Desembarcados no Rio ou em Santos, a opção de trabalho
das primeiras levas de imigrantes foi o comércio.
Embora pobres e, em geral, afeitos ao trabalho agrícola,
poucos foram os árabes que após o desembarque optaram pela
agricultura. A miséria da população rural e o sistema de
compra vinculado ao proprietário da terra repeliram esses
imigrantes do trabalho no campo.
Na cidade de São Paulo, na década de 30, eles se concentravam nos Distritos da Sé e Santa Ifigênia, ou seja, entre as ruas 25 de Março, da Cantareira e Avenida do Estado; no Rio de Janeiro, ocorreu um processo de concentração semelhante nas áreas cobertas pelas ruas da Alfândega, José Maurício e Buenos Aires.
Os mascates: origem do comércio popular
Quando chegaram os árabes, já existiam mascates portugueses e italianos, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Entretanto, a mascateação se tornou uma marca registrada da imigração árabe. Nesta atividade, esses imigrantes introduziram inovações que, hoje, são vistas como traços marcantes do comércio popular:
- redefiniram as condições de lucro;
- introduziram as práticas da alta rotatividade e alta quantidade de
mercadorias vendidas, das promoções e das liquidações.
Estas inovações revelam o traço definidor da versão árabe da mascateação: o interesse pelo consumidor.
Nos primeiros anos de atividade, os mascates, em visita às cidades interioranas e, principalmente, às fazendas de café, levavam apenas miudezas e bijuterias. Mas com o tempo e o aumento do capital, começaram também a oferecer tecidos, lençóis, roupas prontas dentre outros artigos.
Conforme acumulavam os ganhos, os mascates contratavam um ajudante ou compravam uma carroça; o passo seguinte era estabeler uma casa comercial, sendo o último passo a indústria.
Do comércio para a indústria
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o comércio árabe
imprimiu um caráter popular na paisagem de algumas áreas da
cidade.
Em 1901, na capital paulista, já eram mais de 500 casas comerciais na região. Seis anos depois, um levantamento indicou que de 315 firmas de sírios e libaneses, 80% eram lojas de tecidos a varejo e armarinhos. A eclosão da I Guerra Mundial aumentou os lucros do comércio e da indústria com a interrupção da importação dos produtos europeus.
No Rio de Janeiro, a abertura da avenida Presidente Vargas na década de 40, obrigou muitos dos comerciantes a abandonar o quadrilátero próximo à praça da República, mudando-se para a Tijuca.
Como na rua 25 de Março, em São Paulo, o comércio da rua da Alfândega ficou conhecido pelo seu caráter popular. Em 1962 foi fundada a Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega - SAARA, cuja sigla serviu como uma luva para o tipo de comerciante ali estabelecido.
O sucesso mais ostensivo dos imigrantes árabes foi a sua
entrada no setor indústrial, o que ocorreu, principalmente,
nas duas primeiras décadas do século XX, quando deslanchou
o processo de substituição das importações através da
industrialização. Um caso significativo desse sucesso é o
da família Jafet.