A partir de 1930, a vinda dos judeus para o Brasil foi
muito discutida. Os nacionalistas defendiam a imigração
de grupos que contribuíssem para o cultivo da terra ou que trouxessem
capitais para serem aqui aplicados. Como os judeus não
faziam nem uma coisa nem outra, deveria ser impedida a sua
entrada no país.
Em 1935, o governo brasileiro começou a negar vistos a judeus, o que se explica por uma combinação de razões, dentre elas a preocupação em definir a identidade nacional e a ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha (1933). Durante o Estado Novo uma circular secreta proibiu a concessão de vistos a "pessoas de origem semita", inclusive turistas e negociantes, o que causou uma queda de 75% da imigração judaica ao longo daquele ano.
Entretanto, mesmo com as imposições da lei, muitos judeus
continuaram entrando ilegalmente no país durante a guerra e
as ameaças de deportação em massa nunca foram concretizadas,
apesar da extradição de alguns indivíduos por sua militância
política.
Assim, a proibição da entrada de judeus no país não se
manteve igualmente por todo o período da ditadura Vargas:
ora interrompeu totalmente a entrada de judeus, ora era
aplicada para uns e não para outros, de acordo com a proximidade
entre parentes e autoridades.
Muitas vezes, diplomatas tratavam a questão dos vistos de acordo com suas próprias convicções, ora negando vistos, ora os concedendo, como fazia o embaixador Luís Martins de Souza Dantas, que de Paris salvou inúmeras vidas.