O arcebispo italiano Lorenzo Baldisseri torna-se embaixador da Santa Sé no País

O Estado de São Paulo - 12 de novembro de 2002

BRASÍLIA - O novo embaixador da Santa Sé no Brasil, Lorenzo Baldisseri, de 62 anos, encontrará uma Igreja com déficit de padres que tenta conter o avanço de religiões evangélicas. Dados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) mostram que faltam pelo menos 25 mil padres nas dioceses brasileiras.

"A formação de novos padres é uma preocupação de toda a Igreja e certamente do novo núncio apostólico", afirma o secretário-geral da CNBB, d. Raymundo Damasceno Assis. "É uma questão de vida ou morte." Nos anos 90, o número de católicos caiu 12% e o de evangélicos aumentou em 70%. O Censo 2000 do IBGE, porém, calcula que os católicos ainda são maioria - são 125 milhões de brasileiros. Já os evangélicos são 26,1 milhões.

Para a CNBB, a vitória da esquerda nas eleições presidenciais do Brasil não influiu na escolha de Baldisseri pelo Vaticano. Sua trajetória inclui passagens por países como Haiti, Paraguai e Zimbábue. Na época em que foi núncio apostólico no Haiti (1991 a 1995), o país vivia o turbulento governo de Jean Bertrand Aristide, um ex-padre salesiano.

"No Brasil, a Igreja é forte e não tem problemas de relacionamento com o Estado", avalia d. Raymundo.

O arcebispo Baldisseri substituirá o também italiano Alfio Rapisarda, que comanda há dez anos a Nunciatura Apostólica no Brasil.

Baldisseri fala português e já atuou como secretário na Nunciatura. Hoje, representa a Santa Sé na Índia e no Nepal. "Essa trajetória mostra que ele tem experiência para atuar no episcopado com maior número de dioceses do mundo", diz d. Raymundo.

Esse episcopado, com o qual o núncio precisa ter contato constante, tem 416 bispos - 304 na ativa e 112 eméritos ou aposentados - em 269 dioceses.

Além de embaixador da Santa Sé, o núncio é o representante do papa na CNBB.

Uma de suas atribuições é indicar a Roma os padres que merecem ser nomeados bispos.

 

CENSO COM QUESTÃO RACIAL SERÁ RESPONDIDO POR SERVIDORES FEDERAIS
União deseja saber número de negros no poder público

Zero Hora - Geral - 11 de novembro de 2002
Carolina Bahia
Sucursal/Brasília

No período de 20 a 27 de novembro, funcionários públicos federais de todo o país estarão participando, pela primeira vez, de uma espécie de censo racial.

O governo federal deseja saber, por exemplo, quantos negros trabalham na administração pública federal e em que funções para, a partir dessas informações, definir políticas como a aplicação de cotas para a contratação, além de programas de capacitação.

O cadastramento, inédito no Brasil, será feito por meio do preenchimento de questionário via intranet (serviço de Internet interno das repartições) ou por formulários de papel. Normalmente, o recadastramento dos funcionários públicos já é feito, apenas um novo item será agregado ao questionário.

A exemplo do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o próprio servidor vai autodeclarar a cor ou raça. Ele poderá marcar uma das seguintes alternativas: branco, preto, pardo, amarelo, indígena ou ainda pode optar por não declarar a sua cor.

O levantamento final deverá ser conhecido ainda no final deste mês, depois de analisado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada (Ipea). O secretário-adjunto de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Antônio de Pádua Cazella, estima que 1,3 milhão de funcionários públicos participarão do processo em todo o Brasil.

- Desde 1996, lutamos para incluir o campo cor/raça nas estatísticas produzidas pelo governo federal. Com esses dados, fica mais fácil discutir a política de cotas. É difícil trabalhar sem informações concretas - explica o assessor especial da Secretaria dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça, Ivair Augusto Alves dos Santos.

Santos reconhece, no entanto, que medidas efetivas, com base nessas informações, deverão ser tomadas somente pelo próximo governo.

 

BRASIL: UM NOVO DESAFIO

O Globo - Opinião - 27 de outubro de 2002

O Brasil oferece imensa prova de maturidade política neste final de 2002. Pela primeira vez em 42 anos, um presidente eleito pelo voto direto empossará sucessor também eleito pelo voto direto. A estabilidade política é uma conquista consolidada, capaz de oferecer ao presidente eleito a oportunidade de governar um país efetivamente mais moderno e competitivo neste início de século.

O enorme desafio é continuar a avançar. As conquistas da última década devem ser preservadas, o que não impede a constatação de que ainda há muito a realizar.

A década de 90 registrou vitórias importantes. De acordo com o Censo 2000, realizado pelo IBGE, a mortalidade infantil caiu 38% entre 1991 e 2000. Em 1992, 18,2% das crianças entre 7 e 14 anos não freqüentavam a escola. Agora, o acesso ao ensino fundamental foi universalizado. A taxa de analfabetismo dos maiores de 15 anos caiu de 18,3% para 13,8%, e as matrículas no ensino superior tiveram acréscimo de quase 30% entre 1994 e 1998. Os que vivem abaixo do nível de pobreza são 30% (eram 43% em 1994). Mais de 13 milhões ingressaram no mercado consumidor.

A evolução se deu também na área econômica. O país cresceu 3,3% ao ano entre 1993 e 2000, dobro da média de 12 anos anteriores. No mesmo período, a indústria cresceu 3,1% ao ano (havia decrescido 0,1% entre 1981 e 1992). Entre junho de 1994 e junho de 2001, 1,8 milhão de novos empregos foram criados. Entre 1994 e 2000, a taxa de inflação anual foi de 11,4%. Nos cinco anos anteriores, a média era de 1.280%. Em 1994, um salário-mínimo comprava 69% da cesta básica. Em maio de 2000, este mesmo salário adquiria 115% da cesta. Os investimentos diretos no país somaram US$ 33 bilhões em 2000 e US$ 22,6 bilhões em 2001 (não passaram de US$ 1 bilhão em 1993). O arrojo do Programa Nacional de Desestatização produziu receita total, entre 1991 e 2000, de mais de US$ 100 bilhões.

O acesso a bens e serviços também apresenta índices estimulantes. Entre 1993 e 1998, 5 milhões de novos lares passaram a dispor de abastecimento de água. Quase 3,5 milhões de famílias viram chegar redes coletoras de esgoto a suas casas. Mais de 7 milhões de lares passaram a contar com coleta de lixo e mais de 6 milhões com iluminação elétrica.

O setor de telecomunicações, em especial, é o grande exemplo do que se pode realizar quando há vontade política, competência e ousadia. Segundo dados da Anatel, em agosto de 2002 os terminais fixos instalados somavam 49,4 milhões, contra 20,2 milhões em julho de 1998. Os telefones de uso público, 1,37 milhão contra 547 mil. Os telefones celulares, 31,6 milhões contra 5,6 milhões. A taxa de digitalização da rede elevou-se de 67,6% para 97,91%, sempre entre julho de 1998 e agosto de 2002. Ao contrário do que se imagina, a força de trabalho empregada no setor cresceu de 86.793 para 123.026 entre 1998 e 2002. Ou seja, os avanços na telefonia geraram um aumento de quase 50% nos postos de trabalho. É a prova de que modernização e eficiência não são sinônimo de desemprego. Antes, significam mais e melhores empregos.

Não se vive hoje numa Suíça, mas é evidente que o Brasil avançou. O que está em questão é identificar o que há por realizar. As reformas constitucionais emergem novamente como a prioridade na agenda nacional. E as reformas do Judiciário e tributária têm de estar em primeiro plano. Elas são decisivas para a atividade produtiva. O país necessita de um novo sistema, capaz de acelerar os julgamentos e reduzir a incidência de impostos na produção, na contratação de mão-de-obra, nas exportações, nos investimentos, na cesta básica e na intermediação financeira. É hora de acabar com a tributação em cascata, de simplificar, modernizar e uniformizar normas tributárias.

A reforma previdenciária é outra demanda urgente, de modo a implementar finalmente um sistema de capitalização no qual o benefício de cada servidor seja proporcional às contribuições por ele efetuadas ao longo da vida profissional. Uma previdência racional é o caminho para a geração de maior poupança interna, que permita reduzir taxas de juros e dependência de recursos externos. Só assim o país poderá praticar taxas de investimento compatíveis com as necessidades de sua economia.

Os desafios que aguardam o novo presidente são imensos. A atividade produtiva também vai se deparar com eles no microcosmo de sua atuação. Poucas vezes a economia global se viu diante de circunstâncias tão complexas. Os Estados Unidos ainda não se recuperaram do desaquecimento econômico, o que impacta as economias em escala mundial. O Brasil tem feito o que está a seu alcance para enfrentar as repercussões internas do cenário de turbulência. As reformas constitucionais são o que falta para tornar o país progressivamente mais competitivo. Elas permitirão praticar juros menores, e tornarão possível crescer no ritmo que uma economia com o potencial da brasileira merece. O presidente eleito encontrará um país transformado e com uma extensa cadeia de relações jurídicas constituídas legitimamente ao longo dos últimos oito anos. Sua missão, respeitados os contratos, será liderar os avanços e transformações de que ainda necessitamos a partir de 1 de janeiro de 2003. Vamos torcer pelo seu sucesso.

FRANCISCO ANTUNES MACIEL MÜSSNICH é advogado.

 

ASSEMBLÉIA DE DEUS DECLARA APOIO A SERRA

O Globo - 16 de outubro de 2002
Flávio Freire

SÃO PAULO. Fiéis no primeiro turno ao candidato Anthony Garotinho (PSB), os líderes da Assembléia de Deus estão agora apoiando o tucano José Serra na disputa do segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi tomada apesar do apoio dado por Garotinho a Lula. Serra recebeu ontem o apoio de pastores que estão à frente do maior segmento da Assembléia, o de Belém, em São Paulo. Na semana passada, o tucano já havia recebido apoio de líderes do outro setor da Assembléia, o de Madureira, no Rio.

O apoio da Assembléia surpreendeu a direção da campanha tucana, que havia programado para o candidato um dia dedicado a gravações para o horário eleitoral. À tarde, no entanto, dez pastores, levados pelo coordenador nacional da campanha, deputado José Aníbal, tiveram um rápido encontro na produtora onde Serra grava os programas para TV, em São Paulo.

O coordenador da ação política da Assembléia de Deus, pastor Ronaldo Fonseca, disse que a tendência é que o universo de 18 milhões de fiéis da Assembléia - boa parte teria votado em Garotinho no primeiro turno - vote agora em Serra. O presidente da Convenção Geral das Assembléias de Deus do Brasil, pastor José Wellington, que já havia se encontrado com Serra semana passada, declarou seu apoio:

- Tivemos uma reunião na semana passada em Brasília com a nossa bancada de deputados federais e foi consenso o apoio a Serra.

O candidato tucano citou três pontos de identidade entre ele e os evangélicos.

- O apoio da Assembléia de Deus tem um efeito não só eleitoral, mas qualitativo. São três os pontos de identidade que tenho com os evangélicos: a liberdade individual e religiosa, o fortalecimento da família e o desenvolvimento social - disse Serra.

Nos últimos dias, o candidato teve encontros com representantes da Assembléia. Primeiro, uma reunião com o pastor Wellington depois do primeiro encontro com os coordenadores de sua campanha. No sábado, foi à igreja de Belém cumprimentar o pastor pelo aniversário de 68 anos.

Temas polêmicos não são tratados

Serra disse que, no encontro de ontem, não tratou de questões polêmicas, como aborto e união civil entre pessoas do mesmo sexo. A bancada evangélica na Câmara é contra a aprovação de projetos que permitam a união de homossexuais e o aborto.

A Assembléia de Deus diz reunir 18 milhões de fiéis. O segmento de Belém da Assembléia, segundo seus líderes, congrega cerca de 12 milhões. Já o setor da Assembléia de Madureira, ainda de acordo com seus representantes, tem seis milhões de adeptos.

Segundo o Censo 2000 do IBGE, há 26 milhões de evangélicos (15,5% dos brasileiros). São ligados a centenas de igrejas diferentes. Entre elas estão as igrejas Batista, Congregação Cristã, Universal do Reino de Deus, Luterana, Presbiteriana e Quadrangular.

 

MORUMBI RICO, MORUMBI POBRE
Os contrastes do bairro, que tem as maiores concentrações de renda da cidade e cuja população favelada representa 47,7% do total de moradores, vão influenciar o plano diretor da região, que está sendo elaborado com um enfoque nas questões sociais

O Estado de São Paulo - 13 de outubro de 2002
Marici Capitelli

Um dos bairros mais luxuosos e tradicionais da cidade, o Morumbi, zona sul, convive com uma realidade cruel: a população favelada representa 47,7% do total de moradores. As ruas que dividem os dois mundos são tênues e, cada vez mais, os imóveis de alto padrão se aproximam dos barracos.

Três favelas circundam o Morumbi. A maior é a do Real Parque, onde moram cerca de 16 mil pessoas - três mil em apartamentos do Cingapura. Na comunidade do Panorama, são cerca de 2 mil habitantes. A menor é a de Porto Seguro, com 1,5 mil moradores. A região, porém, se localiza numa das áreas mais valorizadas do bairro - o Jardim Morumbi.

A população carente do Morumbi corresponde a 1,83% do total de moradores das favelas da capital. O porcentual se baseia na estimativa dos líderes comunitários das favelas, segundo o censo do IBGE.

A renda dessas famílias gira principalmente em torno dos vizinhos ricos, já que a grande maioria trabalha nas mansões como empregadas domésticas, babás e seguranças. Nessas áreas privilegiadas vivem cerca de 34,5 mil pessoas, o que corresponde a 0,33% do total de habitantes da capital, também de acordo com o IBGE.

Essa realidade conflitante - que convive junta numa área de 1.140 hectares - vai influenciar diretamente o Plano de Bairro do Morumbi e o Plano Regional do Butantã, previsto no Plano Diretor. Com isso, o Plano do Morumbi está sendo elaborado com um enfoque muito claro: as questões sociais.

"Não podemos ignorar o grande número de favelados do Morumbi. Por isso, estamos defendendo que o plano diretor do bairro seja voltado para os aspectos sociais", afirma o engenheiro Aloysio Camargo Filho, de 58 anos, conselheiro da Sociedade dos Moradores do Morumbi e diretor da Associação de Segurança e Cidadania.

O enfoque social do plano diretor do Morumbi pode deixar perplexo quem não conhece a realidade da região. Afinal, num bairro arborizado, com total infra-estrutura e que tem uma das maiores concentrações de renda da cidade serão apontadas necessidades como urbanização, transporte, saúde e educação.

A proposta inicial da Prefeitura tratava da discussão do zoneamento e das vias públicas.

"Mas estamos com outro foco porque é uma obrigação social reinserir essa população de forma adequada na cidade", pondera Aloysio, que mora no bairro há 24 anos e levou um susto no final do ano passado ao cruzar os dados dos moradores das áreas nobres do Morumbi com os de seus vizinhos favelados.

Representantes dos dois lados estão se entendendo

No que se refere ao transporte, por exemplo, o Plano Diretor Regional (que será feito a partir dos planos de bairro) vai priorizar a extensão do Metrô até o Taboão e a utilização de micrôonibus ou lotações que circulam pelo bairro e têm acesso a estações de Metrô e trens.

Para discutir as questões sociais, Aloysio tem reunido toda a semana cerca de 30 entidades de toda a região do Morumbi. Nas reuniões participam representantes de comunidades ricas e pobres.

Os encontros vão permitir a criação do Plano Diretor dos Bairros e, depois, o Plano Diretor Regional, que envolve o Morumbi e bairros como Vila Sônia, Raposo Tavares, Rio Pequeno e Butantã.

"Temos que conseguir um plano regional que promova a integração dos projetos de todas as comunidades para beneficiar a região como um todo", aposta Aloysio.

A arquiteta Regina Monteiro, do Movimento Defenda São Paulo, acredita que a experiência do Morumbi é única no mundo. "É um bairro que concentra o mais alto poder aquisitivo da cidade e o mais baixo também. E os representantes dos dois lados estão conseguindo discutir juntos."

Os preços dos imóveis no Morumbi podem variar de R$ 3 mil, num barraco, a mansões de mais de R$ 1 milhão.

Na opinião de Regina, a discussão em sociedade é o caminho para a solução dos problemas. "É quando as pessoas percebem que o problema do vizinho é também o seu, e não se limitam a exigir que as favelas sejam retiradas", diz. Ela ressalta que, se a comunidade elaborar projetos bem embasados, poderá obter recursos no exterior para a realização das obras sem precisar do governo.

Jailton Ribeiro da Silva, de 30 anos, é presidente da Associação dos Moradores do Real Parque. "A população favelada é sempre esquecida. Com a força dos moradores do lado rico, as chances de obtermos melhorias são muito maiores", avalia.

O líder comunitário da Favela Panorama, José Arnaldo Barbosa, de 31 anos, ainda está desconfiado da situação. "É sempre tão difícil conseguir qualquer melhoria para a favela que ainda não dá para acreditar", diz o líder, que tenta em vão montar uma fábrica de blocos na região.

O subprefeito do Butantã, Carlos Alberto da Silva Vieira, define o Morumbi como o 'Brasil real' - com suas realidades contrastantes tão próximas. Ele também enfatiza a prioridade social, mas vai além da simples urbanização das favelas. "A questão passa por moradia digna para essa população e não apenas asfaltar ruas e colocar luz".

IBGE
Volta ao topo